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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

30/12/2011 16:42

Um dia após corpo de criança ser localizado, lixão segue sem nenhum segurança

Paula Maciulevicius

“Mesmo para a gente que é acostumada, dói de ver. Eu já liguei em Conselho Tutelar, liguei no dia que uma criança quase morreu e ninguém. Ninguém fez nada. Dói e precisou chegar acontecer”

É até difícil de ler, escondida em meio às Palmeiras secas, mas placa proíbe, em vão, a entrada de crianças e adolescentes no lixão. (Foto: Pedro Peralta)É até difícil de ler, escondida em meio às Palmeiras secas, mas placa proíbe, em vão, a entrada de crianças e adolescentes no lixão. (Foto: Pedro Peralta)

Entrar e sair do lixão localizado na saída para Sidrolândia não requer nenhuma parada. Mesmo depois do episódio da morte de Maikon Correia de Andrade, 9 anos, na tarde de quarta-feira, o aterro estava de portões escancarados, para quem quiser entrar, nesta sexta-feira.

O menino não era para estar lá, nisso não há do que discordar. Mas estava e entrou pelo portão da frente, como mostrado em foto do Jornal O Estado, em matéria feita horas antes do soterramento.

O Campo Grande News esteve no local no final da manhã de hoje, por mais de 1h. O que era para ser o posto de um fiscal está aparentemente abandonado. E a placa que proíbe a entrada de crianças e adolescentes continua escondida, atrás de folhas secas de palmeira.

Por duas vezes a equipe entrou no local, passou pela entrada e não avistou ninguém. Na saída, um grupo de trabalhadores estava ali na frente. Questionados se eram eles quem faziam a segurança do local a resposta foi negativa.

Um deles explicou apenas que era um “guia turístico”, que orientava a população quanto a dúvidas de onde jogar lixo particular, que não fosse da empresa de coleta de lixo Financial e acompanhava parlamentares ou grupos escolares a visitas pelo lixão.

Segundo informado pela assessoria da Prefeitura, é para ter um guarda da Seinthra (Secretaria de Infraestrutura, Transporte e Habitação) direto. A Prefeitura garantiu que ainda hoje um funcionário ficará de prontidão na entrada.

Há 6 anos no lixão, catadora não se acostuma com a presença de crianças no lixão. (Foto: Pedro Peralta)Há 6 anos no lixão, catadora não se acostuma com a presença de crianças no lixão. (Foto: Pedro Peralta)

Em uma volta pelo lixão, um silêncio. Cena bem diferente da encarada ontem por todos. De escavadeiras, bombeiros, Samu, Defesa Civil e centenas de olhos, dos familiares, amigos e catadores.

Fabiana Romero, 39 anos, catadora há 6, subia o lixão para catar latinhas e plástico. Depois do acontecido era a primeira vez que ela ia para o trabalho. O depoimento dela é forte e traz à tona que a morte da Maikon poderia ter sido evitada.

“Mesmo para a gente que é acostumada dói de ver. Eu já liguei em Conselho Tutelar, liguei no dia que uma criança quase morreu e ninguém. Ninguém fez nada. Dói e precisou chegar acontecer”, desabafa.

Ela e inúmeros de trabalhadores são unânimes em dizer “aconteceu por falta de maiores cuidados. Crianças vivem aqui e pequenas, de 5 ou 6 anos. Mães que trazem os filhos e não tem nada, uma fiscalização, nada. Era colocar Polícia que acabava, ninguém mais entrava”, estampa.

Hoje, 9h, a história de mais uma criança "brincando" no lixão foi enterrada. No sentido literal da palavra. No cemitério Cruzeiro, uma mãe desesperada gritava “meu filho não vai embora, não vai embora. Pelo amor de Deus”. Era Lucilene Corrêa, 31 anos, ao ver a vida do filho resumida a um caixão.



Concordo com tudo que a Ana Cristina disse,vivemos em um mundo em que os pais já não mandam mais em seus filhos..
 
Elis Muniz em 30/12/2011 08:20:20
mora na região, tem muitas coisas erradas entre poder publico e familias, pois tanto um como outro não se faz como deveria ser....agora acontece as coisas e ficamos todos sentidos e tentando colocar a culpa em uns e outros
 
anderson soares em 30/12/2011 07:51:48
É muito fácil culpar o poder público, cadâ o Pai dessa criança, estamos vendo nos jornais empresas construtoras de Obras colocando em frente as obras (estamos contratando, serventes, pedreiros armadores etc), ou seja, para ser servente de pedreiro não precisa ter experiencia, qualquer pessoa executa esse procedimento, porém não justifica essas pessoas estarem sobrevivendo dessa atividade!!
 
Valter Vieira Alves em 30/12/2011 06:37:17
Ana Cristina se ele está lah eh para comer e não por que quer ou não axa que ele queria tar em um parque de diversão quem quer estar nun lixão procurando reciclagem para vender e depois comer?
 
Tiago Costa em 30/12/2011 06:33:36
É muito estranho lixo precisar de segurança, o lugar tinha que ser proibido a todo mundo. A algum tempo eu vi uma entrevista com o prefeito dizendo que ele não poderia acabar com o lixão porque muita gente dependia dele, referindo-se aos catadores, isto é muito estranho, não acho correto, será que não teria uma outra forma de ajudar estas pessoas que não seja permitir a entrada no lixão ?
 
JOSE ANTONIO em 30/12/2011 06:18:01
É muito fácil agora culpar somente o poder público pela tragédia. Que ele tem sua culpa, isso ninguém pode negar!! Mas, e os pais das crianças? Quer dizer que se um local é proibido para crianças, mas não tem fiscalização, poderei deixar meu filho entrar, mesmo sabendo ser perigoso? E se alguma coisa vier acontecer a ele, jogo a culpa em alguém?
 
Ana Cristina em 30/12/2011 04:16:11
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