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Capital

Trabalhos de alunos indígenas abordam relação entre aldeia e cidade

Flávia Lima | 09/10/2015 13:46
Alunos trabalharam temas relacionados a mitos e questões que envolvem a população não-indígena e a aldeia. (Foto:Divulgação)
Alunos trabalharam temas relacionados a mitos e questões que envolvem a população não-indígena e a aldeia. (Foto:Divulgação)

Trabalhos de iniciação científica elaborados por indígenas alunos dos cursos de História e Ciências Sociais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, em Amambai, despertaram a atenção de professores por abordar questões relacionadas aos impactos da proximidade dos moradores da reserva com a população não-indígena.

Os resultados preliminares dos trabalhos de iniciação científica foram apresentados durante a 8ª Semana Acadêmica de Ciências Sociais, promovida pela unidade da universidade em Amambai.

Um dos exemplos foi o trabalho do acadêmico Makiel Aquino, que falou sobre as crianças guarani-kaiowá da reserva Guapo'y/Amambai, Segundo ele, durante a coleta de informações, ele pode perceber que as crianças, mesmo com a forte influência dos costumes da sociedade não indígena, mantêm muitas tradições repassados por várias gerações da aldeia.

Já a aluna Elk Kelli Francismar Rodrigues iniciou um trabalho científico para ajudar a desmontar o preconceito de que os indígenas não gostam de trabalhar. Segundo ela, isso é um mito. “O que existe hoje é a falta de espaço para que a comunidade indígena possa produzir o próprio sustento. O jeito encontrado é sair da aldeia para trabalhar nos canaviais das usinas, se sujeitando às péssimas condições de vida com graves repercussões para a saúde e para a família”, afirmou a acadêmica.

A aluna, que está concluindo o curso de história na UEMS, coletou os dados através de entrevistas com moradores da reserva Guapo'y/Amambai, que trabalham em usinas da produção de açúcar e álcool nos municípios de Naviraí e Sidrolândia.

Para a professora Aline Castilho Crespe, da UFGD, que acompanhou as apresentações, os trabalhos destacaram temas que relevantes que podem, inclusive, contribuir para que a sociedade entenda melhor as relações existentes nas comunidades indígenas de Amambai.

As apresentações do grupo de trabalho “Relações Étnicas e Território” foram coordenadas pela professora Lauriene Seraguza, da Uems de Amambai. Ela elogiou os trabalhos desenvolvidos pelos alunos e ressaltou a importância do debate em torno de temas que influenciam diretamente na rotina do município.

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