“Sonho virou frustração”, dizem mulheres que acusam corretora de golpe
Uma das vítimas procurou dono da casa, que afirmou não saber como corretora teve acesso às chaves
O que era para ser o começo de uma vida nova terminou em prejuízo e incerteza para duas mulheres em Campo Grande. Elas registraram boletins de ocorrência e denunciam que foram vítimas de estelionato ao tentar comprar a casa própria, após negociações com uma corretora de imóveis de 35 anos.
RESUMO
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Duas mulheres em Campo Grande denunciam ter sido vítimas de estelionato ao tentar comprar a casa própria por meio de uma corretora de imóveis de 35 anos. Uma atendente de telemarketing perdeu R$ 7.512 e ficou sem moradia, enquanto uma servidora pública teve prejuízo de R$ 18.148. A corretora teria usado o dinheiro para pagar um agiota. Boletins foram registrados e o caso é investigado como estelionato.
Uma das vítimas, de 35 anos, trabalha como atendente de telemarketing e afirma que o sonho da casa própria virou pesadelo. Segundo ela, por acreditar que a compra estava “tudo certo”, acabou entregando a casa onde vivia de aluguel e hoje está morando de favor. “É frustrante. Era um sonho. Eu tenho quatro filhos”, relatou à reportagem.
Conforme o boletim de ocorrência, a mulher foi apresentada à corretora por meio de indicação feita por uma colega de trabalho. A negociação começou em agosto de 2025, quando ela visitou um imóvel no Bairro Nova Lima e recebeu a informação de que apenas faltava vistoria da prefeitura para dar andamento ao financiamento junto à Caixa Econômica Federal.
Ainda segundo o registro, no mesmo dia foi assinado um contrato de compromisso de compra e venda, e a vítima entregou R$ 2 mil em dinheiro como “sinal de negócio”. Depois, outros pagamentos foram feitos, incluindo um boleto de R$ 750 referente à vistoria do imóvel. O documento, no entanto, estava vinculado a endereço em Brasília e não estava no nome da vítima, mas sim em nome de um terceiro.
A vítima relata que, ao longo dos meses seguintes, a corretora teria apresentado sucessivas justificativas para atrasos, citando desde problemas de saúde e gravidez até acidente de trânsito. Em janeiro de 2026, a mulher afirma que foi orientada a ir até a Caixa abrir conta, mas no banco descobriu que não existia nenhum processo de financiamento em seu nome.
Depois, a corretora ofereceu um segundo imóvel na região do Bairro Universitário, alegando ser mais viável. A vítima afirma que continuou fazendo pagamentos fragmentados, que totalizaram R$ 7.512.
Ao procurar o proprietário da segunda casa, descobriu que o imóvel já havia sido vendido. O dono também informou que não sabe como a corretora citada pela reportagem teve acesso às chaves do imóvel.
Outro caso - A segunda vítima, uma servidora pública de 34 anos, relata que chegou até a corretora após indicação de um policial militar. Segundo ela, a confiança aumentou justamente por ter recebido a recomendação de alguém conhecido.
Ela conta que encontrou uma casa no Bairro Nova Lima e pagou R$ 500 como sinal para “segurar” o imóvel. Depois, afirma ter feito novos pagamentos após a corretora pedir valores para custos cartorários, entrada de documentação e vistoria. A vítima diz que recebeu contrato de compra e venda pelo WhatsApp, com dados do suposto dono do imóvel, e assinou digitalmente pelo Gov.br. Em seguida, transferiu R$ 10 mil e depois mais valores, somando R$ 18.148.
De acordo com o boletim registrado na Delegacia Virtual, a vítima descobriu, ao desconfiar da demora e procurar o verdadeiro proprietário, que a casa já havia sido vendida e que os valores não tinham sido repassados. O dono confirmou que conhecia a corretora, mas negou ter autorizado contrato ou recebido qualquer quantia.
A servidora relata ainda que chamou a corretora para conversar pessoalmente e exigiu comprovantes de transferência ao proprietário. Neste momento, a corretora teria admitido que usou o dinheiro para pagar um agiota, devido uma dívida do namorado. “Ela chorou e falou que estava arrependida”, contou.
No boletim, a vítima relata que a corretora prometeu devolver todo o valor até 4 de fevereiro, mas não cumpriu. A servidora pública afirma que registrou boletim de ocorrência, denunciou a corretora ao Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul) e que já houve tentativa de acordo judicial, mas até agora o dinheiro não foi devolvido.
Ela relata que a primeira parcela do acordo venceu ontem, dia 10, e não houve pagamento. "Tenho certeza que ela fez outras vítimas", destaca a servidora.
A reportagem do Campo Grande News teve acesso a conversas gravadas, nas quais a corretora teria dito que usou o dinheiro para pagar agiota. Questionada sobre o conteúdo, ela negou a afirmação.
Procurada, a corretora afirmou que fez acordos e que irá pagar as duas vítimas. No caso da atendente de telemarketing, justificou que o contrato não avançou porque o financiamento não foi aprovado e que o valor pago como sinal será devolvido. Sobre a servidora pública, disse que pretende cumprir o acordo, mesmo com a parcela vencida. Os casos são investigados como estelionato.
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