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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

20/07/2012 10:49

Na delegacia, o desabafo do pai que, de novo, vê o filho fazendo "coisa errada"

Paula Vitorino
William Fernandes da Costa, de 21 anos, na delegacia. (Foto: Simão Nogueira)William Fernandes da Costa, de 21 anos, na delegacia. (Foto: Simão Nogueira)

Na 2ª Delegacia de Polícia Civil, mais uma vez o pai Assis Vieira da Costa, de 54 anos, acompanha o filho. Dessa vez, o rapaz é acusado de ter fornecido a arma para o assassinato de Diego Masiero Coelho, de 26, na tarde do dia 8, no Jardim Presidente.

O acusado, William Fernandes da Costa, de 21 anos, se apresentou hoje na Delegacia acompanhado do advogado e do pai. Ele alega não saber da arma, mas a Polícia afirma que todas as testemunhas apontam ele como proprietário.

Na tentativa de resolver o impasse, o pai chama o filho para mais uma conversa, mas que termina sem solução. William nega e o pai não sabe o que fazer.

Assis conta que o sofrimento por conta do rapaz começou quando ele ainda era uma criança, com 12 anos. O motivo foi envolvimento com drogas, que resultou em diversas passagens pela Polícia.

William já foi preso por furtos e posse ilegal de arma. Passou pela Unei e o presídio de Segurança Máxima. Em liberdade há cerca de 9 meses, o jovem voltou ao crime para sustentar o vício.

“Você sabe como é esse povo que usa drogas, a cabeça não responde mais, não tem forças pra trabalhar, pra seguir em frente”, desabafa.

Em casa, o jovem é o único com ficha suja. O pai está aposentado por invalidez há cerca de 6 anos após passar por cirurgia no coração - ele trabalhava como caminhoneiro. A mãe é analfabeta e faz alguns bicos como faxineira e lavadeira para ajudar na renda de casa.

“Eu que acompanha mais ele nessas coisas de Justiça. A minha mulher é analfabeta e não pode pegar muito ônibus”, diz.

O casal ainda tem mais duas filhas, sendo que uma já é casada e a outra ainda mora em casa, mas seguiu uma carreira para ajudar no futuro de outras crianças: é professora.

Com jeito humilde, o pai conta que a droga, o filho e as más companhias andam juntos. “Pessoa que é envolvida com droga sempre tem um tranqueira batendo em casa atrás”, diz.

O jovem já foi internado para se livrar do vício na adolescência, ficou 8 meses no Hospital Regional Rosa Pedrossian, mas alguns depois do tratamento voltou para as drogas.

“Se eu tivesse condições ia construir um quartinho e falar pro meu filho que podia usar as coisas dele lá, mas só não se envolvesse com coisa errada, com crime”, desabafa.

Caso - O delegado Weber Luciano Medeiros diz que vai pedir a prisão preventiva do jovem por envolvimento no crime.

Já estão presos pelo mesmo crime Leonardo Souza, de 18 anos, e Fábio Farias, 35. Um quarto rapaz, com o nome de Caio, ainda é procurado pela Polícia.

Segundo as investigações, Leonardo foi quem deu uma facada e disparou os tiros contra a vítima. Diego foi esfaqueado e depois perseguido até entrar na casa de uma família que fazia churrasco e estava com o portão aberto.

O autor continuou atrás de Diego dentro da casa e disparou os tiros. A vítima caiu morta na porta do banheiro.

O motivo da perseguição, segundo os envolvidos, foi uma discussão durante o jogo do Corinthians pela final da Libertadores, na quarta-feira (4) anterior ao crime.

A esposa e a irmã de um dos envolvidos teria passado em frente ao local que a vítima e amigos estavam. Os rapazes mexeram com as garotas, mas depois o marido e os amigos foram acertar as contas.



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