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Capital

Policial condenado por tráfico e por atrapalhar investigações é demitido

Em dezembro de 2025, o juiz determinou a perda do cargo público do investigador Hugo César Benites

Por Ana Paula Chuva | 15/06/2026 08:47
Policial condenado por tráfico e por atrapalhar investigações é demitido
Hugo ao lado de Anderson, ambos tiveram a demissão publicada nesta segunda-feira (Foto: Reprodução)

A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) oficializou a demissão do investigador da Polícia Civil Hugo César Benites por atrapalhar uma investigação sobre tráfico de drogas. A decisão foi publicada na edição desta segunda-feira (15) do Diário Oficial do Estado.

RESUMO

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A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul demitiu os investigadores Hugo César Benites e Anderson César dos Santos Gomes, ambos condenados por envolvimento com tráfico de drogas e organização criminosa no âmbito da Operação Snow, deflagrada pelo Gaeco em 2024. A ação resultou na condenação de 16 pessoas a um total de 145 anos de prisão.

Hugo foi alvo da operação Snow e sentenciado a 13 anos e cinco meses por tráfico de drogas e por integrar organização criminosa. Em dezembro do ano passado, ele foi condenado também por atrapalhar as investigações.

A demissão foi assinada pelo secretário Antonio Carlos Videira com base no relatório de PAD (Processo Administrativo Disciplinar) da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. A sanção decorre da mesma investigação que apontou o envolvimento de policiais civis com o vazamento de informações sigilosas e facilitação de ações ligadas ao tráfico de drogas na Capital.

De acordo com o texto publicado, o servidor foi desligado do quadro permanente do Estado. O texto aponta que ele violou deveres funcionais e cometeu infrações disciplinares graves descritas no estatuto da categoria, que tratam do zelo pelo sigilo de operações e da conduta moral da instituição.

Segunda demissão 

Além dele, também foi publicada a demissão do investigador Anderson César dos Santos Gomes. O servidor foi condenado pela Justiça em primeira instância por monitorar investigações e vazar detalhes de operações sigilosas para criminosos, frustrando ações de delegacias especializadas de Campo Grande.

No entanto, Anderson já havia sido demitido em junho do ano passado por conta da condenação por tráfico de drogas e por integrar associação criminosa. Ele também foi alvo da operação Snow.

Ambos os decretos de demissão foram assinados na última sexta-feira (12) e os efeitos das punições passam a contar a partir de hoje.

Operação Snow 

A ação foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público) em 2024 e resultou na condenação de 145 anos e nove meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro para 16 integrantes da quadrilha. Três dos acusados foram absolvidos. O processo tramitou em sigilo, mas a sentença foi publicada no Diário da Justiça do dia 29 de setembro do ano passado.

Conforme a investigação do Gaeco, a organização criminosa, altamente estruturada, com uma rede sofisticada de distribuição, com vários integrantes, inclusive policiais cooptados, fazia o escoamento da droga, como regra, cocaína, por meio de empresas de transporte, que também eram utilizadas para a lavagem de dinheiro.

As maiores penas ficaram para os empresários Luiz Paulo da Silva Santos e Joesley da Rosa – 23 anos e 9 meses e 18 anos e 6 meses, respectivamente. Em seguida, vem a do policial Hugo César Benites, condenado a 13 anos e 5 meses de prisão.

Mayck Rodrigo Gama também foi sentenciado a 13 anos e onze meses de prisão. Já Ademir Cramolish Palombo deve cumprir 6 anos e cinco meses. O empresário também foi denunciado por envolvimento no homicídio do garagista Carlos Reis de Medeiros, o Alma.

Erick do Nascimento Marques e Rodney Gonçalves Medina foram condenados a 12 anos e três meses cada um. Douglas de Lima de Oliveira foi condenado a cinco anos e três meses. Ele também foi sentenciado em junho deste ano pelo assassinato de Christian de Queiroz Oliveira.

Já Fernando Henrique Souza dos Santos, Frank Santos de Oliveira, Bruno Ascari, Ademar Almeida Ribas, Adriano Diogo Veríssimo, Wellington Souza de Lima e Márcio André Rocha Faria foram sentenciados a quatro anos e um mês de prisão cada.

A decisão é assinada pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, que absolveu Darli Oliveira Santander e Natoni Lima de Oliveira, pais de Douglas. O casal também foi alvo da Operação Snow.

Anderson, no entanto, já havia sido condenado por tráfico em janeiro de 2025. A sentença de 19 anos, 4 meses e 12 dias em regime fechado foi assinada pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara da 1ª Vara Criminal de Dourados (MS), no âmbito da operação Safe Shipping. No caso do uso de viaturas para o tráfico de drogas, ele foi absolvido.

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