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Capital

Por quase 2h, ninguém é atendido em UPAs; falha de protocolo?

De 6h às 7h só urgência e emergência são atendidos na troca de plantão, mas registramos 1º chamado só às 7h48

Por Bruna Marques | 30/11/2023 09:39
Saguão do UPA Coronel Antonino cheio já nas primeiras horas da manhã (Foto: Bruna Marques)
Saguão do UPA Coronel Antonino cheio já nas primeiras horas da manhã (Foto: Bruna Marques)

Leitores costumam procurar o Campo Grande News reclamando que pela manhã ficam horas na fila esperando atendimento em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Para acharem uma resposta, criam várias versões: como médicos que abandonam ou faltam plantão. Para responder a essa pergunta, a reportagem percorreu três unidades de pronto atendimento e verificou que por até 2 horas as pessoas ficam sem atendimento a cada troca de plantão, o que ocorre 3 vezes ao dia

A primeira constatação é que para quem chega entre 6h e 7h a manhã, a fila só cresce, sem qualquer atendimento. Ninguém é chamado por, pelo menos 1h30, mas o período pode chegar a 2 horas de espera nesses períodos de substituição. Multiplicando por 3 trocas de plantões, são quase 6 horas a menos de atendimento, o que pode gerar as dezenas de reclamações que chegam semanalmente no início da manhã e também no começo da tarde sobre postos super lotados.

Na UPA Coronel Antonino, às 6h28, por exemplo o movimento era pequeno, mas uma hora depois, o cenário mudou e o saguão da unidade ficou lotado, para que o primeiro atendimento fosse apenas às 7h48.

A Sesau disse que a troca de plantão nas UPAs e CRS (Centro Regionais de Saúde) segue procedimentos específicos para garantir a continuidade do atendimento, o que dura no máximo 1 hora. e que a transição entre os profissionais é realizada de forma que haja sempre um médico disponível para atendimento de urgência e emergência.

“É importante ressaltar que não há nenhuma interrupção no fluxo de atendimento, sendo a triagem do paciente realizada normalmente neste período. Cabe esclarecer que o médico que está encerrando o plantão deve repassar todas as informações relevantes sobre os pacientes e o andamento dos atendimentos para o próximo plantonista, assegurando a continuidade do cuidado”, explicou.

UPA Coronel Antonino - Ramão Leandro da Silva, 59 anos, chegou no posto de saúde às 6h, ele procurou atendimento porque estava com problema de pressão alta, mas às 6h33, faltando meia hora para a troca de plantão, ainda não tinha passado pela triagem.

“Hoje tem pouca gente, mas acho que ainda não tem médico atendendo. Agora é troca de plantão, na verdade é 7h, mas agora eles já começam a ir embora. A escala deles é de 12 horas, acho que enquanto a outra equipe não chega eles não deveriam ir embora, porque se chega alguém passando mal é complicado”, comenta.

Após uma hora de espera sem nem ter passado pela classificação de risco, Ramão resolver ir embora e procurar atendimento em outro lugar. “Quem tá mal da pressão não pode ficar assim, vou embora procurar atendimento no postinho do Estrela do Sul”, afirmou.

Apesar da troca de plantão ocorrer às 7h, 48 minutos depois do horário que os atendimentos da manhã deveriam começar, nenhuma pessoa tinha sido atendida. A escala colada no mural da UPA mostra que sete médicos deveriam estar atendendo, além de seis pediatras, mas no período em que a reportagem esteve no local, os pacientes ainda aguardavam no saguão, sem previsão de serem chamados.

A diarista Fátima Aparecida Felício da Silva, 33 anos, chegou às 6h na UPA com a sogra de 64 e a filha de 3. Com sintomas de pneumonia, a mulher esperou com a idosa mais de uma hora e meia para conseguir atendimento.

“Já era pra eles terem chamado porque cheguei aqui não era 7h ainda. Desde que chegamos, nem quem já estava na nossa frente foi chamado ainda. Só tinham duas pessoas na nossa frente, não chamaram e agora aumentou o número de pessoas. É ruim, né? Se tem tudo isso de médico na escala por que não atendem a gente logo?”, questionou.

Pacientes aguardando atendimento na USF Tiradentes (Foto: Bruna Marques)
Pacientes aguardando atendimento na USF Tiradentes (Foto: Bruna Marques)

Na USF (Unidade de Saúde da Família) Tiradentes, o cenário não é diferente, apesar de o movimento ser menor, a espera é grande. Por conta da troca de plantão, somente um médico estava atendendo.

Quando a equipe de reportagem chegou, uma senhora estava no consultório e um homem que já havia passado pela triagem aguardava para entrar. Minutos depois, o rapaz é atendido e ninguém mais foi chamado até 7h20.

Na escala da madrugada estavam previstos quatro médicos e três pediatras, mas somente um clínico geral estava atendendo nas primeiras horas da manhã.

Uma das médicas plantonistas que assumiu pela manhã começou a chamar somente às 7h28 os primeiros pacientes que tinham passado pela triagem ainda às 6h.

Na manhã desta quinta-feira (30), a reportagem esteve na UPA Leblon, apesar de na escala do plantão da madrugada constar sete médicos e cinco pediatras, uma funcionária informou que na frente somente um clínico geral estava atendendo, os outros estariam reavaliando pacientes internados na urgência e emergência.

Por volta das 6h15, três pessoas que já tinham passado pela triagem aguardavam para passar pelo médico, mas o médico plantonista só começou a atender às 7h28. Enquanto isso, a fila ia aumentando.

Movimento tímido por volta das 6h na UPA Leblon (Foto: Bruna Marques)
Movimento tímido por volta das 6h na UPA Leblon (Foto: Bruna Marques)

Uma mulher que não quis se identificar e nem ceder entrevista para o Campo Grande News chegou por volta das 7h na UPA com um casal de filhos. Ela perguntou se estava tendo atendimento pediátrico e foi informada que não. Na sequência, foi orientada a procurar a UPA Coronel Antonino ou Universitário.

A Sesau informou que na UPA Leblon não tem médico pediatra atendendo pela manhã e que as UPAs Coronel Antonino e Universitário “são referência”.

Posicionamento – A Secretaria defendeu processo de repasse de informações na troca de plantão é fundamental para garantir a segurança e a qualidade do atendimento prestado.

“É importante enfatizar que, mesmo durante a troca de plantão, há sempre um médico disponível para atender os casos de urgência e emergência, e que a transição entre os profissionais é realizada de forma a não comprometer a assistência aos pacientes. Ou seja, pacientes que realmente necessitam de atendimento imediato não são desassistidos. Casos de menor gravidade, classificados como azul ou verde, devem aguardar atendimento de acordo com a sua necessidade. O tempo de espera para estes casos é de até 4h, conforme o protocolo”, relatou.

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*Reportagem editada após Sesau corrigir informação

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