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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

12/07/2016 09:27

ONG 'sem-teto' é processada por calote em locadora de veículos

Morhar entregou carro cinco meses depois do combinado; empresa cobra R$ 19,1 mil na Justiça

Anahi Zurutuza
Entidade não está mais em endereço informado há um ano e meio (Foto: Alcides Neto)Entidade não está mais em endereço informado há um ano e meio (Foto: Alcides Neto)

A Morhar Organização Social, dona de contrato de R$ 3,6 milhões com a Prefeitura de Campo Grande para a construção de casas populares, deu “calote” em uma locadora de veículos da Capital, em 2014. A entidade está sendo processada pela empresa, que cobra R$ 19.151,68 alegando que a ONG (Organização Não-governamental) devolveu o carro alugado cinco meses depois da data acordada.

Esta é mais uma das informações que colocam “em xeque” a credibilidade da entidade, que comanda os mutirões assistidos da prefeitura para construir casas para famílias removidas a Cidade de Deus, mas nem sede tem e abandonou uma obra em 2013.

Na ação, a defesa da locadora de carros, que fica na avenida Eduardo Elias Zahran, relata que a Morhar locou um VW Gol branco no dia 5 de novembro de 2013 e devolveria o veículo no 5 de maio de 2014.

A entidade teria de desembolsar R$ 1,6 mil mensais. Contudo, conforme a empresa, além de devolver o automóvel com cinco meses de atraso, a Morhar não pagou pela locação de fevereiro a setembro.

A locadora alega ainda que tentou contato por diversas vezes com o locatário e que fez cobranças extrajudiciais, mas não foi atendida.

Para garantir o pagamento das parcelas devidas, além da multa e juros por atraso, a defesa da empresa pede a penhora de bens da entidade ou o congelamento de valores garantidos em contratos que a Morhar tem com o poder público.

‘Sem teto’ – Não foi só a reportagem que não encontrou a sede da ONG na semana passada. Por duas vezes, em novembro de 2015 e em abril deste ano, um oficial de justiça foi até o endereço no bairro Chácara Cachoeira, registrado no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da Morhar, mas não achou ninguém para notificar a respeito da cobrança judicial.

Na segunda vez, a pessoa que hoje ocupa a sala do condomínio comercial na Dr. Antônio Alves Arantes, 429, passou ao servidor do Judiciário o número do celular de Rodrigo da Silva Lopes, o presidente da entidade, mas nem pelo telefone o oficial conseguiu contato.

ONG abandonou casas em assentamento só no alicerce (Foto: Alcides Neto)ONG abandonou casas em assentamento só no alicerce (Foto: Alcides Neto)

Investigada - A ONG é alvo de investigação do MPF (Ministério Público Federal) por abandonar a construção de casas no assentamento Vale do Sol, a 20 km da Capital, em 2013. O inquérito foi aberto em 2014 e, segundo a assessoria de imprensa, a Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul acompanha a evolução da obra junto com a Caixa Econômica Federal, que constatou a paralisação. O MPF, entretanto, não informou que providências vai tomar.

Em 2012, a Morhar iniciou a construção de 42 casas no assentamento. Cada uma delas custaria R$ 28,5 mil às famílias donas dos lotes, que já até pagaram a primeira parcela, de R$ 285, pela obra.

Mas, de acordo com a presidente do assentamento Vilma da Silva, 40, das 42 casas, três foram terminadas pela Morhar, 31 ficaram sem acabamento e oito só no alicerce.

Outro lado – Desde o dia 6 de julho, a reportagem tenta contato o presidente da Morhar para que ele dê explicações sobre as situações suspeitas levantadas a respeito da ONG e sobre a investigação do MPF. Primeiro ele informou que só se manifestaria por e-mail, mas não enviou a nota e nem atendeu mais as ligações da reportagem.

Ontem, ele disse ao telefone que esteve afastado do comando da entidade por problemas de saúde, mas que nesta terça-feira (12) enviará o posicionamento por e-mail.

Ele afirma ainda não ter conhecimento sobre a dívida com a locadora.



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