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Campo Grande, Domingo, 22 de Abril de 2018

04/01/2018 16:35

Dengue dá trégua e temor das autoridades é com a chikungunya

Houve aumento de 46 casos notificados da doença em 2017, com 101 confirmações em todo estado.

Anahi Gurgel
Larvas do mosquito da dengue encontradas em residência de Campo Grande, durante ação em 2016. (Foto: Marcos Ermínio)Larvas do mosquito da dengue encontradas em residência de Campo Grande, durante ação em 2016. (Foto: Marcos Ermínio)

A dengue pode até ter dado uma “trégua” para Mato Grosso do Sul em 2017, entretanto, o histórico epidemiológico da doença - que atinge as cidades a cada 3 anos - e o aumento dos casos de chikungunya no estado, alertam: a inércia da população pode trazer o mal de volta e com força total.

Boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde apontou que no ano passado registrado o menor índice de casos de dengue desde 2010. Até 23 de dezembro, foram 6.201 notificações.

Mas, por outro lado, só cresce o número de casos de chikungunya. Foram 463 notificações em 2016 e 509 em 2017. Do total, foram 22 confirmações em 2016 e preocupantes 101 resultados positivos em 2017.

“É uma doença complexa, que pode deixar uma pessoa acamada por até 2 anos, totalmente dependente. O paciente pode vir a óbito e ter sérias consequências, como até mesmo a depressão, que mata. No estado, a preocupação é em Corumbá, por ser região fronteiriça”, explica o coordenador estadual de controle de vetores , Mauro Lúcio Rosário.

“Nunca deixamos de fazer nosso trabalho, com visitas domiciliares, controle químico, busca ativa, monitoramento em pontos críticos, com foco em educação e saúde. Mas se a população não cuidar, toda essa ação será em vão.

Mosquito aedes aegypti, que pode transmitir dengue, zika e chikungunya. (Foto: Divulgação/ Fiocruz)Mosquito aedes aegypti, que pode transmitir dengue, zika e chikungunya. (Foto: Divulgação/ Fiocruz)

Triênio - Em 2010, de acordo com relatório da Secretaria de Saúde, foram 82.597 casos, em 2011 total de 15.506 e em 2012, 16.506 notificações. Maior registro de casos foi feito em 2013, com 102.026. Já em 2014 foram 9.256 notificações, em 2015 total de 46.070 e em 2016, nova epidemia, 59.874 casos.  

O coordenador de controle de endemias vetoriais da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Eliasze Guimarães, afirma que a preocupação não é tanto com a dengue neste verão, mas com o que a inércia da população pode trazer como consequência para a passagem de 2018 para 2019.

“Estamos até certo ponto confiantes de que não teremos problemas mais sérios em relação à dengue neste verão, mas as pessoas, infelizmente, estão descuidadas. Prova disso é o alto índice de infestação do aedes aegypti nos imóveis da cidade”, afirma.

De acordo com Eliasze, a população ficou em alerta em 2016, devido ao surgimento da zika, da chikungunya e da microcefalia.

“Mas agora o assunto, de forma geral, caiu no esquecimento. O risco da epidemia voltar é significativo se não houver o combate ao mosquito”, avalia. 



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