A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

29/08/2012 18:38

Juiz manda a júri popular filho de policial que matou servidor público

Nadyenka Castro

Rapaz responde por homicídio doloso simples. Ele alega que disparo do tiro foi acidental

Guilherme, acusado de homicídio doloso, em junho do ano passado, quando foi interrogado. (Foto: Simão Nogueira)Guilherme, acusado de homicídio doloso, em junho do ano passado, quando foi interrogado. (Foto: Simão Nogueira)

O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, mandou a júri popular Guilherme Henrique Santana de Andrea, por homicídio doloso simples, pela morte do servidor público estadual Ítalo Marcelo de Brito Nogueira, ocorrida em 4 de junho de 2010, em Campo Grande. O julgamento ainda não foi marcado, mas a previsão é que seja realizado na segunda quinzena de outubro.

Guilherme é filho do investigador de Polícia Civil Wladimir de Andrea e a arma de onde saiu o tiro pertence à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e estava cautelada ao policial, que na época era lotado na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

O rapaz participava com o pai e amigos – entre eles Ítalo -, de uma festa que era realizada em uma residência do bairro Piratininga. Em um determinado momento, Guilherme pegou a espingarda calibre 12 que estava na viatura policial descaracterizada, entrou na casa e houve o tiro, que atingiu Ítalo.

Na versão do acusado, o tiro foi acidental. Segundo ele, a pedido do pai, pegou a arma para guardá-la em local mais seguro, pois várias pessoas entravam e saíam da viatura, que estava com o som ligado. Conforme Guilherme, após pegar a espingarda, Ítalo se aproximou com o objetivo de mexer na arma, eles se abraçaram e houve o disparo.

A defesa pediu a desclassificação de homicídio doloso para homicídio culposo (sem intenção de matar).

Já para a acusação, o disparo ocorreu quando Guilherme fazia brincadeiras com a espingarda, depois de ter ingerido bebidas alcoólicas e ser alertado que a arma estava municiada.

O juiz responsável pelo caso entendeu que “há indícios de que o réu foi ao veículo para pegar a espingarda e ao invés de ir guardá-la em local mais seguro, passou a ‘brincar’, apontando-a na direção de Ítalo e de outras pessoas que ali estavam, quando a vítima se aproximou dele e o disparo ocorreu”. Assim, pronunciou o réu.

Sobre a tese da defesa pela desclassificação para homicídio culposo, o magistrado explicou que cabe ao Conselho de Sentença apreciar e dizer se o acusado agiu com dolo ou culpa. Guilherme aguarda o julgamento em liberdade.

Ítalo era servidor do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e cursava Direito na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).



Quero parabenizar ao Magistrado, Meritíssimo juiz Aluizio Pereira dos Santos. Não creio que o disparo tenha sido intencional, mas sou convicto de que o Guilherme sabia muito bem que a arma estava municiada e assumiu o risco de que o disparo ocorresse, o que de fato veio a acontecer, tirando-nos do convívio uma pessoa maravilhosa que tinha muito para nos alegrar e contribuir para a nossa sociedade.
 
Giovanni do Prado Azevedo em 29/08/2012 07:46:46
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions