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Capital

Quase 5 anos depois, começa júri de coronel que matou marido

Adiado por conta da pandemia, júri acontece hoje e Itamara vai ficar cara a cara com pais do major

Por Paula Maciulevicius, Geisy Garnes e Aletheya Alves | 23/06/2021 08:32
Itamara falou do crime pela primeira vez em 2019, três anos depois da morte, na saída da corregedoria da PM. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)
Itamara falou do crime pela primeira vez em 2019, três anos depois da morte, na saída da corregedoria da PM. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)

Quase cinco anos depois da morte do major Valdeni Lopes Nogueira, de 45 anos, a esposa dele, Itamara Romeiro Nogueira, de 44 anos, começa a ser julgada pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande nesta quarta-feira (23). Em 12 de julho de 2016 a tenente-coronel atirou no marido durante uma briga na casa em que moravam, no Bairro Santo Antônio.

O júri deveria ter acontecido em junho do ano passado, mas na ocasião, a pandemia do coronavírus suspendeu atividades presenciais do Poder Judiciário e a data foi reagendada para esta quarta-feira, dia 23 de junho de 2021, com várias medidas de restrição para impedir a contaminação do Covid-19.

Advogado desde o início do caso, José Roberto Rodrigues da Rosa adiantou que a defesa vai seguir o proposto desde o primeiro momento, de que a tenente-coronel atirou para se defender das agressões.

Advogado, José Roberto Rodrigues da Rosa vai seguir a mesma linha defendida desde o crime: Itamara atirou em legítima defesa. (Foto: Marcos Maluf)
Advogado, José Roberto Rodrigues da Rosa vai seguir a mesma linha defendida desde o crime: Itamara atirou em legítima defesa. (Foto: Marcos Maluf)

"Participamos da reconstituição e vamos levar à frente a linha trazida de que ela se defendeu da agressão e que naquela data houve peculiaridades que fizeram com que ela tomasse a iniciativa de atirar. Ele estava indo em direção à caminhonete para pegar a arma e ceifar a vida dela", falou o advogado.

Os pais do major Valdeni Lopes Nogueira não quiseram falar com a imprensa. Eles devem acompanhar todo o júri ao contrário da família de Itamara. Segundo o advogado, a tenente-coronel abriu mão de trazer os familiares por conta da pandemia. A defesa disse que a filha do casal segue fazendo acompanhamento psicológico.

Além da obrigatoriedade de máscara e distanciamento, o número de pessoas no plenário também é limitado, apenas algumas pessoas da família e profissionais da imprensa, que devem fazer revezamento para acompanhar o julgamento.

No banco dos réus, Itamara deve repetir a versão do crime contada ao Campo Grande News em novembro de 2019, quando foi julgada administrativamente pela Corregedoria da Polícia Militar e condenada a aposentadoria compulsória: de que o tiro foi consequência de anos de agressões físicas e psicológicas.

Em depoimento, a tenente-coronel afirmou ter atirado após ser agredida com socos e ameaçada de morte pelo marido.

Itamara matou Valdeni em julho de 2016. Tenente-coronel alega que agiu em legítima defesa. (Foto: Reprodução/Facebook)
Itamara matou Valdeni em julho de 2016. Tenente-coronel alega que agiu em legítima defesa. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Queria deixar uma mensagem para as mulheres que tiverem me ouvindo, independente do cargo que exerçam, independente de onde estão, sejam donas de casa ou não, se libertem dessas prisões que encarceram psicologicamente e que podem muitas vezes, levar a uma tragédia como foi a minha. Porque se eu tivesse me libertado há muito tempo atrás talvez eu não estivesse aqui hoje”, disse na época.

Sobre o dia de hoje, José Roberto diz que virá à tona todo o sofrimento vivido à época da morte e junto deste sentimento, ele e a cliente levantarão a bandeira contra as agressões feitas às mulheres.

"Vemos um aumento da violência contra a mulher. Mulheres que são mortas por ex-maridos e não reagem. Acredito que isso seja um marco para a sociedade ver que a mulher precisa reagir", enfatizou o advogado.

Itamara, nas palavras de José Roberto, está tirando forças para entrar no tribunal e reviver todo o acontecido.

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