ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, TERÇA  16    CAMPO GRANDE 22º

Capital

Médico investigado por fraude na saúde tinha R$ 222 mil em “dinheiro vivo”

Grupo ainda inclui mais dois especialistas, uma advogada e um policial aposentado

Por Aline dos Santos | 16/06/2026 12:42
Médico investigado por fraude na saúde tinha R$ 222 mil em “dinheiro vivo”
Opreação apreendeu R$ 222.050,00 em espécie na casa de médico. (Foto: Divulgação/PCMS)

A Operação “Neuro Complexus", deflagrada nesta terça-feira (dia 16) pela Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção), apreendeu R$ 222.050,00 em espécie na residência de um dos médicos investigados. Os nomes dos alvos não foram divulgados.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Operação Neuro Complexus, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apreendeu R$ 222 mil em espécie e apura um esquema de desvio de R$ 6,5 milhões via fraudes em neurocirurgias judicializadas, envolvendo três médicos, uma advogada e um policial civil aposentado. O grupo superfaturava orçamentos em até 70% e usava ações judiciais para bloquear verbas públicas. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão.

De acordo com o delegado Alexandro Mendes de Araújo, titular da Deccor, o grupo suspeito de desviar R$ 6,5 milhões com as fraudes na judicialização das neurocirurgias é dividido em três núcleos: médico, jurídico e interlocutor.

O primeiro núcleo envolve três médicos especialistas em neurocirurgias, procedimentos de alta complexidade. Eles atuavam na elaboração de orçamentos, realização dos procedimentos e recebimento dos recursos públicos. Contudo, os valores apresentados por esses profissionais eram até 70% maior do que os praticados por outros médicos.

No núcleo jurídico, foi constatado que, a partir de 2022, ao menos 40 ações foram apresentadas pela mesma advogada com pedidos de bloqueio de verbas públicas na Justiça para a realização de neurocirurgias consideradas urgentes.

A ponte entre os médicos e a advogada ficava a cargo de um policial civil aposentado. Ele já foi lotado na PGE (Procuradoria-Geral do Estado). Um dos médicos investigados tem consultório/escritório no Condomínio The Place, localizado na Avenida Afonso Pena, Bairro Santa Fé, em Campo Grande.

Esquema – Os pacientes entravam com as ações contra o Estado diante da necessidade de fazer a neurocirurgia. A partir daí, a engrenagem criminosa se articulava para fraudar os cofres públicos.

Os médicos suspeitos combinavam os orçamentos superfaturados, posteriormente, as empresas ligadas a esses profissionais eram beneficiadas.

“O relatório do Núcleo Estratégico da Procuradoria da Saúde, da PGE, identificou 40 ações consideradas suspeitas por terem o mesmo padrão, com orçamentos de alto de valor e que fogem do padrão do mercado. Eram 50%, 70% a mais. O que trazia essa vantagem econômica indevida, frustrava o caráter competitivo e induzia a Justiça a erro. Os fatos apurados em si são gravíssimos. São R$ 6,5 milhões em 40 casos analisados. Valor que poderia contribuir para saúde básica da população”, afirma o delegado.

Após cerca de um ano e meio de investigação, a Polícia Civil apurou que o grupo investigado utilizava ações judiciais para obter decisões determinando o bloqueio de recursos públicos destinados ao pagamento de cirurgias e procedimentos médicos com valores superiores aos praticados no mercado.

A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário. Com o material recolhido nesta terça-feira, a investigação vai avançar sobre o crime de lavagem de dinheiro, a forma encontrada pelos suspeitos para ocultar a origem ilícita do patrimônio.

Já foram verificadas muitas movimentações em espécie entre empresas e os alvos. “Com um acervo probatório que confirme as suspeitas, o próximo passo é a recomposição dos cofres públicos lesado por essas práticas”, diz o titular da Deccor.

Médico investigado por fraude na saúde tinha R$ 222 mil em “dinheiro vivo”
Viatura da Polícia Civil em frente ao The Place, na Afonso Pena. (Foto: Divulgação | PCMS)

A operação contou com o apoio das equipes da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro), Decco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) e da Derf (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos). No caso da investigada advogada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil).

O nome da operação faz referência à elevada complexidade dos procedimentos médicos investigados, especialmente neurocirurgias, bem como à estrutura que teria sido articulada entre os envolvidos para obtenção indevida de recursos públicos por meio da judicialização da saúde.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.