ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JULHO, QUARTA  15    CAMPO GRANDE 26º

Capital

Motoristas ignoram sinalização e cegos precisam embarcar no meio da rua

Veículos sem credencial ocupam áreas reservadas e obriga embarque sob risco

Por Inez Nazira e Geniffer Valeriano | 15/07/2026 17:11
Motoristas ignoram sinalização e cegos precisam embarcar no meio da rua
Fora do horário de pico as vagas são respeitadas pelos motoristas (Foto: Victória Costacurta)

Uma reclamação antiga do ISMAC (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florivaldo Vargas), na região central de Campo Grande, continua fazendo parte da rotina de pacientes e funcionários. Apesar de melhorias implantadas pela Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), como a criação de uma área exclusiva para embarque e desembarque, motoristas seguem desrespeitando a sinalização e ocupando vagas destinadas às pessoas com deficiência.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos, em Campo Grande, enfrenta problema recorrente com motoristas que estacionam irregularmente nas vagas reservadas para pessoas com deficiência. Apesar de melhorias feitas pela Agetran, como área exclusiva de embarque, a situação persiste nos horários de pico. O instituto realiza 1,7 mil atendimentos mensais e alerta para o risco de acidentes com pacientes cegos obrigados a embarcar no meio da rua.

A situação já havia sido mostrada pelo Campo Grande News em reportagem publicada em 2023. Já na época, a instituição denunciava que pacientes precisavam acessar o prédio em meio ao trânsito porque motoristas estacionavam irregularmente nas vagas reservadas.

Agora, a vice-presidente do Ismac, Astrogilda Maria José, que também é deficiente visual, reconhece que houve avanços, mas afirma que o problema persiste por falta de conscientização.

"Felizmente, a Agetran pintou para a gente uma vaga grande de embarque e desembarque, principalmente para beneficiar o pessoal que vem do interior. Nós atendemos pessoas do Estado inteiro e, antes, os ônibus eram obrigados a parar em fila dupla. Melhorou muito, eles nos atenderam, mas infelizmente falta consciência da população", afirma.

Motoristas ignoram sinalização e cegos precisam embarcar no meio da rua
Placas em frente ao instituto indicam aos modotoristas a necessidade de estacionar com a credencial (Foto: Victória Costacurta)

Segundo ela, além da nova área de embarque, ainda há motoristas que estacionam em frente à instituição e nas vagas reservadas sem qualquer identificação que autorize o uso. Os horários de maior transtorno coincidem justamente com os períodos de maior movimento no instituto.

"O pior momento é entre 7h e 8h30, ao meio-dia e depois das 16h30, quando os pais vão deixar ou buscar os filhos nas escolas próximas. Eles param tanto na frente da instituição quanto nas vagas reservadas, sem nenhuma credencial de pessoa com deficiência".

De acordo com Astrogilda, esses mesmos horários são os momentos em que os pacientes chegam para atendimento. Muitos utilizam carros de aplicativo ou transporte da saúde e acabam sendo obrigados a embarcar e desembarcar em fila dupla porque a vaga exclusiva está ocupada irregularmente.

"O motorista precisa parar no meio da rua, e a pessoa embarca praticamente na via. A vaga de embarque e desembarque é para permanência de até 15 minutos, mas muita gente simplesmente estaciona e vai embora".

Motoristas ignoram sinalização e cegos precisam embarcar no meio da rua
A vice-presidente do Ismac pontua que as pessoas precisam ter mais conscientização sobre a questão (Foto:Victória Costacurta)

O Ismac realiza, em média, 1,7 mil atendimentos por mês e recebe cerca de 100 pacientes por dia. O público é formado por pessoas cegas e com baixa visão, o que aumenta os riscos provocados pelo desrespeito às vagas.

"O risco é de atropelamento e acidentes. Quando o transporte da saúde para na fila dupla, a pessoa precisa embarcar no meio da rua. Felizmente nunca tivemos um acidente, porque os motoristas ajudam e nossos profissionais também auxiliam quando necessário. Mas a gente não precisa esperar acontecer para tomar consciência".

Para a vice-presidente, o problema vai além da fiscalização e depende da mudança de comportamento dos motoristas. “É uma questão de conscientização. Assim como nos supermercados, as vagas ficam próximas da entrada para facilitar o acesso de quem tem deficiência. Isso precisa ser respeitado em todos os lugares. Essas vagas existem porque as pessoas têm limitações de mobilidade, sejam deficientes físicos, visuais ou até famílias de pessoas autistas. É preciso pensar no próximo.”

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.