Além das ondas de furtos, incêndios ameaçam segurança do comércio no Centro
Rotina de trabalho dá lugar à insegurança e prejuízos constantes
RESUMO
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Comerciantes do Centro de Campo Grande relatam uma escalada de furtos e violência que os obriga a fechar os negócios. Uma empresária encerrou as atividades após quase 30 anos, registrando seis invasões em poucos meses. Imóveis abandonados, estimados em cerca de 300 no quadrilátero central, são usados como esconderijo e ponto de queima de materiais furtados. Apesar de reuniões e promessas do poder público desde junho de 2025, comerciantes afirmam não ver mudanças práticas.
Furtos em série, incêndios em imóveis abandonados e comerciantes deixando o Centro. O cenário que autoridades chamaram de “colapso” em 2025 agora é descrito, por quem vive a rotina da região, como uma realidade fora de controle.
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Nos últimos dias, a reportagem recebeu série de relatos de comerciantes que afirmam não conseguir mais manter os negócios abertos diante da escalada da criminalidade, que já acontece em plena luz do dia.
Uma empresária, que pediu para não ser identificada, decidiu fechar as portas após quase três décadas no Centro. Em poucos meses, ela viu a rotina mudar completamente.
“Em 27 anos nunca aconteceu nada. De novembro para cá, já fui visitada seis vezes pelos bandidos”, contou.
Segundo ela, os invasores entram pelos telhados, pulando de um prédio a outro, e levam tudo o que conseguem carregar. Fiação, cobre e equipamentos viraram alvos frequentes.
“Eles entram pelo teto, puxam fio, levam mangueira de cobre. A gente tem câmera, tem alarme, e eles não estão nem aí”, disse.
Ao lado da loja, um prédio vazio passou a funcionar como base para os crimes. “Eles não moram ali. Usam como esconderijo para levar o material roubado”, afirmou.
A rotina virou medo. “Na hora de abrir tem gente dormindo na porta. Na hora de fechar já tem gente chegando”, relatou.
Sem conseguir lidar com a situação, ela decidiu sair do Centro. “Eu não aguento mais resolver esses problemas de furto”, disse.

Imagens enviadas por comerciantes mostram fogo tomando conta de um imóvel abandonado na Rua Maracaju, entre a Padre João Crippa e a Pedro Celestino. Segundo relatos, o local é usado para queima de materiais furtados, prática que tem se tornado frequente na região.
Além dos relatos de invasões a lojas, casos recentes mostram que nem obras escapam da ação dos criminosos. Nesta segunda-feira (30), uma obra de restauração do Colégio Auxiliadora, na região central, foi alvo de furtos sucessivos. De acordo com comerciantes, os invasores entraram no local ao longo de vários dias e levaram materiais e estruturas, incluindo itens de andaime.
A escalada da violência também atinge quem tenta proteger os imóveis. O trabalhador Aparecido Denizete, que atuava como segurança de prédios na região central, abandonou a função após ser ameaçado com faca durante uma tentativa de furto.
“Eu fui ameaçado com faca. Não tem condição de trabalhar desse jeito”, relatou.
Segundo ele, o medo de novas abordagens violentas fez com que deixasse a atividade.
Problema antigo e sem solução - A crise não é nova. Em junho de 2025, durante reunião do movimento “SOS Centro”, comerciantes, polícia e representantes do poder público já alertavam para o agravamento da situação.
Na ocasião, a Polícia Militar chegou a estimar até 2,5 mil pessoas em situação de rua apenas no quadrilátero central e falou em risco de colapso.
Meses depois, em setembro, a Polícia Civil voltou a reforçar que o problema não seria resolvido apenas com policiamento.
O delegado Danilo Mansur, titular da 1ª Delegacia, foi direto: imóveis abandonados estavam no centro da crise.
“Muitos imóveis abandonados estão servindo como esconderijo e ponto de uso de drogas por esse pessoal que furta o comércio”, afirmou à época.
Segundo ele, sem intervenção da Prefeitura, a tendência seria de agravamento.
“Não adianta ação policial enquanto não forem tomadas medidas estruturais”, disse.
A avaliação segue a mesma hoje, segundo comerciantes.
Integrante do Conselho Comunitário de Segurança e da Associação Comercial, Paulo de Mattos Pinheiro afirma que os imóveis abandonados continuam sendo usados como base para crimes.
“São quase 300 prédios abandonados no Centro, servindo de refúgio para traficantes, ladrões e pessoas que furtam fio”, afirmou.
Segundo ele, a prática se repete diariamente. “Eles levam o material furtado, vão para esses imóveis e queimam lá dentro. Esse fogo que aparece é reflexo disso”, disse.
De acordo com Paulo, o problema já foi levado diversas vezes ao poder público, sem resposta efetiva. “A gente já fez várias reuniões e o principal problema sempre foi o furto. Isso já vem sendo discutido há muito tempo”, afirmou.
Em setembro de 2025, a Prefeitura informou que estudava a aplicação do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) progressivo, mecanismo previsto desde 2008 para punir proprietários de imóveis abandonados, com previsão de envio de proposta à Câmara em 2026. Também foi anunciado o projeto “Centro em Ação”, voltado à revitalização da região.
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