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Capital

Omertà pediu prisão de vereador por envolvimento em extorsão e agiotagem

Juiz entendeu que ainda não havia elementos para prender e deferiu apenas buscas em endereços do político

Por Marta Ferreira | 07/10/2020 13:01
Vereador Ademir Santana (PSDB), durante sessão na Câmara Municipal (Foto: CMCG/Divulgação) 
Vereador Ademir Santana (PSDB), durante sessão na Câmara Municipal (Foto: CMCG/Divulgação)

Alvo de busca e apreensão da quinta fase da Operação Omertà, a “Snowball”, o vereador de Campo Grande Ademir Santana (PSDB) teve pedido de prisão solicitado à Justiça, mas a ordem foi negada pelo juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian, titular da 2ª Vara Criminal.

A medida investigatória, nome técnico da ação, foi protocolada em abril, mas só em setembro houve a decisão e foi preparada a operação desencadeada hoje.

Essa etapa diz respeito à investigação de crimes de extorsão armada, agiotagem e lavagem de dinheiro envolvendo a casa no Monte Líbano onde foi apreendido, em maio de 2019, arsenal pertencente à milícia armada sob chefia de Jamil Name e Jamil Name Filho, presos desde setembro do ano passado e que tiveram nova prisão preventiva decretada, a quinta em razão das apurações da Omertà.

O imóvel, revelam as investigações, foi tomado do empresário José Carlos de Oliveira, na base da cobrança de juros abusivos por empréstimo de dinheiro (agiotagem) e de ameaças por “capangas” armados da quadrilha.

O valor envolvido beira os R$ 7 milhões. Houve pedido, ainda não analiso, de sequestro de bens nesse montante, contra os Name.

Era motorista - Segundo o pedido feito ao juiz, Ademir Santana - eleito em 2016 para a Câmara de Campo Grande e candidato à reeleição este ano - foi quem levou a vítima e a esposa à casa de Jamil Name em ocasião na qual houve ameaças sob mira de arma para assinar documentos. À época, o agora vereador trabalhava como motorista da família e também era gerente de empresa de título de capitalização dos Name.

A própria narrativa das vítimas dá a entender que a única participação do referido representante nos fatos foi transportá-las até a residência de Jamil Name, onde, aí sim, foram coagidas a assinar alguns documentos”, escreve o juiz ao analisar a prisão.

"Em sede preliminar, portanto, não se vislumbra a existência de elementos suficientes a justificar a prisão preventiva de Ademir Santana Delmondes, nada impedindo, contudo, a revisão da presente decisão caso apresentadas novas provas em desfavor do investigado e formulado novo pedido neste sentido no futuro”, completou.

Olivar Coneglian salientou, ainda, que embora tenha entendido não existirem elementos suficientes para que seja decretada a prisão preventiva de Ademir neste momento, não significa que não haja indícios de sua participação na organização criminosa alvo da Omertá.

Tanto é que o resultado de eventual busca e apreensão pode vir a elucidar sua real atuação junto à família Name (se como mero funcionário ou coautor de delitos), ou mesmo de que poderia ter se beneficiado diretamente da extorsão praticada, diante da posição que ocupa na empresa.

Buscas - Dois endereços ligados ao vereador tiveram buscas nesta manhã, autorizadas pelo magistrado, uma casa no Jardim Bonança e uma chácara no Bairro Caiobá.

Pela decisão, o objetivo era apreensão provas relativas à prática pelos investigados dos crimes de extorsão simples ou qualificada, agiotagem e lavagem de capitais, dentre outros. Foram citados como exemplo de provas dispositivos eletrônicos, tais como celulares, pen drive, mídias diversas e computadores, anotações, cadernetas, planilhas, e outros elementos informativos.

A reportagem tentou localizar Ademir Santana, no celular dele, no número da assessoria e não houve resposta. Também foi feito contato com o advogado que o representa em ações judiciais, sem retorno.

Chácara no Bairro Caiobá, um dos endereços ligados ao vereador que foi vasculhado (Foto: Marcos Maluf)
Chácara no Bairro Caiobá, um dos endereços ligados ao vereador que foi vasculhado (Foto: Marcos Maluf)
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