“Já me ferrei”, consumidor repensa compra de produtos falsificados no Centro
Ontem uma loja teve 1,2 mil pares de tênis apreendidos suspeitos de falsificação
Seja no Centro da Capital ou no comércio virtual, a venda de produtos falsificados está presente há anos no dia a dia do consumidor. Os preços mais baixos de imitações de marcas famosas ou de luxo são um grande atrativo para parte do público. Ainda assim, há quem prefira priorizar conforto e durabilidade em vez da economia.
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Uma loja no Centro de Campo Grande teve as atividades suspensas pelo Procon Estadual após fiscalização que constatou alvará vencido, venda de tênis sem nota fiscal e indícios de falsificação. Foram apreendidos 1.232 pares de calçados, encaminhados à Receita Federal. A empresa tem 20 dias para apresentar defesa. Consumidores ouvidos pela reportagem divergem entre qualidade e preço na hora da compra.
No comércio central de Campo Grande, é fácil encontrar lojas que vendem produtos como réplicas e similares. Entre os itens mais recorrentes em fiscalizações realizadas pelo Procon, Decon e Receita Federal estão os tênis. No ano passado, cinco comércios foram fechados em um único dia por vendas de sapatos falsificados.
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Nesta terça-feira (8), uma loja localizada na esquina da Avenida Afonso Pena com a Avenida Calógeras teve as atividades temporariamente suspensas. No local, o Procon Estadual constatou alvará de localização e funcionamento vencido, além da venda de tênis sem nota fiscal de origem. Os produtos também não apresentavam informações obrigatórias, como numeração e identificação do fabricante, além de indícios de falsificação.
Ao todo, foram apreendidos 1.232 pares de tênis, entre adultos e infantis, que faziam parte do mostruário e do estoque da loja. Os calçados foram encaminhados à Receita Federal. A empresa terá prazo de 20 dias para apresentar defesa ao Procon.
Na manhã desta quarta-feira (9), o Campo Grande News esteve no local e verificou que o estabelecimento segue fechado e vazio. O aviso de suspensão das atividades permanece afixado na porta.
Vale a pena? — Na região central, a reportagem conversou com consumidores para entender se a escolha na hora da compra é guiada pela qualidade ou pelo preço. Para a secretária executiva Ana Beatriz Stobbe, de 23 anos, a decisão depende do tipo de produto.

“Tem alguns itens que eu prezo mais pela qualidade do que pelo valor em si. Às vezes a gente acaba fazendo um investimento e sabe que aquilo vai durar e ter um resultado melhor. Eu gosto de comprar produtos de pele, bolsas, porque sei que vão durar mais, mas não tenho problema nenhum com falsificados”, contou.
Ana afirma que também frequenta lojas com preços mais baixos, mas, quando se trata de itens de marca, prefere os originais.
“Eu compro roupas baratinhas também, mas, se é falsificado, eu já não sei. Quando compro de marca, prefiro lojas oficiais. Mas nas lojas de ‘vintão’ eu estou lá também”, disse.
Para Emilly Moraes, de 21 anos, as compras variam conforme o orçamento. “Eu estou no meio termo. Não sou muito de comprar em lojas oficiais porque o meu salário não ajuda. Sou mais dos baratinhos e, se são falsificados, eu nem percebo. Já bolsas e outros itens, acabo investindo mais por causa da durabilidade”.
O desenvolvedor Oziel Xavier, de 50 anos, acredita que a situação econômica influencia o consumo. “Eu ainda procuro qualidade porque dura mais, é mais confortável e mais garantido”.
Já o bancário Bruno Borges, de 29 anos, não abre mão do conforto. Para economizar, recorre ao comércio digital. “Eu não compro mais no dia a dia. O pessoal gosta muito e acaba comprando, ainda mais tênis. Eu tenho problema no joelho, comprei um falsificado uma vez e nunca mais”.
A aposentada Petrona Gonçalves, de 75 anos, também deixou de consumir falsificados. “Os baratinhos não adiantam, faz gastar mais. É melhor comprar algo com mais garantia. Já comprei muito e me ferrei, depois aprendi. Não adianta, é melhor comprar algo que valha a pena”.
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