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Capital

Policial federal condenado no caso Playboy da Mansão é demitido

Everaldo tem longa carreira na PF, mas foi enquadrado por revelar informação privilegiada

Por Aline dos Santos | 20/02/2026 09:59
Policial federal condenado no caso Playboy da Mansão é demitido
Everaldo Monteiro de Assis (em pé e de paletó preto) durante julgamento. (Foto: Paulo Francis)

Condenado no caso Playboy da Mansão, o agente Everaldo Monteiro de Assis foi demitido da PF (Polícia Federal).

RESUMO

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O agente da Polícia Federal Everaldo Monteiro de Assis foi demitido após condenação no caso Playboy da Mansão. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, aponta que o servidor cometeu infrações disciplinares ao revelar informações privilegiadas e usar sua posição para obter vantagens. Assis foi condenado a 16 anos de prisão por intermediar o acesso a informações sigilosas para uma organização criminosa liderada por Jamil Name Filho. O caso está relacionado ao assassinato de Marcel Hernandes Colombo, conhecido como Playboy da Mansão, executado em Campo Grande em 2018. O policial recorre da sentença em liberdade.

Conforme a portaria, publicada na edição de quarta-feira (dia 18) do Diário Oficial da União, ele foi enquadrado em infrações disciplinares puníveis com demissão.

A avaliação é de que o servidor prevaleceu abusivamente da condição de policial com vistas a obter proveito para si ou para outrem, além de improbidade administrativa por revelar informação privilegiada, que deveria permanecer em segredo.

Na portaria, são mencionadas as leis 15.047/2024 (que institui o regime disciplinar da Polícia Federal) e 8.429/1992 (que dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa).

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, determinou que a Polícia Federal encaminhe cópias dos autos do processo administrativo disciplinar à Receita Federal, MPF (Ministério Público Federal) e CGU (Controladoria-Geral da União). O policial demitido perde a remuneração e o porte funcional.

Alvo da operação Omertà, Everaldo foi apontado como intermediário para que a organização criminosa, liderada por Jamil Name Filho, tivesse acesso a informações privilegiadas. Ele auxiliava os "homens de confiança" em relação ao suporte necessário à realização das tarefas.

Condenado a 16 anos no caso Playboy da Mansão, o agente recorre em liberdade e, para não ser preso de imediato, justificou que estava trabalhando.

“Soma-se a isso o fato de que o recorrente é policial federal da ativa, com longa trajetória funcional, atualmente responsável por diversas investigações sensíveis na área de repressão ao crime organizado, tráfico de drogas e lavagem de capitais, exercendo função pública incompatível com qualquer presunção abstrata de periculosidade ou risco decorrente de seu estado de liberdade”, justificou a defesa em recurso encaminhado ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Policial federal com experiência na fronteira e consultor informal de autoridades, Everaldo Monteiro de Assis, 66 anos, é acusado na operação Omertà de montar estrutura paralela para proteger organização criminosa de Fahd Jamil, mais conhecido como “Rei da Fronteira” entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

O crime – Marcel Hernandes Colombo, de 31 anos, foi executado à queima-roupa em um bar da Avenida Fernando Corrêa da Costa, Vila Rosa Pires, em Campo Grande, na madrugada de 18 de outubro de 2018.

A vítima era conhecida como Playboy da Mansão por dar festas em casa de alto padrão e, em abril de 2016, após ser detido, ironizou a situação dizendo a uma equipe de reportagem que logo estaria solto, tinha dinheiro no bolso, mostrou um maço de dólares e zombou do jornalista que estava trabalhando.

Além de Everaldo, o júri condenou Jamil Name Filho, Marcelo Rios (ex-guarda municipal) e Rafael Antunes Vieira (ex-guarda municipal).

A reportagem entrou em contato com a PF e a defesa de Everaldo. O Campo Grande News aguarda retorno.

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