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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

06/07/2014 08:50

Violência cai, mas moradores ainda ficam enjaulados em bairro violento

Filipe Prado
Com medo, os moradores e comerciantes vivem enjaulados nas casas e comércios (Foto: Marcelo Victor)Com medo, os moradores e comerciantes vivem "enjaulados" nas casas e comércios (Foto: Marcelo Victor)

Após várias mortes e tiroteios no Bairro Dom Antônio Barbosa, um dos bairros mais violentos de Campo Grande, os moradores da região perceberam que a violência diminuiu, mas, com medo, ainda vivem “enjaulados” dentro das casas e lojas. Até os moradores dos bairros vizinhos se preveniram contra a violência e colocaram grades nas residências.

O comerciante Adriano, que preferiu não passar o sobrenome, de 66 anos, mora desde 1995 no bairro. Acostumado, ele já se adaptou à violência do Dom Antônio. “Para quem sabe viver, todo lugar é bom”, comentou.

Quem precisa comprar alguma coisa em seu comércio precisa enfrentar a grade que foi colocado em frente à porta. “Tem que bater palma para ser atendido”, brincou. Ele relatou que sabe da violência que existe no bairro, mas prefere não enxergar e continuar vivendo normalmente.

Mas a maioria da população “deixou de enxergar” a violência na região, como o aposentado Isaias Gomes, 48. “Aqui está controlado. Não tenho mais medo”, admitiu. Ele mora há seis anos na região e disse que já viu muita violência e brigas no bairro.

“O bairro aumentou, o policiamento aumentou, principalmente na feira, isso está modificando o bairro”, relatou o aposentado.

A comerciante Jucilei Nunes, 28, também vive “enjaulada” no comércio, mas disse que não colocou as grades por conta da violência. “Nunca fomos assaltados”, contou. Ainda comentou que a região ficou bem tranquila, apesar de algumas pessoas ainda reclamarem da criminalidade.

Adriano fechou todo o comércio para evitar a violência (Foto: Marcelo Victor)Adriano fechou todo o comércio para evitar a violência (Foto: Marcelo Victor)

“Eu morava no Bairro Los Angeles, depois vim para cá. Os dois bairros eram bem perigosos, hoje eles estão mais tranquilos”, comparou.

Alguns moradores ainda se sentem inseguros. “Não tem diminuído. Ainda tem muita droga e brigas aqui”, contra-atacou a dona de casa Rosa Martins, 37. Ela com medo da violência não sai de casa à noite e não chega perto da feira, que acontece no bairro. “Temos pouco policiamento, eles deveriam passar mais aqui e ainda tem um posto policial”, afirmou.

Além da dona de casa, muitos moradores não saem de casa. A maioria do comércio do bairro é fechado com grandes onde os empresários se sentem mais seguros. Até quem não mora no Dom Antônio fechou o comércio. “Tem que trabalhar assim. Para evitar qualquer coisa, já coloquei a grade”, explicou o comerciante Paulino Viana, 50, que mora no Bairro Lageado.

Paulino contou que no Dom Antônio muitos moradores vendem drogas nas ruas principais do bairro durante todo o dia. Muitos fogem quando a polícia passa, mas sempre voltam.

“O bom de saber, de ouvir sobre a violência no bairro é que cada dia a gente se cuida melhor”, analisou Adriano.



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