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Capital

Só 34% dos homens que batem em mulher concluem curso obrigatório

Em um ano, Programa Recomeçar teve 128 encaminhados pela Justiça e 43 concluintes

Por Gustavo Bonotto | 07/01/2026 21:58
Só 34% dos homens que batem em mulher concluem curso obrigatório
Mulher exibe hematomas e ferimentos. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Apenas 43 dos 128 homens encaminhados pela Justiça concluíram o Programa Recomeçar, curso obrigatório para autores de violência doméstica em Campo Grande. Os dados constam em suplemento publicado nesta quarta-feira (7) no Diogrande (Diário Oficial do Município). O balanço reúne informações do período entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025.

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Em Campo Grande, apenas 34% dos homens encaminhados pela Justiça concluíram o Programa Recomeçar, curso obrigatório para autores de violência doméstica. Dos 128 participantes designados entre agosto de 2024 e julho de 2025, somente 43 completaram os 16 encontros presenciais exigidos. O perfil predominante dos participantes é de homens entre 33 e 40 anos, com renda mensal entre R$ 2.001 e R$ 5.000. A maioria se declarou parda (57,4%), e 63,1% informaram consumir bebidas alcoólicas. Entre os concluintes, a avaliação do programa foi positiva, especialmente sobre temas como Lei Maria da Penha e machismo estrutural.

No intervalo de um ano, o Judiciário determinou que 128 homens participassem das atividades realizadas na Capital. O programa prevê 16 encontros presenciais, organizados em grupos e com frequência obrigatória. Do total de encaminhados, 85 não chegaram ao fim do curso.

A taxa de conclusão ficou em aproximadamente 34%, segundo os dados oficiais divulgados pela Prefeitura. Isso significa que quase dois em cada três participantes abandonaram o ciclo completo de atividades. O suplemento não indica redução gradual da evasão ao longo do período analisado.

De acordo com o relatório, os principais motivos para a evasão foram abandono, revogação de medidas judiciais e prisão dos participantes. O documento também aponta incompatibilidade com horário de trabalho e dificuldade de contato, já que alguns homens trocaram número de telefone durante o acompanhamento. A Prefeitura não detalhou quantos casos se enquadram em cada situação.

O Programa Recomeçar é executado pela Semu (Secretaria Executiva da Mulher) como política municipal de enfrentamento à violência doméstica. Os homens não ingressam de forma voluntária e participam por determinação judicial. As atividades seguem cronograma definido pela administração municipal.

O levantamento traça o perfil social dos participantes atendidos no período analisado. A faixa etária predominante foi de 33 a 40 anos, que concentrou 29,8% dos homens encaminhados. Em relação à renda, 47,7% declararam ganhos mensais entre R$ 2.001 e R$ 5.000.

Quanto à raça e cor, 57,4% dos participantes se declararam pardos. A soma de pretos e pardos alcançou 70,2%, conforme classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O relatório aponta ainda que 63,1% informaram consumo de bebida alcoólica.

Entre os homens que concluíram o curso, a avaliação dos encontros foi majoritariamente positiva. A maioria classificou os conteúdos como bons ou ótimos, com destaque para os temas Lei Maria da Penha, machismo estrutural e relações de poder. No eixo Relações de Poder e Controle, 100% consideraram o conteúdo importante e 90,9% apontaram aplicação no cotidiano.

Apesar do detalhamento sobre adesão, perfil e avaliação, o relatório não traz dados sobre reincidência. O documento não informa se os participantes voltaram a cometer violência após o fim do curso. O balanço divulgado se limita à frequência, às características sociais e à percepção dos participantes.