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Capital

Sinal de colapso: Hospital Regional agora prioriza internação de mais jovens

Famílias imploram por vagas que não existem e regra "de guerra" é salvar o maior número de vidas possíveis

Por Anahi Zurutuza | 04/06/2021 13:06
Pacientes internados em UTI do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande (Foto: HRMS/Divulgação)
Pacientes internados em UTI do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande (Foto: HRMS/Divulgação)

Com todos os 281 leitos ocupados e 15 pacientes intubados fora dos CTIs (Centros de Terapia Intensiva), o HR (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), referência no atendimento à covid-19 em Campo Grande, precisou suspender a entrada de novos pacientes pela terceira vez durante a pandemia. A medida extrema aconteceu na noite de anteontem (2) e foi necessária para que a rede de abastecimento de oxigênio não sobrecarregasse.

De “portas abertas” novamente, o colapso obrigou o Comitê Operacional de Emergência do hospital a tomar outra decisão radical, a de escolher quais pessoas vai internar. O protocolo de triagem leva em consideração quem ter mais chances de sobreviver à covid-19 – pacientes com mais anos de vida e em situação menos grave.

“É um protocolo que atende a princípios éticos e bioéticos. A gente até evita de falar, porque é difícil para alguém que está com um familiar esperando por uma vaga entender, mas não existe mais o individual. A regra é salvar o maior número vidas possível. É uma guerra. O soldado que está mais ferido é deixado para depois. É terrível. Mas, se pensar em outra perspectiva, os mais jovens vão deixar dependentes, toda uma família desassistida”, tenta explicar a diretora do HR, Rosana Leite de Melo.

O caos provocado pela terceira onda da pandemia atingiu em cheio a família de Tânia Mara Martins da Silva, 57. Com o filho de 38 anos internado e intubado no Hospital Regiona, há mais de 10 dias, ela tenta vaga para a mãe, de 82 anos, intubada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida, sem acesso aos tratamentos adequados.

No dia 28 de maio, ela conseguiu liminar que obriga a Prefeitura de Campo Grande transferir a paciente para um hospital, mas desde então, sempre que uma vaga surge, é preenchida por outro paciente mais jovem. “Os rins da minha mãe começaram a falhar, ela precisa de hemodiálise. Ela vai morrer à míngua”.

Edilaine Nery de Araújo, 40 anos, também viveu o desespero de temer a morte da mãe Maria das Dores de Araújo, 57 anos, sem assistência. A mulher estava intubada com suspeita de covid-19 na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Santa Mônica até a noite ontem (3). A espera por vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) durou mais de 120 horas até que ela fosse transferida para hospital particular da Capital.

Até o início da tarde de dessa quinta-feira (3), eram 90 pacientes internados em postos de saúde de Campo Grande esperando vagas em hospitais. O número ainda não foi atualizado.

Conforme boletim epidemiológico da SES (Secretaria Estado de Saúde), divulgado no fim desta manhã, 1.303 pessoas estão internadas hoje em Mato Grosso do Sul com a covid e a taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em Campo Grande está em 107%. A situação é tão dramática que pacientes começaram a ser transferidos para outros estados.

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