Projeto ensina alunos com deficiência a andar de bicicleta, primeiro sem pedais
Detran iniciou neste mês uma iniciativa na Associação Juliano Varela, em Campo Grande

O Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) iniciou neste mês de maio um projeto que ensina autonomia, equilíbrio, percepção espacial e noções de trânsito e cidadania a crianças e adolescentes com deficiência.
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O Detran/MS lançou em maio o projeto "Autonomia em Movimento", que ensina noções de equilíbrio e trânsito a crianças com deficiência intelectual, autismo, síndrome de Down e paralisia cerebral da escola Juliano Varela, em Campo Grande. Usando bicicletas sem pedais, a iniciativa visa desenvolver autonomia e segurança nos alunos, beneficiando famílias em vulnerabilidade social que dependem da bicicleta como principal meio de transporte.
Os primeiros atendidos são os estudantes da escola da Associação Juliano Varela, em Campo Grande. Eles têm deficiência intelectual, TEA (transtorno do espectro autista), síndrome de Down e paralisia cerebral leve.
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A bicicleta sem pedais é a ferramenta utilizada. Algumas unidades foram compradas pelo órgão e adaptadas com a retirada dos pedais. Só participam os alunos que têm altura a partir de 1,20 m, compatível com o tamanho das bicicletas.
Primeiras experiências - Um dos aprendizes é Brayan Felipe, que tem autismo nível 1 e já pratica natação. A avó, Marilene Aparecida Neves, acompanhou o menino na primeira aula e compartilhou todo o processo em vídeos enviados à filha, que é mãe dele.
Outra aluna é Clara Cardoso, filha de Edina Francis Cardoso. As duas sonham com o momento em que a menina vai aprender a andar de bicicleta. Há anos, o maior obstáculo é o equilíbrio. “Já houve muitas tentativas”, desabafa a mãe. “A gente já buscou várias pessoas para ensinar, mas nada dava certo. É uma grande frustração para a Clara, porque ela quer andar na rua", completa.
Michele Cruz, coordenadora da Associação Juliano Varela, explica que o projeto impacta positivamente famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas, que não teriam condições de pagar por aulas de bicicleta. Inclusive, muitas delas têm na bicicleta o seu principal e único meio de transporte no dia a dia.
"Hoje a gente proporciona esse acesso, de poder se locomover, vir às terapias. O transporte público é pago pelas famílias. Às vezes, os assistidos faltam na terapia por conta do financeiro mesmo. Além de realizar esse sonho, a gente está proporcionando mais autonomia para ir e vir e gerar confiança nos nossos alunos", diz a coordenadora.
Ideia - Chamado de “Autonomia em Movimento: Formação Inclusiva para a Mobilidade Segura”, o programa foi criado pela gestora de Educação para o Trânsito do Detran/MS, Elijane Coelho.
A idealizadora explica que o trabalho exige paciência e afeto, além de conhecimento da filosofia do "bicicletar".
O foco é estimular o equilíbrio sobre duas rodas, passo anterior a aprender a pedalar. "Porque andar de bicicleta não significa necessariamente pedalar. Andar de bicicleta significa equilibrar-se sobre duas rodas em movimento. Essa é a primeira fase”, explica a gestora.
A proposta é prepará-los para o mundo. “O importante nesse momento é a gente ter a compreensão dos benefícios que a bicicleta traz no desenvolvimento global da pessoa. Tanto no equilíbrio, no controle motor, nas relações sociais, na percepção de si mesmo e do mundo ao seu redor. Vai contribuir para um melhor desenvolvimento dessa pessoa também no trânsito, enquanto pedestre, enquanto ciclista, enquanto passageiro. Todo esse desenvolvimento colabora para que essa pessoa se sinta mais segura, tenha um comportamento mais seguro no trânsito desde já", resume.
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