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Campo Grande, Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

28/08/2017 12:29

Família acusa hospital de negligência por morte de mulher após parto

Glaucia Benta Portilho, 29 anos, morreu após passar por parto normal no Hospital Regional. Gravidez era considerada de risco

Richelieu de Carlo
Glaucia Benta Portilho no chá de fralda de Keven, um mês antes de morrer após o parto. (Foto: Arquivo/Família)Glaucia Benta Portilho no chá de fralda de Keven, um mês antes de morrer após o parto. (Foto: Arquivo/Família)

Glaucia Benta Portilho, 29 anos, morreu na sexta-feira (25), após ter complicações no parto do seu quinto filho, Keven Gabriel, que nasceu no dia anterior no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Com a gravidez de risco constatada no início da gestação, familiares acusam o hospital de negligência e erro médico ao forçarem o parto normal e mandarem ela para casa com fortes dores horas antes de dar à luz.

Na manhã de quarta-feira (23), Glaucia teve uma consulta no hospital, em que foi verificado que o feto não tinha batimentos cardíacos. De acordo com o seu marido Jhonatan da Silva, 24 anos, ela foi alimentada e, logo em seguida, o coração voltou a registrar atividade. O casal ficou na unidade de saúde das 11h às 21h, quando a gestante foi medicada para a dor e liberada a voltar para casa.

Horas depois, na madrugada de quinta-feira (24), Glaucia começou a sentir fortes dores e entrou em trabalho de parto, sendo encaminhada novamente ao Hospital Regional. Assim que chegou ao local, segundo familiares, ela foi forçada a ter parto natural. Keven Gabriel nasceu com 3,2 quilos, na 40ª semana de gestação, enquanto a mãe sofria com forte hemorragia.

Sem conseguir estancar a perda constante de sangue, Glaucia passou por cirurgia, mas acabou falecendo na tarde de sexta-feira (25). Ainda de manhã, os familiares foram informados de que não havia mais esperança de recuperação.

“Se tivessem internado na quarta-feira, ela não estaria morta”, afirma a irmã Deize Portilho, 24 anos. “Viram que o bebê não tinha batimentos, sabiam que ela estava com dores e tinha uma gravidez de risco, mas mesmo assim mandaram ela embora”.

No início da gestação, Glaucia passou por uma avaliação para saber o risco da gravidez. Segundo a classificação, uma gravidez é considera de alto risco quando as respostas ao questionário atingem o patamar com mais de 10 pontos. A mãe de Keven teve como resultado final de 25 pontos.

Jhonatan da Silva, pai de Keven. A ficha ainda não caiu. (Foto: João Paulo Gonçalves)Jhonatan da Silva, pai de Keven. "A ficha ainda não caiu". (Foto: João Paulo Gonçalves)
Deize Portilho diz que irmã não poderia ter um parto normal. (Foto: João Paulo Gonçalves)Deize Portilho diz que irmã não poderia ter um parto normal. (Foto: João Paulo Gonçalves)

“Ela tinha pressão alta e diabetes, pediu para passar por uma cesárea, mas obrigaram ter o bebê no parto natural, um absurdo”, reclama Deize Portilho. “A médica plantonista me disse que tiveram que empurrar a barriga para não perder os dois [mãe e bebê]. Onde fica o respeito com a pessoa?”.

“Queremos saber o motivo dela ter morrido e por que não quiseram fazer uma cesariana, sabendo que ela tinha uma gravidez de risco”, questiona Deize.

A família recebe apoio da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, que vai registrar um boletim de ocorrência e pedir a exumação do corpo de Glaucia para que sejam verificadas as razões da morte.

“Houve negligência. Não poderiam ter liberado ela na quarta-feira, tinham que ter internado, pois era gravidez de alto risco e não poderiam ter feito o parto normal”, diz o presidente da entidade, Valdemar Morais. “Com a experiência de mais de 800 casos, também podemos afirmar que é um caso de violência obstétrica”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Hospital Regional de MS, que informou que irá se posicionar sobre o caso na tarde desta segunda-feira (28), quando terá todas as informações sobre todos os atendimentos a Glaucia Benta Portilho.

Enquanto isso, o pintor Jhonatan da Silva, pai de Keven e marido de Glaucia, com quem conviveu nos últimos 10 anos, não sabe o que irá fazer com os cinco filhos que agora estão sob sua responsabilidade. “A ficha não caiu ainda”, diz. Keven segue internado, mas não corre risco de morte.

Tênis em cima do quarto de Glaucia. Keven poderá usar os presentes, mas sem a companhia da mãe. (Foto: João Paulo Gonçalves) Tênis em cima do quarto de Glaucia. Keven poderá usar os presentes, mas sem a companhia da mãe. (Foto: João Paulo Gonçalves)



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