MP quer “disputa” para arrendar frigorífico, com valor a partir de R$ 200 mil
A Justiça decretou a falência da unidade em Sidrolândia em 20 de agosto
Diante da polêmica sobre o arrendamento do Balbinos Agroindustrial Ltda., frigorífico que fica em Sidrolândia e teve a falência decretada em 20 de agosto, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) quer abertura de prazo para que os interessados apresentem proposta de locação. O valor mínimo de referência seria de R$ 200 mil.
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu abertura de prazo para interessados apresentarem propostas de arrendamento do frigorífico Balbinos, em Sidrolândia, com falência decretada em agosto, fixando valor mínimo de R$ 200 mil mensais. A administradora judicial já firmou contrato com a Beauvallet Goiás Alimentos por R$ 150 mil, valor 33% inferior ao ofertado pela RKO Alimentos, gerando questionamentos de credores e da defesa da empresa falida.
“Este órgão ministerial entende que a solução mais adequada, levando-se em conta a urgência que o caso requer, o que dificulta a exigência de laudo de avaliação do valor locativo, neste momento, é a abertura de prazo exíguo para que os interessados apresentem proposta de locação, adotando-se o valor de R$ 200.000,00 mensais como referência mínima, exigindo-se que as propostas sejam acompanhadas de documentos que comprovem capacidade financeira, experiência na operação de frigoríficos e compromisso no depósito imediato da garantia”.
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A manifestação é assinada pela promotora Tathiana Correa Pereira da Silva. O Ministério Público é favorável à formação de um comitê de gestores.
Apesar de uma proposta de arrendamento por R$ 200 mil, apresentada pela RKO Alimentos Ltda., a administradora judicial alugou o frigorífico por R$ 150 mil mensais. Numa massa falida em que o objetivo é preservar valor para pagar credores, a diferença de 33% a menos é considerada prejudicial.
Histórico - Em 24 de agosto, a Ourives & Marques Advogados e Consultores, mantida como administradora judicial, apresentou nos autos a proposta de arrendamento da Beauvallet Goiás Alimentos Ltda., braço brasileiro do Grupo Beauvallet, sediado na França, que opera unidade industrial própria em Inhumas (GO).
A proposta previa o arrendamento imediato da planta pelo prazo de 180 dias, mediante pagamento mensal de R$ 150 mil. A primeira parcela seria paga no ato da assinatura do contrato e as demais a cada 30 dias.
No dia seguinte, 25 de agosto, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, da Vara Regional de Falências, Recuperações e de Cartas Precatórias Cíveis em Geral de Campo Grande, determinou que as partes e o Ministério Público se manifestassem no prazo de cinco dias sobre o arrendamento. Mas o prazo não foi respeitado.
Na mesma data, porém, foi assinado o contrato entre a administradora judicial e a Beauvallet Goiás Alimentos. O documento, posteriormente anexado ao processo, fixou o arrendamento em R$ 150 mil por mês pelo prazo de 180 dias. A empresa também depositou caução de R$ 450 mil, correspondente a três parcelas.
Nesta quarta-feira (dia 9), a defesa do frigorífico informou que tomou conhecimento da manifestação do MPMS e entende que se trata de tema que deverá ser analisado pelo juiz do processo.
"A Balbinos apresentará suas considerações nos autos, pelos meios processuais adequados. Reiteramos que a decretação da falência é objeto de recurso pendente de julgamento perante o Tribunal de Justiça e que a defesa permanece confiante na apreciação das questões submetidas à instância revisora. Por respeito ao processo e às partes envolvidas, não faremos comentários adicionais neste momento", afirma o advogado Lucas Mochi.
Pela administradora judicial, o advogado Guilherme Ourives afirmou ao Campo Grande News, em 28 de agosto, que havia urgência em manter a planta frigorífica em funcionamento com uma empresa que tivesse condições de operar o espaço, porque máquinas e equipamentos poderiam sofrer deterioração pela falta de uso.
O frigorífico foi aberto em 8 de junho de 2010 e relatou ao Poder Judiciário enfrentar uma severa crise econômico-financeira. Dentre os motivos, a defesa informou endividamento ao investir mais de R$ 50 milhões na melhoria da planta abatedora e da câmara fria; alta dos juros e da volatilidade cambial; e até mesmo a diversificação econômica no Estado, como produção de biocombustíveis e o avanço de pomares de laranjas e eucalipto.
Em outubro do ano passado, a empresa apontou que as dívidas chegavam a R$ 120.849.519,51.
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