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Capital

Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo

Mudança no controle do Consórcio Guaicurus pode reforçar a frota e reduzir a espera

Por Viviane Oliveira e Cassia Modena | 22/07/2026 11:08
Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
Passageiros esperam mais agilidade e pontualidade no transporte coletivo (Foto: Juliano Almeida)

A notícia da venda das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade reacendeu a esperança de quem depende diariamente do transporte coletivo em Campo Grande. Entre os usuários ouvidos na manha desta quarta-feira (22), o pedido é praticamente unânime. Ninguém espera luxo. A população quer apenas ônibus suficientes para atender à demanda e cumprir os horários.

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Usuários do transporte coletivo de Campo Grande esperam melhorias após a venda das empresas do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade. As principais reclamações são demora nos pontos, superlotação e ônibus antigos. A prefeita Adriane Lopes recebeu a negociação com boas perspectivas, mas garantiu que a intervenção municipal continuará. A HP Mobilidade é formada por herdeiros do grupo fundador e executivos experientes no setor.

As principais reclamações são a demora nos pontos, especialmente nos horários de pico, e a superlotação, que faz muitos passageiros esperarem quase uma hora pela condução ou perderem o ônibus por falta de espaço.

Menor aprendiz na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Artur Matos, de 17 anos, afirma que a rotina de trabalho é frequentemente prejudicada pela falta de veículos nas primeiras horas da manhã. Usuário das linhas 081 e 070, ele conta que muitas vezes não consegue embarcar. "Às vezes eu não consigo entrar no ônibus e chego 20 minutos atrasado no trabalho. Precisava aumentar a quantidade de ônibus, principalmente de manhã", relata.

Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
Aposentada Laudelina da Costa reclama da demora dos ônibus (Foto: Juliano Almeida)

A aposentada Laudelina da Costa, de 67 anos, também espera que a mudança traga melhorias. Usuária da linha Santa Carmélia, ela afirma já ter esperado mais de uma hora no ponto e critica tanto a demora quanto as condições dos veículos e da infraestrutura. "O valor da passagem é um absurdo, não tem nada que justifique esse preço. Os ônibus são muito antigos, os bancos preferenciais vivem ocupados e, muitas vezes, a gente nem consegue sentar", diz.

Além disso, ela reclama da falta de cobertura em vários pontos de ônibus dos bairros Santa Carmélia e Coophatrabalho. "Chove e faz sol e a gente fica ao relento”.

Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
José Luís Gonçalves enfrenta até quatro horas de deslocamento aos sábados para realizar tratamento de saúde (Foto: Juliano Almeida)

Para José Luís Gonçalves, de 54 anos, a mudança precisa ir além da operação dos ônibus e alcançar também o atendimento aos passageiros. Morador do Nova Lima, renal crônico e amputado de uma das pernas, ele utiliza cerca de oito ônibus por dia para fazer hemodiálise e sessões de terapia.

Aos sábados, quando também realiza tratamento, o deslocamento chega a quatro horas. Ele sai da hemodiálise às 15h30 e só chega em casa por volta das 17h30. "É o pior dia e a empresa precisa melhorar a parte humana, o tratamento das pessoas", afirma.

José lembra ainda de um episódio em que, usando muletas, foi obrigado por um motorista a descer do ônibus porque ocupava um dos bancos da frente. "Eu queria ficar no banco da frente por causa da dificuldade para andar, mas o motorista disse que eu não podia ficar ali e mandou eu descer".

Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
Moradora do Aero Rancho, Kelly pede mais agilidade no transporte coletivo (Foto: Juliano Almeida)

Auxiliar de limpeza, Kelly Ladeia, de 22 anos, mora no Aero Rancho e trabalha no Rita Vieira. Ela utiliza diariamente a linha que liga os dois bairros e também aponta a demora como principal problema. "Eles demoram em qualquer horário, mas principalmente nos horários de pico."

Entre as poucas avaliações positivas está a do estudante Alex Muiambom, de 41 anos. Natural de Moçambique, ele está há apenas três semanas em Campo Grande, onde cursa a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Morador da Vila Doutor Albuquerque, ele considera o sistema seguro e elogia a cordialidade das pessoas.

Apesar disso, classifica o transporte como apenas "razoável" por causa da necessidade de fazer várias integrações para chegar à universidade. "Os horários são obedecidos, mas preciso pegar dois ônibus para ir e dois para voltar. Isso acaba dificultando".

Usuário diz não querer luxo, só mais ônibus e no horário certo
Estudante moçambicano Alex Muiambom elogia a segurança, mas aponta dificuldades na integração do transporte coletivo (Foto: Juliano Almeida)

Venda - A Prefeitura de Campo Grande foi comunicada nesta terça-feira (21) sobre a venda das empresas que integram o Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade. A informação foi anunciada pela prefeita Adriane Lopes (PP), que afirmou receber a negociação "com bons olhos", mas ressaltou que a intervenção municipal no transporte coletivo continuará.

A HP Mobilidade, apresentada como compradora das empresas do consórcio, é formada por herdeiros do grupo fundador e executivos com longa experiência no setor de transporte coletivo. A estrutura empresarial tem como sócia a HP Investimentos e Participações S.A. e como sócios-administradores Indiara Ferreira e Hugo Santana de Moraes Santos.

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