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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

25/12/2014 16:34

Consumidor opta por "lembrancinhas" e comércio tem pior Natal em dez anos

Vania Galceran
Brinquedos não sobram nas prateleiras. (Foto: Arquivo)Brinquedos não sobram nas prateleiras. (Foto: Arquivo)

Natal da lembrancinha. Assim foi a data este ano. Preocupado com os aumentos previstos para 2015, como da energia elétrica, endividado com financiamento habitacional e crédito consignado e também já à espera dos saldões de janeiro, o consumidor preferiu economizar neste fim de ano.

Regina Pazebão Marson, economista de Campo Grande, comenta os dados da Confederação Nacional do Comércio que prevê que este será o pior Natal para o setor desde 2004, com crescimento de 2% frente ao ano anterior, abaixo da média de expansão esperada, de 4% a 5%.

" O consumidor está endividado e não sabem como pagar, além disso, acredito que estão mais conscientes também, ninguém quer ter nome sujo", acrescenta Regina.

"Deve ser o pior Natal desde 2004. Mas para os adultos. As compras para crianças não são afetadas. O consumidor já sabe que vai sobrar produto e espera as promoções de janeiro. Não dá para fazer isso com as crianças, mas os adultos seguram as compras. Por isso, haverá um segundo Natal em janeiro - prevê.

Apesar de o Natal ser da lembrancinha, presentes infantis caros esgotaram. No Shopping Campo Grande, os brinquedos mais procurados e que já não estavam mais disponíveis na última quarta-feira na loja de brinquedos, foram a boneca Frozen Elsa que canta (R$ 399); o Marker AirBrush (R$ 269) e a Casa do Mickey (R$ 399). No Norte Sul Plaza, a Caverna do Batman (R$ 379,40), a Baby Alive Machucadinho (R$ 239) e todas as bonecas Frozen estavam praticamente esgotadas.

Cautela em 2015 - Além da economia fraca, que deve crescer apenas 0,2% este ano, o consumidor vê com cautela o ano de 2015. Os juros, nos níveis mais altos nos últimos anos, com a taxa básica Selic a 11,75% ao ano, também desestimulam os gastos. Por isso, ressalta Freitas, este não será um Natal de eletrodomésticos, mas sim de produtos semi duráveis e não duráveis, como roupas e calçados.

As grandes varejistas de eletrodomésticos podem sentir mais. As pessoas optaram por produtos de pequeno valor, por itens de vestuário.Além da elevação dos juros, o maior rigor dos bancos na hora de emprestar dinheiro também influenciou a estimativa de crescimento das vendas da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). A associação prevê aumento de 3% em relação ao Natal de 2013, quando a expansão foi de 5%.

Os economistas acredita que o dólar em alta também tenha afetado o preço de componentes de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e produtos de alta tecnologia, fazendo com que esses itens - cuja compra muitas vezes depende do crédito - perdessem espaço nas listas de presentes.

A comerciante Lívia Brito (30) preferiu pôr as contas em ordem antes de fazer novas despesas. " Adiei as compras porque estava quitando algumas dívidas. Ano passado, parcelei tudo. Este ano, metade eu paguei à vista" disse ela, que foi às compras no Shopping Norte Sul na tarde de terça-feira.

No centro de Campo Grande, o movimento de última hora foi intenso, mas as ruas não estavam tão cheias como de costume para a data. Havia, inclusive, lojas parcialmente vazias na manhã quarta-feira. E nem mesmo as promoções ajudavam a melhorar o desempenho. 

Entre os que deixaram para fazer as compras no dia 24, as lembrancinhas eram as preferidas. O aposentado Firmino Costa Pires (72), aproveitou para comprar os presentes dos dois filhos, do neto e dos sobrinhos. " Estou levando lembrancinhas, só para não passar em branco, até porque está tudo muito caro", afirmou.

A socióloga Rita Chagas também optou pelas lembrancinhas. Ela se organizou para gastar, no máximo, R$ 200 - menos que em 2013 - para presentear o marido, o enteado e a cunhada. " Eu paguei à vista, mas no cartão de crédito, para poder acumular milhas para viajar. O presente tem que ter uma recompensa, né?", contou a socióloga.

Pós Natal - Os preços mais baixos pós-Natal estimulam as vendas nas promoções. E as pessoas já sabem disso e esperam. As liquidações já começam sexta-feira, nas lojas e na internet. Grandes varejistas prometem descontos. Nem todos os shoppings farão ações integradas de corte de preços, mas admitem que os lojistas liquidarão o que sobrou do Natal nos próximos dias ou no começo de janeiro.



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