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Construindo a Nação Solidária: A Educação como Alicerce da Fraternidade Nacional

Por Carlos Alberto Rezende (*) | 04/02/2026 08:00
Construindo a Nação Solidária: A Educação como Alicerce da Fraternidade Nacional

Abordo humildemente o papel central da educação na formação de uma nação solidária e fraterna, sugerindo um modelo integrado que envolve sistemas formais, práticas sociais e transformações culturais.

Em um mundo marcado por polarizações, desigualdades crescentes e fragmentação social, a construção de nações solidárias e fraternas emerge não apenas como ideal ético, mas como imperativo para a sustentabilidade das democracias e o bem-estar coletivo. A educação, em seu sentido mais amplo, configura-se como ferramenta primordial nesta construção, transcendendo sua função tradicional de transmissão de conhecimentos para assumir papel ativo na formação de cidadãos conscientes, empáticos e comprometidos com o bem comum.

O currículo escolar precisa superar a dicotomia entre "conteúdo acadêmico" e "formação humana". Integração transversal de valores: Ética, cidadania e responsabilidade social não como disciplinas isoladas, mas como dimensões presentes em todas as áreas do conhecimento.

A substituição de modelos excessivamente competitivos por metodologias que valorizem o trabalho colaborativo e a interdependência positiva e a inclusão obrigatória da educação física escolar. Uma educação histórica crítica, abordando com destaque movimentos solidários, lutas coletivas por direitos e a construção social da nação em suas múltiplas vozes.

A instituição escolar deve ser laboratório vivo de convivência solidária, com participação efetiva de estudantes, educadores e comunidade nas decisões escolares. Implementar práticas restaurativas e círculos de diálogo, com projetos de intervenção comunitária.

A socialização primária precisa ser intencionalmente cultivada para desenvolver:

- Empatia ativa: Capacidade de reconhecer e responder ao sofrimento alheio.
- Responsabilidade coletiva: Compreensão de que o bem individual está vinculado ao bem comum.
- Cultura do cuidado: Práticas cotidianas de atenção às necessidades dos outros.
- Convergência de setores: Educação, saúde, assistência social e cultura articulados em torno do desenvolvimento humano integral.
- Equidade como princípio: Políticas que combatam desigualdades estruturais que impedem a fraternidade genuína.
- Participação cidadã: Mecanismos institucionais que garantam voz ativa aos diversos segmentos sociais.

A educação para solidariedade enfrenta desafios complexos:
- Individualismo competitivo: Valores sociais hegemônicos que premiam competição exacerbada em detrimento da cooperação, corroborada pela falta da educação física escolar, que trabalha muito a competitividade com lealdade e respeito.
- Desigualdades históricas: Fraturas sociais que dificultam identificação e solidariedade entre grupos diversos.
- Instantaneidade vs. Processo: Expectativa por resultados rápidos em transformações que requerem gerações.

Há risco de transformar a solidariedade em mero conteúdo a ser "ensinado" ou exigido, esvaziando seu caráter voluntário e autêntico. A verdadeira educação para fraternidade deve cultivar motivação intrínseca, não conformidade externa. Formação docente continuada: Preparar educadores para atuar como facilitadores de convivência solidária.Redes de escolas-comunidade: Criar ecossistemas locais de aprendizagem e ação colaborativa.

Indicadores de convivência: Desenvolver métricas que avaliem qualidade das relações, não apenas desempenho acadêmico. Revisão dos sistemas de avaliação: Que valorizem competências colaborativas e contribuição comunitária. Arquitetura educativa inclusiva: Espaços físicos que favoreçam encontro, diálogo e cooperação.

Narrativas públicas alternativas: Mídia e cultura que celebrem exemplos de solidariedade e construção coletiva. Construir uma nação solidária e fraterna é projeto civilizatório que requer o que poderíamos chamar de "urgência paciente": Ação decidida e imediata combinada com compreensão de que se trata de transformação cultural profunda, medida em décadas, não em ciclos políticos.

A educação, em seu sentido mais amplo e transformador, oferece não apenas caminho, mas também o próprio processo de construção dessa nação. Cada sala de aula que se torna espaço de diálogo genuíno, cada projeto comunitário que tece novas relações, cada política pública que prioriza os mais vulneráveis - todos são simultaneamente meio e manifestação da nação solidária que desejamos criar. Esta construção não é utopia ingênua, mas necessidade prática em mundo interconectado onde nossos destinos são indissociavelmente vinculados. A educação para solidariedade é, em última análise, educação para nossa própria humanidade compartilhada.