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Capital

“Não vale uma bala”, diz Name ao ser perguntando se mandou matar PM

Durante uma hora e meia, empresário foi ouvido sobre execução que vitimou filho de policial

Por Anahi Zurutuza | 29/07/2020 18:44
Jamil Name, na sala de videoconferência do Presídio Federal de Mossoró (RN), durante audiência sobre o assassinato de Matheus Coutinho Xavier (Foto: Reprodução) 
Jamil Name, na sala de videoconferência do Presídio Federal de Mossoró (RN), durante audiência sobre o assassinato de Matheus Coutinho Xavier (Foto: Reprodução)

Em audiência na tarde desta quarta-feira (29), o empresário Jamil Name negou com veemência ter sido o mandante do assassino de Paulo Roberto Teixeira Xavier, execução essa que, por engano, segundo a acusação, vitimou o filho do capitão reformado da PM (Polícia Militar), o estudante Matheus Coutinho Xavier. Disse que a denúncia é absurda e fez observação sobre o caráter do militar: “não vale uma bala”.

“O cara que for gastar uma bala com ele, é uma bala mal gasta”, acrescentou Name, ao ser questionado pelo juiz Aluízio Pereira do Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, se ordenou o ex-guarda municipal Marcelo Rios  e o policial civil Vladenilson Daniel Olmedo, ambos, segundo a investigação, membros da milícia armada mantida pela família, contratarem pistoleiros para matar Xavier.

Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, fez a maior parte das perguntas (Foto: Reprodução) 
Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, fez a maior parte das perguntas (Foto: Reprodução)

Durante uma hora e meia, na sala de videoconferência do Presídio Federal de Mossoró (RN), o réu, de 81 anos, respondeu a perguntas do magistrado, do promotor Douglas Oldegardo dos Santos e as feitas pelo seu próprio advogado, Tiago Bunning.

Name também foi questionado se o filho, conhecido como Jamilzinho, teve algum desacerto com Paulo Xavier a ponto de querer matá-lo. “O Jamilzinho jamais faria um negócio desse, matar um cara nulo. Não tem sentido matar ele, matar ele por quê? Ele é igual a nada”.

Conforme a acusação, o capitão da PM entrou na lista de pessoas marcadas para morrer pelos Name por ter sido considerado traidor, ao prestar serviço ao advogado Antônio Augusto Souza Coelho, radicado em São Paulo, com quem a família teve negócios envolvendo terras com valores milionários.

O réu também nega. Diz que Xavier nunca foi funcionário da família Name, mas não explicou como o conhece a ponto de considerá-lo uma pessoa de caráter duvidoso. O acusado disse ainda ter bom relacionamento com o “Dr. Augusto”. Desta forma, afirma não ter qualquer motivo para querer a morte do PM. “Se for falar que vai matar um cara que é um concorrente forte, um cara que te ofendeu, te bateu, mas ele é nada”, falou hipoteticamente.

Name diz que Xavier fez acusações contra ele porque “é louco” e por precisar “estar bem com a polícia” para não ser expulso da PM. “Ele tem um problema, ele é meio louco. Ele bota uma coisa na cabeça e começa a achar que é verdade. É um debiloide”.

O capitão reformado Paulo Roberto Teixeira Xavier usa camiseta com a foto do filho vítima de execução no lugar dele, segundo a acusação (Foto: Henrique Kawaminami)
O capitão reformado Paulo Roberto Teixeira Xavier usa camiseta com a foto do filho vítima de execução no lugar dele, segundo a acusação (Foto: Henrique Kawaminami)

O empresário, apontado pela Operação Omertà como líder de organização criminosa responsável pela morte de Matheus e outras execuções na cidade, negou ainda conhecer os pistoleiros Juanil Miranda dos Santos e José Moreira Freires, acusados de executar o assassinato por engano. Eles estão foragidos.

Perguntado sobre Eurico dos Santos Mota, que conforme a investigação foi o responsável por encontrar maneira de rastrear o celular do alvo (Paulo Xavier), Jamil disse também nunca ter ouvido falar.

Por engano - Matheus Coutinho Xavier era acadêmico de Direito e foi morto com tiros de fuzil no fim da tarde do dia 9 de abril de 2019. Ele manobrava a camionete do pai, em frente à residência da família, na Rua Antônio da Silva Vendas, no Jardim Bela Vista, em Campo Grande.