Dourados vistoria 4.319 casas em aldeias e faz mutirão contra chikungunya
Bloqueio químico com 3 ciclos de aplicação de inseticida começou em fevereiro, um mês antes da epidemia

A Prefeitura de Dourados vistoriou 4.319 moradias nas aldeias Bororó e Jaguapiru no intervalo de 7 dias e agora prepara um mutirão de limpeza para recolher resíduos sólidos em toda reserva indígena. O trabalho faz parte da força-tarefa desencadeada na reserva indígena para conter a epidemia de chikungunya.
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A Prefeitura de Dourados vistoriou 4.319 moradias nas aldeias Bororó e Jaguapiru em sete dias e identificou 1.004 focos do Aedes aegypti, sendo 90% em caixas d'água, lixo e pneus. A cidade registra 2.088 notificações de chikungunya, com 1.153 casos confirmados. O prefeito Marçal Filho decretou emergência em saúde pública, e a Força Nacional do SUS realizou 1.884 atendimentos clínicos na região.
Segundo a prefeitura, a ação epidemiológica organizada pela Secretaria Municipal de Saúde ocorreu após lideranças locais reclamarem que o Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), órgão da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), estaria encontrando dificuldades para ações preventivas em razão do cancelamento do contrato de locação de veículos usados pelas equipes de saúde.
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No começo de fevereiro de 2026, um mês antes do diagnóstico de epidemia na Reserva Indígena de Dourados, a Secretaria de Saúde já havia feito o bloqueio químico com 3 ciclos de aplicação de inseticida contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da chikungunya.
Em 5 de março, diante do aumento expressivo de casos de chikungunya na reserva, a prefeitura criou uma força-tarefa conjunta com o Governo do Estado, Prefeitura de Itaporã, Sesai, Dsei e lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó, para eliminar criadouros do inseto.
No mesmo dia, a prefeitura divulgou alerta informando que a responsabilidade pela prevenção e combate ao mosquito nas aldeias, bem como de atenção com a saúde primária era do Governo Federal, mas diante da gravidade do problema, a Secretaria Municipal de Saúde havia mobilizado esforços para fazer enfrentamento à epidemia nas aldeias.
Os trabalhos foram iniciados no dia 9 de março sob coordenação do município e chegaram a todas as moradias das aldeias Bororó e Jaguapiru, onde foram realizadas diversas ações preventivas.
Diante da gravidade do problema, no dia 20 de março o prefeito Marçal Filho (PSDB) decretou emergência em saúde pública no município de Dourados em razão da epidemia de febre chikungunya diagnosticada na reserva indígena. A iniciativa repercutiu positivamente entre as autoridades de saúde e de vigilância epidemiológica por ter sido adotada antes de a situação ficar caótica.
O médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, uma das maiores autoridades mundiais em doenças tropicais, elogiou a decisão, observando que o decreto foi assinado quando ainda existia tempo suficiente para evitar o caos em Dourados.
Números – O relatório final do mutirão epidemiológico na reserva indígena apontou que os 86 agentes de endemias e os 29 agentes de saúde indígena estiveram em 4.319 moradias e realizaram tratamento químico de combate ao mosquito em 2.173 delas. O trabalho identificou, ainda, 1.004 focos do Aedes aegypti, sendo que 90% desse total estavam em caixas d'água, lixo e pneus acumulados nos quintais.
O mutirão fez ainda borrifação com máquina costal motorizada em 43 moradias e durante os 7 dias de mutirão foi feita aplicação de inseticida com dois nebulizadores de ultra baixo volume (Leco), tanto na Aldeia Bororó quanto na Jaguapiru. Foram criadas 4 frentes de trabalho mecânico para o bloqueio de casos notificados e para eliminar possíveis criadouros do transmissor, o tratamento de depósitos não eliminados com o larvicida BTI, juntamente com o bloqueio químico.
Força Nacional – Logo após as ações dos agentes de endemias coordenados pela Prefeitura de Dourados, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) iniciou os trabalhos na área de atenção básica. Entre os dias 17 de março e 7 de abril, a Missão Dourados-Chikungunya, composta por 42 profissionais, sendo 29 de equipes em campo, 9 de gestão, 2 de logística e 19 multiprofissionais, realizou 1.884 atendimentos clínicos; 120 remoções para média e alta complexidades; além de 320 visitas domiciliares e 591 coletas de sangue para avaliação de situação epidemiológica.
Conforme a prefeitura, a Missão Dourados-Chikungunya da Força Nacional do SUS está atuando na assistência à saúde; cuidado psicossocial às equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena e apoio na reorganização do fluxo assistencial e manejo, tanto na Bororó quanto na Jaguapiru. No mesmo período, foram atendidas 310 pessoas no Polo Base do Dsei em Dourados e realizadas ações de promoção de saúde a 301 moradores das aldeias.
Até esta terça-feira (7), a situação epidemiológica nas aldeias Bororó e Jaguapiru era de 1.697 casos prováveis, com 1.153 confirmados, 391 descartados e 544 em investigação, totalizando 2.088 notificações que geraram 237 atendimentos hospitalares exclusivamente de pacientes indígenas.

Cidade – Nesta quarta-feira (8), a prefeitura anunciou que o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) intensificou as ações de enfrentamento à chikungunya com a instalação de armadilhas contra o mosquito em regiões com maior incidência de casos na área urbana.
A estratégia prioriza bairros com alta concentração de confirmações da doença, reforçando o monitoramento e o controle do vetor. Todas as ações estão sendo definidas em reuniões diárias do COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), criado na semana passada.
Nas ações mais recentes, as equipes atuaram em 1.314 imóveis, com registro de 15 focos do mosquito. Também foram identificados 196 imóveis fechados e 28 com possibilidade de notificação. Ao todo, 83 criadouros foram tratados.
As ações abrangeram bairros como Terra Dourada, Parque das Nações I e II, Vila Progresso, Jardim Água Boa, Jardim Guaicurus e Harrison de Figueiredo. Além disso, 531 imóveis passaram por borrifação com máquina costal, enquanto 157 quarteirões receberam aplicação de inseticida através do carro fumacê.
O trabalho de fiscalização também resultou em 132 notificações, com previsão de outras 180, além de 427 autos de infração e 24 multas em processo de emissão. São 81 agentes envolvidos nas ações nos bairros, com visitas a pontos estratégicos, como floriculturas, borracharias, cemitérios e ferro-velho, além de atividades de educação em saúde para conscientizar a população a eliminar criadouros do transmissor.
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