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Capital

HU não receberá mais pacientes de urgência a partir de fevereiro

Diante de superlotação e encamihamentos muito acima do comportado, unidade diz que não tem mais como atender

Por Lucia Morel | 05/07/2022 16:43
Entrada do Hospital Universitário, em Campo Grande. (Foto: Kísie Ainoã)
Entrada do Hospital Universitário, em Campo Grande. (Foto: Kísie Ainoã)

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian vai encerrar os atendimentos de urgência e emergência a partir de fevereiro do ano que vem em Campo Grande. O pedido foi feito à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e está sendo acompanhado pela 32ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e também pelo Ministério Público Federal.

Conforme o hospital, não há mais condições de a unidade ser porta de entrada, principalmente em casos de vaga zero, e teve que inclusive bloquear leitos de internação para encaminhar profissionais ao PAM (Pronto Atendimento Médico), sempre superlotado.

“Em função da conjuntura de superlotação vivenciada nos últimos meses, período em que mantivemos uma média superior a 200% de ocupação em nossa área vermelha do PAM Adulto, constantemente com ocupação superior a 1000% na área verde do PAM adulto e acima de 150% da ocupação máxima no PAM pediátrico – situações vinculadas diretamente ao aumento expressivo (de cerca de 50%) de encaminhamentos realizados pela Central de Regulação de vagas –, esta instituição encontra-se totalmente impossibilitada de manter em funcionamento a Porta Entrada Hospitalar de Urgência e Emergência - TIPO II”, cita ofício do hospital ao MP, Sesau e Ministério Público Federal.

Em outro ofício, também assinado pelo superintendente da unidade hospitalar, Cláudio César da Silva, ele é ainda mais enfático no fim desse tipo de atendimento, reforçando que “entendemos que, para viabilizar esse novo fluxo de atendimento, será necessário abrir mão da habilitação da RUE (Rede de Urgência e Emergência) no seu componente Porta de Entrada Hospitalar de Urgência – Tipo II, com todas as suas implicações financeiras, bem como, aprovação na Comissão Intergestores Biparte (CIB)”.

Sobre o “novo fluxo”, os documentos citam que se trata de redução de equipes em pronto atendimento, sendo que “os excedentes serão remanejados para reabrir os leitos bloqueados, além de complementar inúmeras escalas defasadas em todas as unidades assistenciais do hospital, garantindo, assim, o funcionamento dos 210 leitos de internação do hospital, permitindo também o planejamento e execução de cirurgias eletivas de média e alta complexidade, procedimentos terapêtiucos e de diagnóstico nas unidades de Imagem e Serviço de Hemodinâmica”.

A Sesau chegou a sugerir alterações, todas rejeitadas pelo Humap, já que a primeira pedia a manutenção da situação como está, com apenas 18 encaminhamentos de urgência e emergência – conforme limite do PAM – e o segundo que a situação seja mantida até janeiro do ano que vem. Uma terceira proposta foi de retirar habilitações de atendimento do hospital, o que também foi negado.

Foto: Reprodução inquérito
Foto: Reprodução inquérito

“Nos termos da terceira proposta (...), a Secretaria de Saúde informou que adotará algumas medidas, dentre elas, a realocação da habilitação da Alta Complexidade Cardiovascular e da Linha de Cuidado de AVC Agudo para outra porta de entrada hospitalar”, mas segundo o Humap, a “desabilitação da linha cardiovascular e da linha do paciente portador de AVC do Humap-UFMS/Ebserh, além de estar sujeita a barreiras legais que podem inviabilizar a concretude de sua efetivação, acarretaria prejuízo incalculável tanto para a população de Mato Grosso do Sul, como também para a formação de médicos generalistas e especialistas”.

Transição – Assim, mediado pelos MPs, Sesau e Hospital Universitário chegaram a acordo em reunião em 14 de junho, sendo que, ficou definido que a unidade vai atender urgências e emergências até 31 de janeiro do ano que vem, “com vistas a viabilizar a transição e exclusão definitiva do componente da RUE (Rede de Urgência e Emergência)”.

Também serão mantidos os incentivos repassados ao hospital até o encerramento da transição e o limite de 18 atendimentos por dia, sem incluir pacientes com AVC (Acidente Vascular Cerebral). Tratativas para novo convênio devem ocorrer outubro, com assinatura prevista para 30 do mesmo mês.

Em nota, a Sesau informou que apenas o Humap pode comentar sobre a transição. A reportagem tentou conversar com o hospital, que não quis comentar a situação.

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