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Capital

Homem confundido com Lázaro morava na rua quando foi preso pela 1ª e única vez

Rapaz foi preso em flagrante no ano passado logo após assaltar chefe de cozinha que voltava para casa à pé

Por Anahi Zurutuza | 24/06/2021 10:23
Rapaz foi socorrido com ferimentos nas costas, pescoço e cabeça na tarde de terça-feira, após tentar ajuda por 3 horas (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
Rapaz foi socorrido com ferimentos nas costas, pescoço e cabeça na tarde de terça-feira, após tentar ajuda por 3 horas (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

Sequestrado, espancado a pauladas e abandonado próximo ao Autódromo de Campo Grande, na tarde de terça-feira (22), o homem de 27 anos que perambulava pela BR-262 sem conseguir socorro por se parecer com Lázaro Barbosa, o assassino em série que está sendo “caçado” em Goiás, morava na rua quando foi preso pela primeira e única vez, na Capital.

Pouco se sabe sobre quem ele é. Em maio do ano passado, foi preso em flagrante por assaltar uma chefe de cozinha que voltava a pé do trabalho para casa. Natural de Barra do Garças, no Mato Grosso, na delegacia, ele declarou não ter terminado o Ensino Médio e não ter casa.

Ele é mais uma vítima da drogas. Disse à polícia que era dependente químico e, na ocasião, que estava nas ruas da Capital há três meses, mas que chegou a trabalhar como pintor e servente de pedreiro.

Ficha preenchida pelo homem em delegacia quando foi preso (Foto: Reprodução)
Ficha preenchida pelo homem em delegacia quando foi preso (Foto: Reprodução)

Nunca foi condenado por crimes e nem tem outras passagens pela polícia, em Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, conforme busca anexada a processo aberto contra ele na 5ª Vara Criminal de Campo Grande pelo roubo em 2020.

“Filme na cabeça” – A vítima do “Lázaro de MS” caminhava pela Avenida Afonso Pena, na altura do Sesc (Serviço Social do Comércio) Camilo Boni, quando foi abordada pelo rapaz, por volta das 23h de uma terça-feira.

Conforme relatou à polícia, o assaltante passou por ela, deu “boa noite” e voltou. Ele colocou a mão por debaixo da camiseta e fez menção de estar armado. A cozinheira viu que o ladrão não tinha arma e tentou negociar, mas teve a bolsa arrancada do braço com força e caiu de joelhos no asfalto.

Pernambucana que vive há 20 anos em Campo Grande, Nubia Pontes revelou que “um filme passou pela cabeça” dela quando viu as notícias dos últimos dias sobre Lázaro. Se lembrou imediatamente do dia do assalto porque quem a roubou se parece com o criminoso procurado no estado vizinho. Quando o Campo Grande News noticiou que o rapaz havia sido encontrado ferido na BR-262, ela teve a confirmação de que não estava imaginando coisas.

Sobre o dia do assalto, a chefe de cozinha conta que tinha o costume de voltar para casa caminhando todos os dias. “Eu moro no Monte Líbano e trabalho ali na Rio Grande do Sul, dava 25 minutos, então apesar de ser à noite, eu ia embora a pé para economizar. Depois daquilo, nunca mais”.

Nubia conta que cumprimentou o rapaz naquela noite “por educação”, mas na hora percebeu algo errado. “Senti que ele ia voltar. Nem olhei para trás e no mesmo instante ele voltou”.

A cozinheira, que nunca havia sido assaltada, tentou convencer o ladrão a não levar o celular. “Falei que tinha comprado fazia pouco tempo, que precisava muito, mas não teve jeito”.

A vítima narra que assim que caiu no chão, o homem correu com sua bolsa e ela começou a gritar por socorro. Recebeu ajuda de um motociclista, que chamou a PM (Polícia Militar). Na viatura, ela e os policiais fizeram rondas pela região central em busca do assaltante. A bolsa foi encontrada em um lava-jato e o rapaz um pouco depois, caminhando pela Rua 15 de Novembro. “Quando eu vi, reconheci e gritei para os policiais”.

O celular de Nubia estava escondido na cueca do bandido. Ele foi pego em flagrante e estava livre desde setembro do ano passado. Hoje, responde a processo pelo roubo em liberdade.

Confusão – Na tarde de terça-feira, o rapaz ficou cerca de três horas tentando socorro na BR-262. À polícia, depois que finalmente foi atendido pelo Corpo de Bombeiros, ele apresentou documento e deu detalhes sobre pontos de Campo Grande, o que descartou qualquer possibilidade de se tratar do procurado em Goiás.

O homem contou versão “de cinema” sobre o que ocorreu com ele. Diz ter sido sequestrado por volta do meio-dia, no Bairro Tiradentes. Segundo ele, quatro encapuzados o abordaram e o obrigaram a entrar em um carro preto. De lá, partiram para a região do Autódromo.

Já no local, distante da área urbana, a vítima afirma ter sido espancada com pedaços de pau e abandonada. Ferido, o rapaz foi flagrado por motoristas andando às margens da rodovia sinalizando para carros e gritando por socorro, porém, ninguém parou.

Depois de horas tentando ajuda, o jovem não resistiu, caiu próximo a pista. Pessoas que passavam pela área acionaram a polícia e o Corpo de Bombeiros dizendo que viram "um cara parecido com Lázaro na rodovia".

O homem foi socorrido com ferimentos nas costas, pescoço e cabeça e levado para a Santa Casa. O hospital informou que não pode fazer contato com o paciente, porque ele foi internado sob escolta, repassar o estado de saúde dele e nem informar se ele já teve alta médica.

Rosto que ficou conhecido nacionalmente, Lázaro Barbosa ainda está foragido (Foto: Polícia Civil do DF/Divulgação)
Rosto que ficou conhecido nacionalmente, Lázaro Barbosa ainda está foragido (Foto: Polícia Civil do DF/Divulgação)

Lázaro - As buscas pelo homem apontado com autor de cinco assassinatos entraram no 16º dia consecutivo hoje. Estão mobilizados pelo menos 200 homens, que trabalham com a ajuda de cães farejadores, helicópteros e drones em região de Gioás que fica a cerca de 600 km da divisa com Mato Grosso do Sul. A Sejusp (Secretaria Estadual de Justiã e Segurança Pública) já descartou ter recebido qualquer aviso da fuga de Lázaro para o Estado.

Além de ser apontado como o autor de um quádruplo latrocínio em Ceilândia, no DF, e um quinto em Goiás, Lázaro Barbosa é considerado criminoso de alta periculosidade, suspeito ainda de balear outras três pessoas no dia 12, sábado retrasado. Ele já tem condenação por homicídio, na Bahia, além de ser procurado no Distrito Federal e em Goiás por crimes de roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo.

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