Show cancelado da Lagum na Capital vira inquérito por falta de reembolso
Arrecadação com ingressos somou quase R$ 89 mil, segundo ticketeria
Além de decepção entre os fãs, o cancelamento do show da banda Lagum que ocorreria em 8 de março deste ano, em Campo Grande, gerou prejuízo com a não restituição de boa parte dos valores dos ingressos comprados antecipadamente. O caso chegou ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e vira inquérito civil seis meses depois.
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Foram vendidas 679 entradas que custaram entre R$ 80 (meia-entrada, no primeiro lote) e R$ 280 (inteira, no quarto lote), segundo informou a ticketeria Bilheteria Digital Promoção e Entretenimento Ltda ao órgão. A empresa foi a responsável pelas vendas.
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O valor total arrecadado foi de R$ 88.900,00. Do total, apenas 73 haviam sido restituídos até 9 de junho, também de acordo com a Bilheteria.
Foram feitas 41 denúncias ao Procon/MS (Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor), ainda conforme apurou o MPMS.
"Justa causa" - A Lagum se apresentaria no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, na Capital, após shows em Rondonópolis (MT) (6 de março) e Cuiabá (7 de março). As três apresentações foram canceladas. A banda receberia R$ 40 mil por apresentação.
As justificativas, foram "questões operacionais e contratuais alheias à vontade da produção e dos artistas”, segundo nota divulgada três dias antes do evento marcado em Campo Grande.

O grupo foi contratado pela empresa LPV Business Ltda, de Cuiabá, que agendou os três shows e ficaria responsável por toda a estrutura dos eventos, incluindo locação, iluminação e som, por exemplo. Procurada pela reportagem, ela não se manifestou até o fechamento da matéria.
O Campo Grande News falou hoje (9) com o empresário da Lagum, Ricardo Chantilly. Ele explicou que os cancelamentos foram "por justa causa" diante de compromissos "não honrados pela contratante", a LPV.
Segundo ele, houve um calote. "Não recebemos nenhum centavo por parte da contratante ou da ticketeira. A banda foi lesada, pois foi contratada para fazer esses três shows por contratante que não pagou a Lagum e nem os fornecedores. Não honrou nenhuma obrigação", detalhou.
Ingressos - Tudo o que foi arrecadado com a venda de ingressos teria que ser restituído pela própria Bilheteria diretamente aos clientes, porém, de acordo com manifestação anexa ao inquérito, o contrato entre a empresa e a LPV previa a antecipação dos valores para viabilizar a realização do evento.
"Dessa forma, os recursos provenientes da comercialização dos ingressos foram repassados à LPV Business LTDA nos moldes contratualmente ajustados, permanencendo com a Bilheteria Digital apenas os valores correspondentes à remuneração pelos serviços tecnológicos efetivamente prestados", registrou.
A reportagem também pediu posicionamento à ticketeria, mas não recebeu resposta até esta publicação. Os valores ainda restantes para restituição também não foram divulgados.
A banda - A Lagum é uma banda de pop e rock alternativo formada em Belo Horizonte (MG), em 2014, que ganhou projeção nacional pela música “Deixa”, lançada em 2018.
Um dos principais reconhecimentos da trajetória veio com o Grammy Latino. A Lagum acumula duas indicações na categoria Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa. A primeira ocorreu em 2022, com “Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)”.
A banda voltou à disputa do Grammy Latino em 2024, desta vez com “Lagum Ao Vivo”, novamente na categoria de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa.
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