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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

16/12/2013 17:22

UFMS não adota medidas suficientes e Lago do Amor pode secar até 2042

Zana Zaidan

O Lago do Amor, localizado na reserva natural do campus de Campo Grande da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso de Sul) corre o risco de secar completamente e se tornar um grande brejo até 2042, estima o professor designado pela instituição para coordenar a limpeza e a manutenção do local, João Jair Sartorelo.

O professor admite que a forma como o trabalho é conduzido é “insuficiente” e aponta, ainda, medidas que evitariam o assoreamento do lago. No entanto, Sartorelo não soube explicar porque as soluções não são implantadas pela UFMS.

Feito de forma manual, trabalho de limpeza não é suficiente para conter assoreamento do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio)Feito de forma manual, trabalho de limpeza não é suficiente para conter assoreamento do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio)

Segundo ele, o trabalho é manual – uma equipe de três funcionários retira os resíduos e sedimentos que desaguam para dentro do lago pelos córregos Cabaça e Bandeira. “O grupo faz a limpeza nas margens toda semana. No interior do lago, usamos canoas e, nesse caso, cabem dois funcionários por vez. É um trabalho lento, por ser manual, e que exige tempo”, explica. “Quando chove forte, e aumenta a quantidade de resíduos, fazemos mutirões. Nesse caso, oito a dez pessoas são designadas”, acrescenta.

No entanto, o professor defende a adoção de outras medidas - e as classifica como emergenciais - para recuperação do Lago do Amor. “O ideal seria a drenagem do lago, para retirada efetiva dos sedimentos carregados para o interior”, acredita. “A universidade também pode formar parcerias. Seria um esforço conjunto: a UFMS aliada aos órgãos de proteção ambiental, como o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e Imasul (Instituto de Meio Ambiente do MS)”.


 

Sem providências imediatas, em 2042 Lago do Amor pode estar completamente seco (Foto: Marcos Ermínio)Sem providências imediatas, em 2042 Lago do Amor pode estar completamente seco (Foto: Marcos Ermínio)

Toneladas de lixo - Com a manutenção, são retirados sacos plásticos, garrafas pets e outros tipos de lixo, além de sedimentos. No total, são 12 toneladas de resíduos retirados por ano do lago que agravam o processo de assoreamento do lago, aponta o professor.

Para ele, a urbanização acelerada no entorno dos córregos, somada à construção de empreendimentos imobiliários nos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago são responsáveis pela situação.

“Começou há cerca de dez anos. Após a ocupação das avenidas Interlagos e Fabio Zahran, o lago ficou comprometido e estudos de professores da UFMS apontam que se não houver um trabalho de contenção, estará inteiramente assoreado em 27 anos”, afirma Sartorelo.

 

Na parte do lago que já secou, banco de areia atrai capivaras (Foto: Marcos Ermínio)Na parte do lago que já secou, banco de areia atrai capivaras (Foto: Marcos Ermínio)

Descaso – A UFMS chegou a ser multada pelo Ibama devido à constatação de plantas aquáticas dentro do lago que surgiram em decorrência da poluição ambiental e, com novas denúncias, pode ser punida novamente por causa do descaso.

A mais recente foi protocolada por um professor de Campo Grande no Ministério Público Federal, que denuncia a “omissão” e “desprezo à realidade do órgão responsável pela limpeza” – no caso, a UFMS. Conforme o documento, uma “espuma esbranquiçada”, com “insuportável cheiro forte exalado” pode ser sentida por qualquer pedestre que passa pela nascente do córrego Cabaça, nas proximidades do prédio da Reitoria da universidade.

O assoreamento é causado pela urbanização acelerada no entorno dos córregos Cabaça e Bandeira. A construção de empreendimentos imobiliários nos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago agravaram a situação.

Procurada, a UFMS não se pronunciou sobre a adoção de medidas efetivas para conter a poluição e assoreamento do Lago do Amor. Ainda segundo a universidade, os gastos do dinheiro público com a manutenção do lago estão “inseridos no contrato de limpeza e conservação de toda a UFMS”; no entanto, no Portal da Transparência, não há especificação sobre qual fatia do valor do contrato é destinado para o trabalho. A assessoria da universidade alega que “não é possível estimar um valor único para esse serviço”.



Cresci com meus pais nos levando à Cidade Universitária. Era uma festa pra gente. Andar de bicicleta, correr nos gramados e brincar nas quadras, cada passeio era único. O lago sempre foi a atração. Capivaras, Biguás e até jacarés víamos com frenquencia se refrescando nas águas calmas e limpas em total harmonia. Fazendo jus ao nome, "AMOR", o lago sempre foi ponto de encontro de namorados e virou inspiração para cantores regionais, ganhando destaque internacionalmente. Triste foi depois de anos, trazer minha filhinha para conhecer o local tanto apreciado na minha infância, e se deparar com a degradação, com a falta de manutenção, de AMOR para com o lago, que aos poucos vai deixando de ser limpo e belo, destruição fruto da ganância imobiliária desenfreada. Ma lembre-se quem planta, colhe.
 
Carlos Augusto em 17/12/2013 09:01:23
Concordo com o primeiro comentário, neste local logo depois rádio, tinha nascentes onde hoje tem 4 torres de prédio e onde tem um posto em construção também tinha um açude que transbordava agua, também era um berçário de Araras azuis, o Ibama deveria ver isso em vez de querer punir quem não tem nada a ver, estas coisa que sumiram ninguém vê mas um lago quando seca ai querem colocar a culpa em alguém, lógico a população cobrou, mas a mesma não conhece onde esta o problema, alguém liberou estas construções?
 
oberdã drum em 17/12/2013 08:22:17
Esta faltando competência administrativa, vontade política e humildade aos responsáveis para evitarem que isso ocorra. A prefeitura tem maquinário e pessoal, o estado tem maquinário e pessoal, o governo federal idem. Varias empresas privadas também. Não entendo por que ainda não foi firmada uma parceria da universidade com os governos das três instâncias? E exercito brasileiro tem pessoal competente nessa área. Vamos lá "doutores" da UFMS, mexam-se.
 
Fernando Silva em 16/12/2013 21:50:02
O corrego que desagua no lago do amor, está cheio de construções após o rádio clube. Como vão punir a UFMS se a poluição vem de antes de seu território?
 
Vinicius Medeiros em 16/12/2013 18:57:17
Infelizmente, a UFMS não pode fazer muita coisa. Este assoreamento envolve a movimentação de toneladas de area pelo corrego para o lago. O problema é a urbanização desordenada, falta de infiltração e despejo de resíduos mais para cima, em bairros como Progresso, Vilas Boas, res. Portobello e às margens da Av. Interlagos. Lá, a agua que cai nos terrenos particulares deve infiltrar, em vez de ser drenado mais rapidamente possivel para os corregos, para evitar que a velocidade da água leva area junto. Ou seja: a prefeitura tem que multar quem construiu ou impermeabilizou mais que a area permitida e mandar demolir. Só assim que se resolve a situação dos lagos (também do Radio Clube Campo e Itatiaia) e inclusive os enchentes.
 
Marcos da Silva em 16/12/2013 18:19:06
Quem manda na UFMS? O governador ou a Dilma, tem que falar com eles, se o pessoal que tá lá não resolve tem que achar quem pode...
 
maximiliano nahas em 16/12/2013 17:53:56
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