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Pombos tiram até família de casa: veja 4 formas de se livrar desta praga urbana

Aves transmitem até 50 doenças por fungos e bactérias que podem levar à morte, além de fazer sujeira e barulho

Por Caroline Maldonado | 02/07/2022 10:36
Pombos em casa da empresária Jhenifer Paula Lopes, no Jardim São Lourenço (Foto: Henrique Kawaminami)
Pombos em casa da empresária Jhenifer Paula Lopes, no Jardim São Lourenço (Foto: Henrique Kawaminami)

O ano inteiro eles perturbam moradores e trabalhadores em prédios da Capital. Tem até família que se muda de casa “expulsa” pelos pombos, considerados praga urbana, pois transmitem mais de 50 doenças a partir de fungos e bactérias que ficam principalmente nas fezes. Eles são perigo constante também em escolas, unidades de saúde e condomínios. Onde houver um espaço lá no alto para se abrigarem, lá eles estarão.

Mas o que fazer para espantá-los? Envenenar os animais é crime, por isso empresas oferecem serviços especializados. Pelo menos, quatro métodos, oferecidos pelas especializadas ou com produtos à venda em lojas, prometem resolver o problema.

Entre as doenças mais comuns transmitidas pelos pombos estão a meningite, salmonelose, histoplasmose e criptococose. Todas dão dor, febre e dor de cabeça, entre outros sintomas. Causada por fungos, a criptococose pode prejudicar os olhos, os ossos, o pulmão e até levar à morte.

Planejando a mudança no Jardim São Lourenço, a empresária Jhenifer Paula Lopes, de 32 anos, já buscou algumas formas de espantar as aves, mas desistiu.

Transtorno e medo

“Já usei um produto para borrifar que tem um cheiro parecido com creolina. Colocamos tela também nas vigas e não deu certo. Vamos mudar porque tenho muito medo. Meu esposo conhece duas pessoas que ficaram doentes e uma delas morreu, depois de pegar doença dos pombos”, conta Jhenifer.

O cachorro da família é o que mais sofre. “Entra, mas toma cuidado”, alerta a moradora sobre a área em que o animal de estimação costuma ficar. “Tem dias que ele [cão] amanhece com fezes dos pombos. A partir das 14h eles vêm todos, mas o dia inteiro tem um ou outro aí”, reclama.

Ao lado, a vizinha, caseira da  loja maçônica Seli Roberta Duarte, de 58 anos, conta que já foi instalada tela no beiral. “Resolveu. Eles não pousam mais aqui, mas ainda vem na casa ao lado e acabam fazendo sujeira no corredor”, relata.

Pombo sobre o telhado: abaixo tela instalada para evitar acesso animal às vigas. (Foto: Henrique Kawaminami)
Pombo sobre o telhado: abaixo tela instalada para evitar acesso animal às vigas. (Foto: Henrique Kawaminami)

Soluções  – Proprietário da Exata Controle de Pragas, Gregório Machado, explica que cada caso é um caso. Há locais em que um método resolve a situação, mas há outros em que o morador precisa usar mais de uma estratégia e ser persistente até que as aves abandonem de vez o prédio e o espaço não seja chamariz para outra leva de pombos. Ele revela que as infestações são piores no verão, mas o ano inteiro tem gente procurando soluções.

“Os pombos são territorialistas. São sempre os mesmos que ficam em uma casa. Quando eles perceberem que não dá mais para ficar ali, vão tentar continuar por uma semana, mas depois vão embora. Passado um tempo, outro grupo pode vir e aí o local tem que estar com as barreiras para que eles não encontrem abrigo. É por isso que, às vezes, tem que usar mais de um método e contratar um serviço com garantia”, explica Gregório.

Gel repelente – O mais prático e mais utilizado é o gel repelente. A ave não pode pousar onde está o gel e se incomoda também com o cheiro. Há produtos de marcas e tamanhos variados para compra, que vão de R$ 21 a R$ 460. Gregório explica que a aplicação de um produto desse de boa qualidade custa em torno de R$ 40 por metro linear.

“Não é simples a aplicação, por isso usamos um aplicador a bateria e damos garantia, caso precise reaplicar em função de pombos voltando ali. Mas essa é uma média de preço, tudo depende da avaliação do local”, detalha.

Gel repelente aplicado em residência para impedir acesso de pombos. (Foto: Divulgação/Exata Controle de Pragas)
Gel repelente aplicado em residência para impedir acesso de pombos. (Foto: Divulgação/Exata Controle de Pragas)

Espícula anti pombos – Em alguns casos, vale instalar espícula. É um equipamento de plástico com pontas que impede as aves de pousar. Na internet, um kit para dois metros sai por R$ 48,60.

“Depende de avaliação, mas a instalação do metro linear geralmente sai em torno de R$ 120. Tem muitas à venda que não são boas e quebram com a ação do sol, por isso eu fabrico. Isso funciona, o pássaro não tem como pousar”, diz Gregório.

Na loja virtual da Leroy Merlin,  o kit com 29 peças de espícula anti pombos com 33 cm custa R$ R$ 234,90.

Espícula anti pombos à venda na Leroy Merlin. (Foto: Divulgação/Leroy Merlin)
Espícula anti pombos à venda na Leroy Merlin. (Foto: Divulgação/Leroy Merlin)

Barreira física   – Nas escolas e unidades de saúde públicas, que enfrentam a infestação de pombos, esse é o método utilizado. Em dezembro do ano passado, a prefeitura chegou a abrir uma licitação de R$ 67 mil para contratar empresa especializada no controle de vetores e pragas urbanas para instalação de telas nos Cras (Centros de Referência em Assistência Social).

Além disso, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) orienta servidores e moradores a não dar alimento aos pombos, manter lixeiras fechadas, o lixo bem embalado e manter ração de animais domésticos protegidas.

Sem local para se abrigar e sem comida, os pombos vão embora, conforme a secretaria, que neste ano realizou 31 vistorias em escolas e postos de saúde da Capital e mais 12 em instituições privadas. A  vistoria pode ser solicitada pelo responsável do órgão ou pode ser realizada através de denúncia pelo telefone da ouvidoria (67) 3314-9955.

“O trabalho do Scraps (Setor de Controle de Roedores, Animais Peçonhentos e Sinantrópicos) do CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) oferece apoio técnico através de vistorias com orientações específicas e que são particulares a cada local e situação observados”, detalha a Sesau, em nota.

Profissional instala tela para impedir acesso de pombos e outras aves. (Foto: Divulgação/Exata Controle de Pragas)
Profissional instala tela para impedir acesso de pombos e outras aves. (Foto: Divulgação/Exata Controle de Pragas)

Aparelho Espanta Pombo  – Há modelos a partir de R$ 195 à venda na internet. O repelente eletrônico emite um ultrassom entre 20 a 70 Khz, que incomoda as aves, mas não causa danos físicos, segundo o fabricante.

O aparelho pode ficar ligado o tempo todo, pois o consumo de energia é baixo. Um dos modelos, com seis emissores de ultrassom à prova d’água, consome 0,0018 KW/h. O equipamento abrange até 1.200 m², em área livre.

Na loja Coop-Grande (Cooperativa Agrícola de Campo Grande), no Centro da Capital, o aparelho da marca Pioneiro é vendido por R$ 220,00. Com seis emissores, ele tem alcance de 100 a 150 m². Os vendedores garantem que além de morcegos e ratos, o equipamento espanta pombos e pardais.

Aparelho que emite ultrassom para espantar ratos, morcegos e aves, na loja Coop-Grande (Foto: Henrique Kawaminami)
Aparelho que emite ultrassom para espantar ratos, morcegos e aves, na loja Coop-Grande (Foto: Henrique Kawaminami)


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