Mãe e filha se reencontram 43 anos após sequestro em hotel de Campo Grande
Buscas envolveram polícia, jornais, programas de TV e chegaram ao fim nas redes sociais
Mara Cristina Falcão da Silva nasceu, cresceu, mudou-se, voltou e deixou novamente Campo Grande, cidade da qual ainda gosta muito, apesar de ser o lugar onde foi separada de sua primeira filha.
RESUMO
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A mulher engravidou da primogênita Michelle quando tinha 19 anos e morava com os pais num apartamento em São Paulo (SP). O pai da criança se recusou a assumir e houve um desentendimento entre Mara e a mãe, que levou à decisão da jovem sair de casa com o bebê e dormir nos fundos de uma lanchonete.
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A filha era cuidada num carrinho enquanto Mara trabalhava no comércio. Com o pretexto de ajudar, uma cliente que se identificou como Cláudia acabou se aproximando das duas e foi convidada para ser madrinha da menina, meses depois.
Mara lembra que estava vulnerável, longe da família e que confiou na mulher pelo carinho que demonstrava. Até deixava a criança dormir na casa de Cláudia de vez em quando, porém, estranhou quando ela começou a chamar Michelle de filha.
Em 1982, decidiu voltar para Campo Grande, onde se casou, teve mais dois filhos e começou a trabalhar numa creche. Após a mudança, Cláudia disse que viajaria para visitar a afilhada e a mãe concordou.
A madrinha ficou num hotel próximo à antiga rodoviária da Capital, justificando que a casa de Mara e do marido era pequena para recebê-la. Pediu permissão para passear e levar Michele para dormir no quarto onde estava hospedada.
A mãe deixou, sem imaginar que não veria mais a filha, sequestrada pela madrinha quando tinha apenas dois anos e meio.
Buscas - "Avisei a polícia, fiz boletim de ocorrência. Disseram que iriam investigar, mas não me deram retorno. Voltei para São Paulo em definitivo, onde eu poderia encontrar pistas. Só que também não consegui", conta a mãe.

Anos mais tarde, ela recebeu informações sobre a família do então marido de Cláudia e chegou a procurar pessoalmente por eles no interior de Pernambuco, sem sucesso.
Chegou ainda a recorrer a jornais e a programas de TV como o "Domingão do Faustão" e "Domingo Legal" para tentar achá-la. "Enviava as fotos por carta para mostrarem o rosto dela e acabei até ficando sem essas fotos da minha filha, perdi", diz.
Redes sociais - Mara não desistiu até encontrá-la. Um post no Facebook em que ela pede ajuda para encontrar a filha levada pela madrinha sem o seu consentimento, chegou até a voluntária de buscas de pessoas desaparecidas, Pollyana Paulino.
Em cerca de duas horas, a voluntária reuniu todos os dados que a mãe informou e conseguiu localizar Michele pela internet. A menina hoje carrega na certidão o nome de Michelle Américo da Silva e mora em Santa Catarina.
Segundo relatou a vítima do sequestro, Cláudia chamava-se, na verdade, Claudenir. Ela morreu há 14 anos sem admitir o crime.
Michelle também contou que saiu da casa da família adotiva, um lar sem amor onde era constantemente agredida, quando tinha só 13 anos. Sabia que não era filha biológica de Claudenir e ouviu que havia sido "doada" por uma mulher que não tinha condições financeiras de criá-la.
Reencontro - As duas se reencontraram às 11h da última sexta-feira (10), numa praça de São Paulo (SP). Elas se emocionaram bastante, passaram dias juntas num hotel e não querem mais se separar. Foram 43 longos anos longe uma da outra.
"Nossos planos daqui em diante é seguir em frente. Tentar resgatar o tempo perdido e nunca mais nos desencontrarmos", fala a mãe.
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