Justiça mantém prisão de policial militar alvo de operação do Gaeco
A defesa afirma que a inocência do servidor da segurança será provada
Alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o policial Thiego Rodrigues Vianna, de 40 anos, passou por audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (dia 29) e vai seguir preso no PME (Presídio Militar Estadual), em Campo Grande.
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O cabo teve mandado de prisão preventiva decretado na Operação Janus, deflagrada ontem (dia 25) contra policiais que seriam “parceiros” de traficantes em Ribas do Rio Pardo, a 98 km de Campo Grande. A cidade vive grande expansão com a cadeia de produção da celulose, com migração do tráfico em busca do mercado consumidor.
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Conforme o Portal da Transparência do governo de Mato Grosso do Sul, ele tem remuneração de R$ 7.829,96. Em 2024, o policial foi designado para comandante de equipe na 13ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar), em Ribas do Rio Pardo.
Em janeiro deste ano, a PM (Polícia Militar) publicou portaria que o dispensava da função, com efeito retroativo a 16 de dezembro de 2025.
O advogado Conrado Lacerda, que atua na defesa do servidor, afirma que ainda não teve acesso ao processo, mas a inocência do policial será provada.
“Em conversa com o investigado, este demonstrou-se surpreso e assustado com o ocorrido, posto que sempre foi solícito ao Ministério Público quando requerido. Ademais, a defesa não teve acesso a integralidade dos autos, mas, desde já, esclarece não serem verídicas as acusações e comprovará a sua inocência ao final do presente procedimento”, informa nota da defesa.
A operação também prendeu o segundo sargento Marcos Augusto Barbosa e o cabo Hudson Luiz Garajo Ferreira.
A partir de denúncias apresentadas à Promotoria de Justiça de Ribas do Rio Pardo, a investigação revelou que alguns policiais militares se uniram a traficantes locais para o comércio ilícito de entorpecentes.
O trabalho investigativo, que perdurou por 14 meses, demonstrou que os agentes públicos protegiam os criminosos com os quais firmavam parceria, permitindo que comercializassem drogas livremente e até chegavam a usar violência contra inimigos desses traficantes parceiros.
Além disso, forneciam drogas para que esses comparsas revendessem, com posterior repasse de lucros. As drogas chegavam a ser desviadas de apreensões realizadas em flagrante, inclusive após informações repassadas pelos próprios “sócios”.
Também foi apurado que alguns policiais militares investigados atuavam na prática ilícita da agiotagem e na cobrança de dívidas entre terceiros, quando eram contratados para empregar ameaças contra os devedores, valendo-se da condição de servidores da segurança pública.
A operação cumpriu quatro mandados judiciais de prisão preventiva e 11 de busca nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. A ação teve apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado.
Ontem, a PM informou a abertura de procedimentos administrativos internos para apurar a suspeita de participação no tráfico de drogas e em esquema de agiotagem.
Nome da operação, Janus faz referência ao deus romano de duas faces, o que simboliza a inversão de papéis verificada na investigação.
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