Um som pungente corta o ar, o berrante através da história
O uso de instrumentos de sopro feitos de chifres de animais, precursores do que hoje conhecemos como berrante, existiu na Mesopotâmia, aquela região entre o Irã, Iraque e Síria. As áreas vizinhas como o Egito e Israel também tiveram seus “berrantes”. Eram usados principalmente para fins religiosos e militares, talvez para o pastoreio de vacas, carneiros e cabritos, mas essa é apenas uma hipótese. Os mesopotâmicos e egípcios os construíam com chifres, marfim e junco. Os ainda famosos são os dos judeus - “shofar”- usados em cerimonias solenes.
A “Buccina” romana.
Os romanos melhoraram esse instrumento. A “Buccina” era um chifre ou trombeta de metal utilizada na troca de turnos dos soldados romanos e para anunciar a hora das refeições. No campo de batalha, usavam outro instrumento de sopro - o “Cornu”. Um grande instrumento de metal, com cerca de três metros, apoiado no ombro, para transmitir ordens do comandante durante as batalhas e marchas.
O berrante: europeu ou africano?
Existem poucas informações sobre o inicio do uso do berrante no Brasil. As poucas existentes nos dizem sobre seu uso inicial nos rituais africanos, trazidos pelos escravos. Era um instrumento chamado “Boiuã”. Mário de Andrade nos legou a versão europeia. Conta que o berrante surgiu no Brasil por causa de questões financeiras. Diz Andrade: “com a dificuldade monetária e comercial de se adquirir trompas de caça como as da Europa, o caçador [brasileiro] fez o berrante".
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