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Capital

Réus em esquema de desvio de cocaína, irmãos são procurados pela Justiça

Carlos Alberto e Paulo Sérgio figuram como alvos da Infiltrados, que prendeu o delegado Hoffman D´Ávila

Por Ana Paula Chuva | 06/11/2026 11:11
Réus em esquema de desvio de cocaína, irmãos são procurados pela Justiça
Mensagens trocadas entre Carlos e um contato não identificado (Foto: Reprodução)

A Justiça de Campo Grande publicou edital para localizar os irmãos Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duarte, réus por tráfico de drogas e associação para o tráfico no âmbito da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no dia 24 de setembro, que teve entre os presos o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa.

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A Justiça de Campo Grande publicou edital para citar os irmãos Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duarte, foragidos e réus por tráfico de drogas e associação para o tráfico na Operação Infiltrados, do Gaeco. Eles têm 15 dias para a citação e, depois, 10 dias para apresentar resposta escrita. O esquema desviava drogas apreendidas por policiais, incluindo o delegado Hoffman D´Ávila Cândido e Sousa, e teria movimentado ao menos 637 quilos. A denúncia alcança 23 pessoas.

Os dois estão em local incerto ou não sabido e têm prazo de 15 dias para citação formal no processo e, conforme edital da 8ª Vara Criminal, publicado em 4 de novembro, os irmãos deverão apresentar resposta escrita à acusação em até 10 dias após o término do prazo de citação. A denúncia atribui a eles crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes e à associação para o tráfico.

Carlos Alberto e Paulo Sérgio aparecem entre os quatro investigados apontados pelo Gaeco como integrantes da organização criminosa. O grupo também incluía Kayon Lucas Leodoro da Silva e Eberthe Batista de Almeida.

Segundo o Gaeco, uma carga relacionada aos dois foi monitorada por integrantes do esquema com o uso de rastreador GPS, conhecido como “carrapato”. O dispositivo permitia acompanhar o deslocamento do veículo que transportava a droga e escolher o momento de uma possível abordagem policial.

A investigação apontou que o grupo utilizava recursos da própria estrutura de segurança pública para monitorar carregamentos e traficantes. Além dos rastreadores, eram feitas consultas a sistemas restritos, como Infoseg e Córtex, e até vigilância com drones. Os nomes de Carlos Alberto e Paulo Sérgio apareceram entre os alvos de consultas nos sistemas policiais.

O advogado Jefferson Nascimento Bezerra, que atua na defesa dos irmão pediu a revogação da prisão preventiva de ambos. Ele sustenta que a medida perdeu qualquer respaldo legal diante da superveniência da denúncia e da ausência de contemporaneidade nos supostos fatos investigados, cujos registros remontam a 2025.

"Além disso, a juntada da ata notarial comprova de forma inequívoca que os investigados foram vítimas de coação e ameaças extorsivas por parte de agentes públicos para forjar apreensões, o que contamina todo o acervo probatório e evidencia a total ausência de justa causa para a manutenção da custódia. Diante disso, os advogados pleiteiam a revogação imediata das prisões preventivas ou, subsidiariamente, a aplicação de medidas cautelares alternativas", pontua o defensor.

Como prova de que os irmãos eram vítimas de extorsões, a defesa anexou ao processo prints de conversas de WhatsApp e capturas de tela do celular de um dos investigados. As imagens mostram o registro de chamadas e mensagens trocadas com um contato comercial.

Nas conversas, enquanto o interlocutor faz cobranças sobre a rotina e movimentações, o investigado rebate as acusações, afirma estar "quebrado financeiramente", citando que seus veículos são financiados e que sua vida estava voltada para os estudos, e relata temer ser alvo de armações.

Operação Infiltrados - Deflagrada em 24 de setembro, a Operação Infiltrados investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais civis, militares e um policial penal. Segundo o Gaeco, os entorpecentes eram retirados de ocorrências ou de depósitos policiais e repassados a traficantes para serem vendidos novamente.

O delegado Hoffman, ex-titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), é apontado como liderança institucional do esquema. Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, seria o responsável por fazer a ligação entre os policiais e os traficantes.

A investigação aponta que pelo menos 637 quilos de drogas teriam sido desviados. A denúncia do Ministério Público alcançou 23 pessoas, com acusações que incluem organização criminosa, tráfico de drogas, peculato-desvio, corrupção e lavagem de dinheiro.

Nesta quinta-feira (5), a Justiça de Mato Grosso do Sul recebeu a denúncia do Gaeco contra o delegado Hoffman, outros 11 policiais e mais 12 investigados na Operação Infiltrados. Com a decisão, os denunciados passaram a responder a uma ação penal em Campo Grande.


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