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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

02/08/2011 17:28

Prefeitura recolhe 73 mil t de entulho por mês, mas população não aprende

Vinícius Squinelo e Ana Paula Carvalho

Campanha que deveria limpar vias públicas acaba atrasando para limpar lixo da população

Obra do Imbirussu-Serradinho já foi limpa três vezes, segundo secretário de Infraestrutura (foto: João Garrigó)Obra do Imbirussu-Serradinho já foi limpa três vezes, segundo secretário de Infraestrutura (foto: João Garrigó)

Lançada há três meses, a campanha “Mais Trabalho Por Uma Campo Grande Melhor” já atendeu 65% dos bairros da Capital e recolheu 222 mil toneladas de entulhos em Campo Grande em 3 meses, 73,3 mil toneladas por mês.

O problema é que a campanha acaba desviando um pouco de seu objetivo, que é a limpeza das áreas públicas, para acabar com o lixo despejado diariamente nas ruas pela população.

“Nós já recolhemos 22 mil caminhões, cada um de 10 toneladas, de lixo da população. Temos que atender essa demanda, porém a campanha não é mutirão de limpeza, e acabamos atrasando o cronograma para recolher os entulhos”, comentou o secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, João Antônio De Marco.

Ele cita a obra Imbirussu-Serradinho, que será inaugurada nas comemorações do aniversário da cidade, como exemplo. “Já limpei aquela área três vezes, e cada vez que faço isso tenho que atrasar o cronograma de atendimento aos bairros. Fazemos o serviço, e logo depois já jogam entulhos na rua”, relata o secretário.

De Marco lembra que a população abandona geladeiras, sofás, tudo o que pode na rua. “É só verem o caminhão que começam a colocar as coisas na rua. Muitas vezes são terceiros que incitam a essa prática”, explica o secretário. A Campanha visa revitalizar a cidade após as fortes chuvas do início do ano, com cascalhamento das vias não pavimentadas, tapa-buracos, iluminação pública, sinalização de vias, entre outros serviços.

Segundo De Marco, lançamento das obras do aniversário da Capital não irão atrasar (foto: Simão Nogueira)Segundo De Marco, lançamento das obras do aniversário da Capital não irão atrasar (foto: Simão Nogueira)

Imbirussu/Serradinho - Trecho transformado em lixão há pouco tempo, na obra que liga a avenida Duque de Caxias ao Anel Viário, foi descoberto pelas famílias de catadores de lixo e já não adianta qualquer tentativa da prefeitura de limpar o local.

Operador de máquinas de empresa terceirizada que realiza a obra garante que há um mês o entulho foi retirado do local, mas imediatamente a imagem voltou a ser a mesma.

Emerson dos Santos diz que “as pessoas jogam entulho o dia todo”, sem nenhum constrangimento. As carroças com lixo são vistas também pelos moradores constantemente.

“O lixo que esta aqui é recente. Limpamos no mês passado e olha ai como esta de novo”, reclama o operador de máquinas.

Hanielli Silveira Montanha, 68 anos, e a esposa Cecilia Terezinha dos Santos Montanha, 64 anos, confirmam que o lugar é perfeito para quem é catador de recicláveis. Eles trabalham com isso há 20 anos, e no trecho encontram “todo dia tem lixo novo, como papel e plástico”, diz Hanielli.

Como a rua foi aberta, mas ainda não recebeu o asfalto, a população deposita de tudo na via de terra, que fica no bairro Tijuca.

A campanha “Mais Trabalho Por Uma Campo Grande Melhor” prevê ações da Prefeitura Municipal e deve continuar por mais tempo, segundo De Marco, sem custos adicionais. “Todo o gasto da campanha já estava incluso no orçamento da cidade”, comentou o secretário.

Casal de catadores recolhia entulho na tarde de hoje.Casal de catadores recolhia entulho na tarde de hoje.

A faixa de cerca de 500 metros tem lixo doméstico, mas a maioria é resto de construção de casas na região. Também é possível sentir o cheiro de animais mortos e perceber que para diminuir a quantidade de entulho pessoas atearam fogo.

Os moradores dizem que o lixo começou a ser jogado assim que as máquinas retiraram a vegetação para abrir a avenida do complexo Imbirussu/Serradinho.

Há um mês, a prefeitura notificou a empresa responsável pela obra para dar fim ao entulho, sob ameaça de multa, mas tudo voltou a ser lixo no trecho.

Mauro Freitas, de 68, na tarde de hoje recolhia madeira para construir carrinhos e depois vender. No local, o que não falta é matéria prima para o artesanato do aposentado. “É o meu sustento”, confirma.

Eliel de Oliveira, de 35 anos, mora a cerca de 50 metros do mais novo lixão da cidade. Ele reclama que virou foco de doenças e até refugio de bandidos.

A vizinha, Mara Kotarski, de 32 anos, conta que depois que o trecho foi aberto, um homem entrou na casa dela, furtou vários produtos e fugiu quando a família acordou. “Ele estava escondido nesse lixão”. Hoje ela vive na casa cercada por cacos de vidros nos muros, mas , conta, com cacos de vidro, mas diz que não sai mais depois das 20h.

Fora isso, Mara reclama de animais mortos, fogo no lixo ateado por vizinhos e dengue, doença que há 5 meses deixou Mara de molho na cama, apesar de exibir um quintal limpinho nos fundos da casa onde mora.

Aniversário da Capital- Antônio de Marco esclareceu que as recentes chuvas que chegaram a Campo Grande não irão atrasar as entregas das obras previstas para o aniversário da cidade.

“Não estamos na época de chuvas torrenciais, então não iremos atrasar a programação. Além de tudo, as obras já estão prontas para serem entregues”, explica De Marco.



a população tem sua parcela de culpa, porem a prefeitua não demarca ponto de recolhimento de lixo , ves que o caminhao que recolhe o lixo da cidade, não carrega todo tipo de lixo, se uma pessoa faz uma pequena reforma em sua casa e retira 200 kilos de lixo, onde vai depositar ? .caberia a prefeitura demarcar em todas as vila um lugar para que as pessoas depositacem esse lixo , e constatemente caminhoes os recolhecem, acredito que iria dar certo .só falta boa vantade dos administradores.
 
edilto soares de araujo em 03/08/2011 10:06:16
Esse lixo que é recolhido não é lixo doméstico, são entulhos de construções, móveis e eletrodomésticos antigos, além de podas e restos de árvores. Aqui no meu bairro e em muitos outros, as pessoas simplesmente jogam esse lixo bem no meio da rua e muitas vezes quem espalha o boato de que é pra jogar é o próprio presidente de bairro, para pressionar a prefeitura a limpar e ele ganha popularidade... Dai pode se reeleger presidente de bairro, tentar a carreira de vereador... Para 780 mil pessoas, do "mamando ao caducando" e já que esse não é nosso lixo doméstico, mas sim entulhos que as próprias pessoas devem dar destinação, acho que é muita coisa, principalmente porque isso revela o espírito de porco do campo-grandense.
 
Marcos Roberto de Almeida Sandim em 03/08/2011 09:34:15
Se dividirmos 73 mil toneladas por, imagino eu, aproximadamente 800.000 habitantes, temos, mensalmente, cerca de 91 quilos de entulho, por pessoa, de "mamando a caducando". Gostaria que alguem que tenha essa estatística nos esclarecesse para que pudéssemos formar opinião sobre o assunto.
 
Rogério Ferraz em 02/08/2011 08:42:00
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