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Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

06/08/2019 20:37

Santa Casa enfrenta "operação-tartaruga" de médicos em 6 áreas

Hospital quitou salário dos profissionais celetistas nesta terça, mas autônomos ainda estão com valores em atraso

Marta Ferreira
Corredor da Santa Casa, maior hospital do Estado, que  enfrenta problemas com atraso no pagamento dos médicos há meses.  (Foto: Paulo Francis)Corredor da Santa Casa, maior hospital do Estado, que enfrenta problemas com atraso no pagamento dos médicos há meses. (Foto: Paulo Francis)

Maior hospital e também foco frequente de notícias sobre a eterna crise da saúde pública em Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande pagou nesta terça-feira (6) o salário dos 305 médicos celetistas - evitando ameaça de paralisação que vem ocorrendo todos os meses - mas ainda precisa conter uma sangria. É que, com atrasos no pagamento rotineiros, os médicos sem carteira assinada estão há pelo menos 30 dias em espécie de “operação-tartaruga”, como protesto por atraso no recebimento de valores.

A reportagem apurou que restrições no atendimento estão ocorrendo em pelo menos seis especialidades: urologia, cirurgia torácica, cirurgia pediátrica, cardiologia, oftalmologia e ortopedia. Nesta última, a informação levantada junto a parentes de pacientes internados é que há pessoas esperando cirurgias há 10, 12 dias, em razão da não realização dos procedimentos eletivos, considerados não urgentes.

A Santa Casa é referência na área de ortopediaq e recebe, hoje, a quase totalidade dos pacientes necessitados de procedimentos ortopédicos na cidade, sem contar os de interior. Só os casos urgentes estão sendo atendidos rapidamente. No setor, constatou a reportagem, chegou a haver 70 pessoas num único dia.

O serviço de urologia também não está marcando cirurgias. Nem mesmo transplantes, um dos procedimentos em que os especialistas da área atuam. Só estão sendo feitas captações, conforme apurado pela reportagem.

Entre os cirurgiões torácicos, há outro problema: eles reclamam há vários meses da necessidade de formalizar o contrato com o corpo clínico, de cinco profissionais, mas ainda não houve avanço. Esse grupo de médicos fez, só ano passado, mais de 1,3 mil cirurgias eletivas e outras 96 de urgência.

Débito e crédito – Um médico ouvido pela reportagem disse que tinha três meses para receber em serviços prestados. De acordo com ele, nem metade disso foi pago. O hospital tem priorizado os celetistas, cuja folha passa de R$ 2 milhões. Os autonomos, porém, representam 70% do quadro de Medicina no estabelecimento.

O hospital atribui a dívida aos atrasos nos repasses feitos pela prefeitura de Campo Grande, previstos em convênio para atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No fina de junho, quando chegou a ser anunciada paralisação dos médicos celetistas, o valor acumulado era de R$ 16 milhões. Neste mês, segundo informação do presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), mantenedora da instituição, esse montante estava em R$ 12 milhões, R$ 7 milhões referentes ao Hospital do Trauma, inaugurado no ano passado.

O MP-MS está monitorando a situação e intermediando as tentativas de acordo. Em junho, foi depois de uma reunião na promotoria que fiscaliza a área que a greve dos médicos foi evitada graças ao repasse feito pela Santa Casa. Mas os médicos prestadores de serviço ainda ficaram com atrasos.

Na semana passada, nova reunião foi feita, com a participação da direção do hospital, de representante da prefeitura e da promotoria e ficou decidido um calendário de repasses.

Por esse calendário, ontem foram repassados em torno de R$ 2,9 milhões ao hospital e no dia 13, último prazo, devem ser repassados mais R$ 2 milhões. Com isso, a Santa Casa pretende quitar a dívida com os médicos com quem não tem vínculo de patrão e empregado, segundo informou a assessoria de imprensa.

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