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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

21/02/2013 17:08

Denúncia sobre radioterapia do HU vira inquérito 6 anos depois

"Quantas pessoas já morreram?", questiona médico que fez denúncia à Polícia Federal sobre desmonte do setor

Nícholas Vasconcelos
Inquérito do MPF vai investigar fechamento de oncologia do Hospital Universitário da UFMS. (Foto: João Garrigó)Inquérito do MPF vai investigar fechamento de oncologia do Hospital Universitário da UFMS. (Foto: João Garrigó)

“Em seis anos quantas pessoas já morreram por falta de assistência e quantas foram maltratadas pela falta de tratamento do câncer?”, questiona o médico Ronaldo de Souza Costa. Ele denunciou em 2007 para a PF (Polícia Federal) a suspensão do tratamento de câncer no Hospital Universitário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A denúncia agora virou um inquérito civil do MPF (Ministério Público Federal) para apurar o descredenciamento da oncologia do Hospital em 2005.

Segundo a procuradora Joana Barreiro Batista, serão apuradas denúncias de improbidade por parte da direção do Hospital. De acordo com a investigação da PF repassadas para o Ministério Público, o hospital foi descredenciado, contrariando o interesse público, para beneficiar o coordenador do serviço de oncologia, Adalberto Abraão Siufi. Na época, o Siufi era diretor do Hospital do Câncer, sócio da clínica Neoclin e coordenador do serviço de oncologia da Santa Casa.

“O que nós vemos é a concentração do serviço de oncologia em uma empresa privada e o desmonte das instituições públicas”, disse Ronaldo.

Ronaldo questiona o repasse ao setor privado, porque segundo ele, o tratamento de câncer exige uma série de especialidades e profissionais. “Você precisa de especialistas em estômago, especialistas em cirurgia, laboratório de histopatologia. É difícil o setor privado atender toda essa rede, todo esse complexo”, comentou.

O médico critica a falta da presença do tratamento de câncer, de forma completa, no interior do Estado. Três Lagoas, Dourados e Corumbá precisam ter o serviço implantado de forma plena, com o protocolo exigido para o tratamento, com quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

“O paciente não pode andar 300 km para fazer uma radioterapia em Campo Grande, os gestores públicos têm de ter consciência”, ressaltou. Mesmo na Capital, o tratamento está espalhado em diferentes hospitais, com o HU sem oncologia e o HR (Hospital Regional) com quimioterapia. Sem este protocolo completo, há risco para o paciente.

Segundo estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer), este ano 9.370 pessoas devem ser diagnosticadas com câncer. Destas, 3,6 mil somente em Campo Grande.

“Precisamos aumentar em 5 aparelhos de radioterapia para atender a vazão da população nos próximos 20 anos”, comentou o médico responsável pelas denúncias. Utilizando a estimativa do Inca, nos próximos anos serão descobertos novos 187.400 casos de câncer no Estado.

Ainda conforme a procuradora Joana Barreira Batista outro inquérito deve ser instaurado para apurar improbidade sobre a prestação deficiente dos serviços de hemodinânica, que embora tenha sido comprado o aparelho, encontrava-se fora de uso na época do levantamento.

O médico Adalberto Siufi disse que foi o responsável pelo ensino da disciplina de oncologia no curso de medicina da Universidade Federal e que a decisão de fechamento do setor não foi dele. Ele conta que quando foram criados o Hospital do Câncer o  HR os acadêmicos passaram a atuar nas duas unidades.

Com o passar o tempo, segundo ele, houve remanejamento da rede de oncológica, baseado em uma decisão do Ministério da Saúde e em seguida o tratamento do câncer foi transferido para os dois novos hospitais.

"Eu fui convidado para atuar no Hospital do Câncer e em momento algum a minha função aqui atrapalhou lá. Vou mostrar no processo que não tenho nada com isso", comentou Siufi.

O oncologista explica ainda que clínica citada no processo foi construída com recursos do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste). "Montamos uma clínica que é referência no Estado em tratamento de câncer. Você tem problema porque trouxe um benefício",disse.

Siufi fez críticas ao processo, já que não foi ouvido até o momento pelo MPF, e disse que vai se defender das acusações na Justiça.

O Campo Grande News entrou em contato com a UFMS, mas a instituição de ensino ainda não se manifestou. Já no HR ninguém foi localizado para comentar a denúncia sobre o aparelho de hemodinâmica.

Matéria atualizada às 17h31 para acréscimo de informações. 



Que todos os médicos prof. da UFMS sejam DE e ganhe bem.....dono de clinica particular
é médico e empresário....seus interesses não é público....simples assim. Médicos e prof. do HU tem que ganhar bem e ter dedicação ao ensino, pesq, exten.........
 
osvaldo nunes barbosa em 27/02/2013 11:46:33
Todos sabem da corrupção na UFMS: TCU; PF; CGU; MPF;MEC....mas o mesmo grupo é recunduzido a mais de 16 anos, pelos politicos(senadores)....e p/ tanto o MEC apenas responde dizendo que ninguém ainda não foi condenado....e o poder politicos dos TRADs+ Putinelle segura tudo....no judiciário...a policia investiga o judiciário protela e ai....fica como fica......EU HEIN!!!!!
 
osvaldo nunes barbosa em 27/02/2013 11:40:56
Nessa época havia somente uma máquina funcionando, era do Hospital do Câncer, havia muitos pacientes na fila, eu já estava esperando a 3 meses e não me chamavam, então o meu oncologista que atendia em outro hospital público pediu que eu buscasse o tratamento de radiologia com urgência em outro Estado, e assim fiz, viajei pra São Paulo e realizei o Radioterapia, o tratamento se tornou muito caro, pois tive despesas com passagens interestadual e urbano dentro da cidade de São Paulo além de outras despesas que não teria se tivesse realizado aqui. Isso tudo por causa de uma política corrupta e aí tudo vira apenas investigação sem nenhum resultado.
 
Cleufa Totola em 22/02/2013 07:14:09
O Ministério Público Federal só investiga, denunciar que é bom, depois de anos e anos de investigação, não acontece. Por que?
 
Dr. Bruno Ribeiro em 21/02/2013 17:46:33
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