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Capital

Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir

Mulheres ouvidas no Centro dizem que medida pode ajudar, mas cobram respeito e fiscalização nos ônibus

Por Kamila Alcântara e Inez Nazira | 26/05/2026 07:58
Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
No horário de pico, bem cedinho, mulheres são maioria no transporte coletivo de Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

A nova lei que dá prioridade a mulheres nos assentos de janela dos ônibus de Campo Grande mal foi publicada e já divide opiniões entre passageiras. Na manhã desta terça-feira (26), em horário de pico, mulheres ouvidas pelo Campo Grande News nos pontos  da Praça Ary Coelho disseram que a ideia pode até ajudar, mas o desafio será fazer a regra valer dentro dos coletivos.

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Campo Grande sancionou a Lei nº 7.630, que reserva os assentos de janela dos ônibus para mulheres no transporte coletivo urbano. A medida, publicada no Diário Oficial em 25 de maio de 2026, não garante exclusividade, permitindo uso por outros passageiros quando não houver mulheres. Passageiras ouvidas pelo Campo Grande News dividem opiniões, elogiando a iniciativa, mas questionando a fiscalização e a eficácia prática da lei.

Sancionada pela prefeita Adriane Lopes (PP), a Lei nº 7.630, de 25 de maio de 2026, foi publicada em edição extra do Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) nesta segunda-feira (25). O texto cria a “reserva prioritária” dos assentos ao lado das janelas para mulheres em todos os veículos do transporte coletivo urbano da Capital.

A prioridade, porém, não significa exclusividade. Pela lei, os assentos poderão ser usados por outros passageiros quando não houver mulheres no momento do embarque ou durante o trajeto. A Prefeitura ainda deverá regulamentar a medida, o que inclui definir como a regra será informada nos ônibus e como será aplicada na prática.

No ponto da Avenida Afonso Pena, Rosemir Araújo, de 57 anos, doméstica, disse que não conhecia a nova lei, mas aprovou a proposta. Ela conta que prefere os assentos de janela justamente para evitar o contato constante com passageiros no corredor.

“Não sabia dessa lei, mas achei bom, porque ajuda bastante. Eu gosto de sentar na janela, porque no corredor as pessoas ficam passando e esbarrando na gente. Então eu prefiro a janela”, disse.

Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
Gisleine (de preto) não vê muito sentido na proposta, enquanto Rosemir (de branco) avaliou como positiva (Foto: Juliano Almeida)

A diarista Inácia da Silva, de 61 anos, também vê a medida com cautela. Para ela, o problema não está apenas na falta de lei, mas na dificuldade de fazer os passageiros respeitarem regras que já existem.

“Eu não sei se vai ajudar. Acho que deveria ter uma lei mais rigorosa para os idosos e para as mulheres, porque muitas vezes ninguém respeita. Principalmente à tarde, quando os estudantes ocupam os bancos e não dão lugar. Vejo que na prática não funciona, já vejo acontecer com os assentos para os idosos”, afirmou.

A mesma preocupação foi apontada por Izanade Valejo, de 55 anos, diarista. Ela acredita que a lei só terá resultado se houver fiscalização constante, e não apenas nos primeiros dias. “Na teoria funciona, mas na prática não. A maioria das pessoas ignora tudo. Acho que se tiver uma fiscalização ajudaria, mas normalmente só fiscalizam no começo e depois esquecem”, disse.

Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
Inácia diz que primeiro deve ter fiscalização para direito dos idosos, já Izanade duvida que funcione na prática (Foto: Juliano Almeida)

Já a analista comercial Gisleine Lenha, de 43 anos, avaliou que a medida, do jeito que foi aprovada, pode ter pouco efeito. Para ela, a janela por si só não resolve o desconforto enfrentado por mulheres no transporte coletivo.

“Não faz muito sentido, porque pode ter um homem sentado do lado da mulher mesmo assim. Talvez se tivessem colocado como é com os idosos, reservando realmente alguns bancos para mulheres, faria mais sentido”, afirmou.

Entre as passageiras que apoiam a nova regra, o principal argumento é a sensação de maior proteção dentro dos ônibus, especialmente em horários de maior movimento. Terezinha Cristina, de 58 anos, doméstica, disse que a prioridade pode trazer mais conforto às mulheres.

“Eu achei ótima essa lei, porque a gente fica no meio dos homens ali no ônibus. Seria muito bom se realmente funcionasse. Eu não sabia dessa lei, mas achei boa. Que bom que estão pensando na gente”, afirmou.

Maria Aparecida de Brito, de 56 anos, diarista, também disse que costuma escolher a janela quando consegue lugar. Para ela, a medida pode ajudar principalmente nos horários de pico. “Seria bom sim. Eu sempre prefiro sentar na janela, então acho que ajudaria bastante, principalmente no horário de pico, que tem muita gente, muitos homens”, termina.

Passageiras aprovam lei do assento na janela, mas duvidam que homens vão cumprir
Mulheres mexem no celular enquanto fazem o percurso até seus compromissos de ônibus (Foto: Juliano Almeida)


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