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Capital

Justiça concede liberdade provisória para policial que matou empresário

Por Nyelder Rodrigues | 01/01/2017 23:45
Ricardo acertou três tiros e matou o empresário na manhã de ontem (Foto: Simão Nogueira/Arquivo)
Ricardo acertou três tiros e matou o empresário na manhã de ontem (Foto: Simão Nogueira/Arquivo)

Foi concedida neste domingo (1) a liberdade provisória do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Sun Moon, de 46 anos, e que matou com três tiros o empresário Adriano Correia do Nascimento, de 33 anos, após uma suposta fechada no trânsito, na avenida Ernesto Geisel, após Adriano desviar de um buraco.

O crime aconteceu no sábado (31) pela manhã, sendo que Ricardo foi detido em flagrante após se apresentar à Polícia Civil. Porém, foi pedida a conversão da prisão em preventiva à Justiça. Porém, o juiz de plantão, apesar de homologar a prisão em flagrante, não concedeu a preventiva, o que coloca Ricardo em liberdade.

"Apesar de o delito atribuído ao custodiado haver causado certo clamor público, especialmente pelo fato de uma das vítimas ser empresário conhecido nesta Comarca, a jurisprudência pátria, há muito firmou o entendimento no sentido de que o clamor ou a comoção social não constituem, por si só, fundamento idôneos para autorizar a prisão preventiva", explica a decisão.

Além disso, o juiz José de Andrade Neto frisou que Ricardo não tem antecedentes criminais e possui endereço e emprego fixo, não existindo qualquer indício de que, sendo colocado em liberdade, ele poderá vir a colocar em risco a "ondem pública, a instrução criminal ou mesmo a aplicação da lei penal".

Medidas de restritivas - Entretanto, o juiz impôs restrições à Ricardo, como o recolhimento domiciliar no período noturno, devendo permanecer em casa das 22h às 6h do dia seguinte, proibição de sair do Brasil e de portas arma de fogo, além de ser suspenso das atividades como agente da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

"Os autos revelam que ele teria abordado o condutor de veículo automotor dentro da cidade, fora de rodovia federal, praticando um ato que estaria absolutamente fora de sua competência funcional", frisa o juiz na decisão.

Ele ainda acrescenta que a dinâmica do crime revela "até mesmo certo despreparo emocional do custodia para o exercício da atividade policial", já que o motivo dos disparos foi uma discussão de trânsito que resultou em sete disparos feitos por Ricardo, o que evidencia "excedo de agir e a falta de habilidade técnica para lidar com a situação".

Passado na polícia - Ricardo, que é da Coreia do Sul e se naturalizou brasileiro em 2010, entrou na PRF em fevereiro de 2016. Segundo colegas, ele demonstrava habilidade no manuseio de armas, já teria tido treinamento no serviço militar obrigatório sul-coreano e também é ex-policial civil do Estado de São Paulo.

Ele iniciou a carreira policial em 2014, quando foi nomeado agente policial. Em Mogi-Guaçu, chegou a receber elogio oficial do Delegado Geral após uma ocorrência que resultou na prisão de traficante e apreensão de carga de drogas na cidade paulista. Ricardo também já participou de competições de tiro defensivo e fuzil esportivo.

Crime - Ricardo conduzia um Mitsubishi Pajero e disparou contra uma Hilux, conduzida pelo empresário Adriano Correia, dono da Sushi Express. A vítima foi atingida no pescoço, perdeu o controle da direção e o veículo derrubou um poste de iluminação pública. Ele morreu no local.

Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, e o filho de 17 anos, também foram feridos, mas passam bem. As vítimas continuam na Santa Casa, já fora do atendimento emergencial, e também devem ser ouvidas pela polícia.

O policial rodoviário federal ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo detido em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF. O caso ainda está sob investigação.

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