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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

02/03/2013 08:20

O drama diante das incertezas de quem vive em áreas invadidas

Mariana Lopes
(Fotos: Pedro Peralta)(Fotos: Pedro Peralta)

“A epidemia de dengue veio junto com uma de desocupações”. É o desabafo de uma moradora da favela Portelinha do Segredo, área de intervenção do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), localizada no final do prolongamento da avenida Ernesto Geisel.

Edivânia Martins, 28 anos, mora em um barraco junto com o marido e mais quatro filhos. Antes de ir para lá, ela vivia com a mãe e dividia a casa com outras 12 pessoas da família. “Não tinha mais condições de eu morar lá, daí soube dessa área e resolvemos vir para cá”, lembra a dona de casa.

Foi um ano e meio no qual ela ficou separada dos filhos até criar certa estabilidade na área. “A gente vivia sob ameaça de ser expulso a qualquer momento”, conta. Como todos que moram em terrenos que pertencem à Prefeitura, ela é bem consciente de que a invasão é ilegal e sabe que a qualquer momento pode ser hora de desmontar o barraco e ir embora. “Só que a gente não tem para aonde ir”, justifica.

E assim, vivem um dia de cada vez. Quem sai cedo para ir trabalhar, deixa a casa com medo de voltar e encontrar só madeiras espalhadas pelo chão. Como aconteceu com a diarista Geiciane da Silva Mota, de 22 anos. Na última terça-feira (26), ela chegou à favela e a Emha (Agência Municipal de Habitação) havia derrubado o barraco que ela estava terminando de construir para morar com o filho de dois anos.

Geiciane está grávida, veio de Rio Verde do Mato Grosso e há seis meses está na Capital. Enquanto construía o barraco, estava abrigada na casa do irmão, que também mora na Portelinha do Segredo. “A assistente social disse que é para eu ir para a casa de um parente, mas não é fácil ficar na casa de alguém, por mais que seja irmão, porque ele tem família, tem a vida dele”, desabafa. Sem opção, hoje ela está na casa da mãe.

O drama diante das incertezas de quem vive em áreas invadidas
O drama diante das incertezas de quem vive em áreas invadidas

Ela foi notificada porque não estava entre as 130 famílias cadastradas em dezembro do ano passado, que serão removidas para os loteamentos Gregório Corrêa e Ari Abussafi, que serão construídos no bairro Izabel Garden. O projeto está prevista para 2014.

A maioria dos barracos tem apenas um cômodo e um banheiro improvisado, assim como a luz também é. As paredes são feitas de madeira e lona, e alguns ficam no chão batido. “A gente luta como qualquer pessoa, só não tivemos sorte de sermos ricos”, destaca Edivânia.

Mas a maior indignação dela é com o tratamento que recebem dos órgãos públicos. “Eles tratam a gente como lixo, com descaso, chega a ser desumano”, relata. E a reclamação se estende até ao prefeito de Campo Grande. “Antes de se eleger, o Bernal dizia que era a favor do povo. Agora que ganhou, ele não quer nem saber, nunca veio aqui ver qual é a nossa situação”, reclama

O drama diante das incertezas de quem vive em áreas invadidas

Outra desapropriação feita recentemente foi em uma área de comodato no bairro Santa Emília, onde duas famílias receberam ordem judicial de despejo e os respectivos barracos foram demolidos. Uma delas teve que se alojar na Associação de Moradores da região, pois não tinha para aonde ir.

O pintor Amilton Ales de Freitas, 29 anos, tinha em mãos dois documentos, um era o Título de Comodato da área, pelo qual o sogro dele pagou 2 mil cruzeiros, há 30 anos. O outro era o acordo feito com a Emha que garantia um lar à família dele assim que fosse despejada da área.

Hoje, a família vive no improviso, com os móveis entulhados e sob a proteção de uma lona. A esposa do pintor, Maria Inês Santos Castro, 37 anos, está grávida de 8 meses e tem medo dos próximos dias. “Como vou trazer um recém-nascido para cá? Estou dormindo no chão com a minha filha”, desabafa, com certo tom de desespero. No barraco construído nos fundos da Associação de Moradores, mora o casal, a filha de 12 anos e os pais de Maria Inês.

Grávida, Maria Inês vive com a família em um barraco improvisado na Associação de Moradores do Santa Emília (Foto: Pedro Peralta)Grávida, Maria Inês vive com a família em um barraco improvisado na Associação de Moradores do Santa Emília (Foto: Pedro Peralta)

Em Campo Grande, desde o começo do ano foram identificadas pelo menos seis áreas públicas invadidas, das quais algumas já foram desapropriadas e outras notificadas.

No caso das áreas notificadas, as famílias ainda não receberam ordem de despejo, e vivem a agonia da incerteza do amanhã. A qualquer momento elas podem receber intimação e ter os barracos demolidos.

Em dezembro no ano passado, quando já estava eleito, mas antes de assumir a Prefeitura, Alcides Bernal (PP) declarou que iria retomar áreas públicas invadidas. No primeiro mês no comando da administração pública, ele foi novamente enfático ao dizer que não iria permitir que alguém ficasse em imóveis da Prefeitura.

O Campo Grande News entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura, que não esclareceu nenhuma das situações de invasão citadas. O único retorno foi em relação à família do bairro Santa Emília. De acordo com a assessoria de imprensa, a questão é com a Emha e não há prazo determinado para acomodá-la em uma casa, conforme o prometido.



PESSOAL. PAREM DE CRITICAR! "VOCES NÃO SABEM O QUANTO É DURO ACORDAR CEDO, PEGAR BUSÃO LOTADO, ENCARAR SOL QUENTE E NO FINAL DO MES RECEBER UM SALÁRIO MINIMO.
É MELHOR FAZER UM MONTE DE FILHOS, PARA TER VARIOS BENEFICIOS DO GOVERNO COMO VALE RENDA, VALE GAS, BOLSA FAMILIA, SACOLÃO, DOAÇÕES ENTRE OUTROS. E ISSO SEM SAIR DE CASA, TOMANDO UM TERERESINHO NA SOMBRA E ASSISTINDO PROGRAMAS LOCAIS, DEITADO NUMA REDE".
 
reges marques em 03/03/2013 09:32:43
Maete Ferreira, se acha a bem informada, então deveria saber que a falta de planejamento familiar esta relacionado com a falta de educação e isso é um problema do Governo ou Estado, como queira, é só ler o artigo (Art. 6.º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição). sem falar do art. 5.º. Então para de puxar o tapete dos outros. Obrigado.
 
Elias Fernandes em 02/03/2013 20:20:26
Senhora elianeda silva.........dê a sua casa pra essa gente!!!........se o governo tiver de dar area e casa....e todo a mais pra esse povo que nao faz nada sempre onde vamos parar???...onde moro tem todos os itens constantes da contituiçao, ainda pago imposto de renda e todos os impostos devidos do nosso BRASIL.... nao acho ruim nao!!...e essa gente nao para o que eu pago...mas querem ter o que eu tenho???...nao da né?!!!
 
luiz tonezi em 02/03/2013 19:15:26
dona maete é uma pessoa " desumana " fala isso por que com certeza tem melhor poder aquisitivo , e não olha os menos favorecidos ali existem crianças e mulheres gravidas que
não estavam esperando uma desocupação tão imediata ....só lamento pelo seu comentario ..e espero que a senhora não passe nunca por isso , votei para o bernal e hoje estou me arrependendo por isso por tudo que está acontecendo na nossa cidade, com certeza ele não faria isso com a familia dele....só lamento
 
mariana guedes em 02/03/2013 17:56:44
Concordo com a Srª Maete Ferreira. Ninguém pensa no futuro, não tem condições de conseguir um emprego digno, já que não têm estudo, porque não querem, e vão procriando feito coelhos e gatos, num cio eterno, e aí vira responsabilidade de todos. Eu também não tenho minha casa própria, nem por isso saio por aí invadindo o que não me pertence. Eu arregaço as mangas. Todos os dias vou trabalhar e no fim do mês pago meu aluguel em diia, porque o dono da minha casa não é obrigado a me dar moradia de graça. Esse povo não aproveita as oportunidades que tem. Hoje em dia não estuda, não tem uma profissão digna só quem não quer. Mas tudo isso é pura acomodação, afinal, os órgãos públicos estão sustentando essa gente com tudo. E quem paga as contas no final? Nós trabalhadores que pagamos impostos.
 
Ivone Arguelho em 02/03/2013 14:09:33
Acho engraçado esse povo que critica o Bernal agora, mas e o outro prefeito ?P q nao deu moradia a esse povo?Afinal,isso vem acontecendo há anos, e nunca vai parar enquanto esse povo achar que a obrigação é do governo sustentar a falta de responsabilidade deles.Que culpa tem o governo se o povo quer construir família?(Por sinal grande,pois nao param de ter filhos), não estudam porque nao querem.Gente pobre tem que ter filho conforme sua situação.Parem de jogar tudo por cima do governo, na hora que vira os olhinhos não lembram das condições e olha que existe camisinha ,pirula de graça ,não usam pq nao querem
 
Maete Ferreira em 02/03/2013 11:05:57
Quero só ver onde vamos parar!!!
 
Eliane da Silva em 02/03/2013 09:43:25
Só lembrando senhor prefeito sobre atos desumanos feitos pelo senhor:
O direito à moradia é parte do direito a um padrão de vida adequado. Ou seja, não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas o direito de toda mulher, homem, jovem e criança de ter acesso a um lar e a uma comunidade seguros para viver em paz, com dignidade e saúde física e mental.
A moradia adequada, portanto, não se resume à disponibilidade de um teto e deve incluir:
- uma condição de ocupação estável, ou seja, residir em um local sem o medo de remoção ou de ameaças indevidas ou inesperadas
- acesso a serviços e bens públicos e infra-estrutura, como energia elétrica, sistema de esgoto e coleta de lixo
- acesso a bens ambientais, como terra e água, e a um meio ambiente equilibrado
- moradia financeiramente acessíve
 
Elianeda Silva em 02/03/2013 09:42:59
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