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Capital

“Sonho virou frustração”, dizem mulheres que acusam corretora de golpe

Uma das vítimas procurou dono da casa, que afirmou não saber como corretora teve acesso às chaves

Por Dayene Paz | 11/04/2026 15:35
“Sonho virou frustração”, dizem mulheres que acusam corretora de golpe
Justificativa da corretora, que até hoje não pagou a vítima. (Foto: Direto das Ruas)

O que era para ser o começo de uma vida nova terminou em prejuízo e incerteza para duas mulheres em Campo Grande. Elas registraram boletins de ocorrência e denunciam que foram vítimas de estelionato ao tentar comprar a casa própria, após negociações com uma corretora de imóveis de 35 anos.

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Duas mulheres em Campo Grande denunciam ter sido vítimas de estelionato ao tentar comprar a casa própria por meio de uma corretora de imóveis de 35 anos. Uma atendente de telemarketing perdeu R$ 7.512 e ficou sem moradia, enquanto uma servidora pública teve prejuízo de R$ 18.148. A corretora teria usado o dinheiro para pagar um agiota. Boletins foram registrados e o caso é investigado como estelionato.

Uma das vítimas, de 35 anos, trabalha como atendente de telemarketing e afirma que o sonho da casa própria virou pesadelo. Segundo ela, por acreditar que a compra estava “tudo certo”, acabou entregando a casa onde vivia de aluguel e hoje está morando de favor. “É frustrante. Era um sonho. Eu tenho quatro filhos”, relatou à reportagem.

Conforme o boletim de ocorrência, a mulher foi apresentada à corretora por meio de indicação feita por uma colega de trabalho. A negociação começou em agosto de 2025, quando ela visitou um imóvel no Bairro Nova Lima e recebeu a informação de que apenas faltava vistoria da prefeitura para dar andamento ao financiamento junto à Caixa Econômica Federal.

Ainda segundo o registro, no mesmo dia foi assinado um contrato de compromisso de compra e venda, e a vítima entregou R$ 2 mil em dinheiro como “sinal de negócio”. Depois, outros pagamentos foram feitos, incluindo um boleto de R$ 750 referente à vistoria do imóvel. O documento, no entanto, estava vinculado a endereço em Brasília e não estava no nome da vítima, mas sim em nome de um terceiro.

A vítima relata que, ao longo dos meses seguintes, a corretora teria apresentado sucessivas justificativas para atrasos, citando desde problemas de saúde e gravidez até acidente de trânsito. Em janeiro de 2026, a mulher afirma que foi orientada a ir até a Caixa abrir conta, mas no banco descobriu que não existia nenhum processo de financiamento em seu nome.

Depois, a corretora ofereceu um segundo imóvel na região do Bairro Universitário, alegando ser mais viável. A vítima afirma que continuou fazendo pagamentos fragmentados, que totalizaram R$ 7.512.

Ao procurar o proprietário da segunda casa, descobriu que o imóvel já havia sido vendido. O dono também informou que não sabe como a corretora citada pela reportagem teve acesso às chaves do imóvel.

Outro caso - A segunda vítima, uma servidora pública de 34 anos, relata que chegou até a corretora após indicação de um policial militar. Segundo ela, a confiança aumentou justamente por ter recebido a recomendação de alguém conhecido.

Ela conta que encontrou uma casa no Bairro Nova Lima e pagou R$ 500 como sinal para “segurar” o imóvel. Depois, afirma ter feito novos pagamentos após a corretora pedir valores para custos cartorários, entrada de documentação e vistoria. A vítima diz que recebeu contrato de compra e venda pelo WhatsApp, com dados do suposto dono do imóvel, e assinou digitalmente pelo Gov.br. Em seguida, transferiu R$ 10 mil e depois mais valores, somando R$ 18.148.

“Sonho virou frustração”, dizem mulheres que acusam corretora de golpe
Um dos Pix feito pela vítima para suposto pagamento de custos. (Foto: Direto das Ruas)

De acordo com o boletim registrado na Delegacia Virtual, a vítima descobriu, ao desconfiar da demora e procurar o verdadeiro proprietário, que a casa já havia sido vendida e que os valores não tinham sido repassados. O dono confirmou que conhecia a corretora, mas negou ter autorizado contrato ou recebido qualquer quantia.

A servidora relata ainda que chamou a corretora para conversar pessoalmente e exigiu comprovantes de transferência ao proprietário. Neste momento, a corretora teria admitido que usou o dinheiro para pagar um agiota, devido uma dívida do namorado. “Ela chorou e falou que estava arrependida”, contou.

No boletim, a vítima relata que a corretora prometeu devolver todo o valor até 4 de fevereiro, mas não cumpriu. A servidora pública afirma que registrou boletim de ocorrência, denunciou a corretora ao Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul) e que já houve tentativa de acordo judicial, mas até agora o dinheiro não foi devolvido.

Ela relata que a primeira parcela do acordo venceu ontem, dia 10, e não houve pagamento. "Tenho certeza que ela fez outras vítimas", destaca a servidora.

A reportagem do Campo Grande News teve acesso a conversas gravadas, nas quais a corretora teria dito que usou o dinheiro para pagar agiota. Questionada sobre o conteúdo, ela negou a afirmação.

Procurada, a corretora afirmou que fez acordos e que irá pagar as duas vítimas. No caso da atendente de telemarketing, justificou que o contrato não avançou porque o financiamento não foi aprovado e que o valor pago como sinal será devolvido. Sobre a servidora pública, disse que pretende cumprir o acordo, mesmo com a parcela vencida. Os casos são investigados como estelionato.

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