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Capital

Ignorando pedestres, construtoras transformam calçadas em canteiros de obras

Com calçadas obstruídas, pedestres se arriscam e disputam espaço com montes de entulho e veículos

Por Clayton Neves | 28/06/2022 16:19
Idosa se aproxima de trecho interditado na Avenida Afonso Pena. (Foto: Kísie Ainoã)
Idosa se aproxima de trecho interditado na Avenida Afonso Pena. (Foto: Kísie Ainoã)

Ignorando regras que rendem multas de até R$ 2,7 mil, construtoras transformaram ruas de Campo Grande em canteiros de obras. Com calçadas obstruídas em diversas regiões, pedestres se arriscam entre veículos e disputam espaço com montes de entulhos e maquinários até na principal avenidade de Campo Grande, a Afonso Pena.

Hmais de dois meses, amigas disputam espaço com restos de obra na Rua Bahia ao seguir para o trabalho. (Foto: Kísie Ainoã)
Hmais de dois meses, amigas disputam espaço com restos de obra na Rua Bahia ao seguir para o trabalho. (Foto: Kísie Ainoã)

Há mais de dois meses, o cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Bahia é sinônimo de transtorno. Na tarde desta terça-feira (28), equipe do Campo Grande News flagrou movimentação de um trator e um caminhão bloqueando totalmente a circulação na área onde, inclusive, existe piso tátil para pessoas com deficiência visual.

Durante o dia, até mesmo o banheiro químico usado pelos trabalhadores da obra estava sobre a calçada por onde deveriam circular pessoas. “É uma situação que incomoda e obriga todo mundo a ter de desviar”, comenta Nilton dos Reis Borges, de 74 anos, que tem uma loja próxima ao cruzamento.

Na Rua da Paz, calçada ficou tomada por entulhos de construção. (Foto: Kísie Ainoã)
Na Rua da Paz, calçada ficou tomada por entulhos de construção. (Foto: Kísie Ainoã)

Sem outra alternativa, quem precisa passar diariamente pelo local tem de aprender a conviver com os riscos. Uma das opções é enfrentar o trânsito intenso e caminhar às margens do asfalto, por onde também circulam carros e motos.

“É muito complicado porque a rua é estreita e perigosa. Outro dia eu estava passando, um trator não me viu, e veio para cima. Foi um susto”, comenta a atendente de telemarketing Maria Eduarda Costa, de 20 anos.

Trabalhadores em calçada na Rua da Paz. (Foto: Clayton Neves)
Trabalhadores em calçada na Rua da Paz. (Foto: Clayton Neves)


Amiga dela, Jackellyne Maciel , de 26 anos, também trabalha na região e lembra que nos dias chuvosos a situação é ainda pior. “Tudo fica tomado de barro. Na última chuva sujei todo o piso  branco do escritório porque pisei no barro”,comenta.

Perto dalí, construção de um prédio na Rua da Paz é outro problema e impede o ir e vir de pedestres. Na calçada, materiais para construção, pedaços de madeira e muito entulho. Para desviar, moradores precisam invadir a pista, que também tem espaço tomado pelo entra e sai de caminhões, “Tá horrível e a gente precisa desviar. Não tem como passar. Espero que quando essa obra terminar deixem tudo mais bonito pelo menos”, comenta a aposentada Maria Aparecida do Nascimento, de 70 anos.

Na Rua Franklin Roosevelt, caminhões e entulho impdem circulação de pedestres. (Foto: Clayton Neves)
Na Rua Franklin Roosevelt, caminhões e entulho impdem circulação de pedestres. (Foto: Clayton Neves)

No cruzamento das ruas rua Franklin Roosevelt e 15 de Novembro, restos de construção e três caminhões de uma obra bloqueavam a calçada e parte de uma das pistas. Para quem trabalha na região, todo dia é uma reclamação diferente.

“Todo mundo reclama porque não dá para passar e é inevitável ter que desviar. Essa situação já está assim há uns dois meses e cada vez fecha um pedaço. Éhorrível e aumenta o trajeto”, relata uma auxiliar de serviços gerais, de 40 anos.

É proibido - Diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Janine de Lima Bruno, explica que, pela regra, a calçada de uma rua nunca pode ficar bloqueada. “Seja com qualquer detrito, caçamba, material para construção ou máquinas. A calçada nunca pode ser bloqueada”, afirma.

De acordo com ele, denúncias podem ser feitas à Prefeitura pelo telefone 156. “Se tem denúncia, a equipe vai até o local e aplica a sanção de acordo com a Lei e com o problema que está alí”, completa.

“Se a obstrução não oferecer risco a quem circula é emitida uma notificação. Agora, se o auditor avaliar que oferece algum risco ou tiver um volume que não justifique que se dê um prazo para a retirada, é gerada a multa na hora.”, informou a assessoria de comunicação da Prefeitura.

O valor da  multa neste caso pode variar de R$545,50 a R$2.727,50

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