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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

02/11/2012 10:50

Saudade traduzida em carinho e lágrimas leva multidão a cemitérios

Aline dos Santos e Viviane Oliveira
No Dia de Finados, Cruzeiro deve receber seis mil visitantes. (Foto: Rodrigo Pazinato)No Dia de Finados, Cruzeiro deve receber seis mil visitantes. (Foto: Rodrigo Pazinato)

A saudade levou uma multidão aos cemitérios de Campo Grande neste Dia de Finados. As boas lembranças de quem já disse adeus eram traduzidas em flores, lágrimas e carinho.

No Santo Amaro, maior cemitério da cidade, a data repete uma tradição. Todos os anos, a dona de casa Ivone Rose Silva, de 52 anos, e a filha adotiva Fernanda, de 20 anos, visitam o túmulo de Alcindina, mãe biológica da jovem.

Fernanda ficou órfão quando tinha apenas 11 meses. A vida lhe deu Ivone. “Ela me passou isso, a importância de vir ao cemitério, trazer flores, limpar o túmulo”, conta.  Ivone diz que passou para os filhos os mesmos valores que aprendeu na infância. “Ir ao cemitério era tradição, a família inteira vinha. Hoje, aos poucos, isso está se perdendo. Só vem as pessoas com mais idade”, afirma.

Hoje, o Santo Amaro deve receber 30 mil visitantes. Com 37.141 covas, o local abriu às 5h e só fecha às 20h. De acordo com o auxiliar administrativo Joel Juerke, ontem, 10 mil pessoas passaram pelo cemitério.

O tamanho do público garante um clima de agitação e cenas inusitadas, como uma parada na limpeza do túmulo para dividir pão e refrigerante entre os familiares. A faxina foi o primeiro compromisso do dia para muita gente.

Caso da comerciante Elizângela Bacani, de 39 anos. Ela acordou cedo para limpar o túmulo do sogro. Enquanto o marido podava os pingos de ouro, ela recolhia os arbustos. “Como bom brasileiro, deixa tudo para última hora. Viemos cedo para fazer a limpeza. O resto da família já vai pegar o lugar limpo”, conta.

A avenida Presidente Vargas, em frente ao cemitério, foi interditada pela Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). A passagem só é liberada para ônibus e veículos com idosos.  

 

Com a mãe adotiva, Fernanda (à esquerda) leva flores para a mãe biológica. (Foto: Rodrigo Pazinato)Com a mãe adotiva, Fernanda (à esquerda) leva flores para a mãe biológica. (Foto: Rodrigo Pazinato)

O trânsito que mata – Um acidente em 2005 tornou Camila Insfran, de 18 anos, presença constante no cemitério São Sebastião, mais conhecido como Cruzeiro. Sentada no túmulo e chorando, ela acariciava a foto do irmão Mário, que morreu aos 19 anos em acidente de moto. “Venho para lembrar os bons momentos que a gente viveu”, conta, ao lado do túmulo limpo e florido.

Hoje, o cemitério do Cruzeiro deve receber seis mil pessoas. Com a passagem dos visitantes, o cenário é de muita sujeira, com sacolas e papéis jogados no chão. Na avenida coronel Antonino, agente das Agetran colocaram cones cem metros antes e depois da entrada do cemitério. O recurso é para que os motoristas reduzam a velocidade. Os agentes monitoram a faixa de pedestre.

Dentro do cemitério, dois funcionários da prefeitura auxiliam na localização dos túmulos. Com o nome da pessoa, o computador mostra o local do sepultamento. Também é possível fazer a consulta de casa. A pessoa deve acessar o site http://www.pmcg.ms.gov.br/ e clicar no link consulta de jazigo.

No Cruzeiro, as duas caixas de água, que comportam seis mil litros, são abastecidas com caminhão-pipa. A água é usada, principalmente, na limpeza dos túmulos. A direção informou que retirou as torneiras para evitar o desperdício. No começo, houve reclamação, mas depois as pessoas buscavam o líquido diretamente dos reservatórios.

Daqui 20 anos - No cemitério Memorial Park, na avenida das Nações, José Estácio da Silva, de 73 anos, levou flores branca para o túmulo da nora. “Fui criado com esse costume. Quando não venho, é como se estivesse faltando alguma coisa. É uma maneira de demonstrar carinho para quem se foi”.

O aposentado se mostra preocupado com o esquecimento da tradição. “Na nossa época, os pais levavam a família. O que me preocupa são os jovens de hoje. Daqui 20 anos, tomara que os cemitérios não estejam vazios”. 

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