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Capital

UFMS não adota medidas suficientes e Lago do Amor pode secar até 2042

Por Zana Zaidan | 16/12/2013 17:22

O Lago do Amor, localizado na reserva natural do campus de Campo Grande da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso de Sul) corre o risco de secar completamente e se tornar um grande brejo até 2042, estima o professor designado pela instituição para coordenar a limpeza e a manutenção do local, João Jair Sartorelo.

O professor admite que a forma como o trabalho é conduzido é “insuficiente” e aponta, ainda, medidas que evitariam o assoreamento do lago. No entanto, Sartorelo não soube explicar porque as soluções não são implantadas pela UFMS.

Feito de forma manual, trabalho de limpeza não é suficiente para conter assoreamento do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio)
Feito de forma manual, trabalho de limpeza não é suficiente para conter assoreamento do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio)

Segundo ele, o trabalho é manual – uma equipe de três funcionários retira os resíduos e sedimentos que desaguam para dentro do lago pelos córregos Cabaça e Bandeira. “O grupo faz a limpeza nas margens toda semana. No interior do lago, usamos canoas e, nesse caso, cabem dois funcionários por vez. É um trabalho lento, por ser manual, e que exige tempo”, explica. “Quando chove forte, e aumenta a quantidade de resíduos, fazemos mutirões. Nesse caso, oito a dez pessoas são designadas”, acrescenta.

No entanto, o professor defende a adoção de outras medidas - e as classifica como emergenciais - para recuperação do Lago do Amor. “O ideal seria a drenagem do lago, para retirada efetiva dos sedimentos carregados para o interior”, acredita. “A universidade também pode formar parcerias. Seria um esforço conjunto: a UFMS aliada aos órgãos de proteção ambiental, como o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e Imasul (Instituto de Meio Ambiente do MS)”.


Sem providências imediatas, em 2042 Lago do Amor pode estar completamente seco (Foto: Marcos Ermínio)
Sem providências imediatas, em 2042 Lago do Amor pode estar completamente seco (Foto: Marcos Ermínio)

Toneladas de lixo - Com a manutenção, são retirados sacos plásticos, garrafas pets e outros tipos de lixo, além de sedimentos. No total, são 12 toneladas de resíduos retirados por ano do lago que agravam o processo de assoreamento do lago, aponta o professor.

Para ele, a urbanização acelerada no entorno dos córregos, somada à construção de empreendimentos imobiliários nos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago são responsáveis pela situação.

“Começou há cerca de dez anos. Após a ocupação das avenidas Interlagos e Fabio Zahran, o lago ficou comprometido e estudos de professores da UFMS apontam que se não houver um trabalho de contenção, estará inteiramente assoreado em 27 anos”, afirma Sartorelo.

Na parte do lago que já secou, banco de areia atrai capivaras (Foto: Marcos Ermínio)
Na parte do lago que já secou, banco de areia atrai capivaras (Foto: Marcos Ermínio)

Descaso – A UFMS chegou a ser multada pelo Ibama devido à constatação de plantas aquáticas dentro do lago que surgiram em decorrência da poluição ambiental e, com novas denúncias, pode ser punida novamente por causa do descaso.

A mais recente foi protocolada por um professor de Campo Grande no Ministério Público Federal, que denuncia a “omissão” e “desprezo à realidade do órgão responsável pela limpeza” – no caso, a UFMS. Conforme o documento, uma “espuma esbranquiçada”, com “insuportável cheiro forte exalado” pode ser sentida por qualquer pedestre que passa pela nascente do córrego Cabaça, nas proximidades do prédio da Reitoria da universidade.

O assoreamento é causado pela urbanização acelerada no entorno dos córregos Cabaça e Bandeira. A construção de empreendimentos imobiliários nos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago agravaram a situação.

Procurada, a UFMS não se pronunciou sobre a adoção de medidas efetivas para conter a poluição e assoreamento do Lago do Amor. Ainda segundo a universidade, os gastos do dinheiro público com a manutenção do lago estão “inseridos no contrato de limpeza e conservação de toda a UFMS”; no entanto, no Portal da Transparência, não há especificação sobre qual fatia do valor do contrato é destinado para o trabalho. A assessoria da universidade alega que “não é possível estimar um valor único para esse serviço”.

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