Construção civil ganha 210 mil trabalhadores em 3 meses no Brasil
Setor tem alta de 2,8% na ocupação; renda média nacional chega a R$ 3.790 e supera a de 2025
A construção civil incorporou 210 mil trabalhadores no Brasil entre julho e setembro, crescimento de 2,8% em relação ao trimestre anterior. O setor foi o único a registrar aumento estatisticamente significativo da ocupação no período, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O avanço ocorreu em um cenário de crescimento da renda média nacional, que chegou a R$ 3.790 mensais.
RESUMO
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A construção civil criou 210 mil ocupações entre julho e setembro, alta de 2,8% ante o trimestre anterior e único avanço estatisticamente significativo entre os setores, segundo o IBGE. O país somou 103,6 milhões de trabalhadores, com renda média de R$ 3.790, crescimento anual de 3,6%. Em Mato Grosso do Sul, dados do segundo trimestre apontavam 1,444 milhão de ocupados e informalidade de 29,2%; ainda não há números estaduais para o período mais recente.
O resultado da construção civil considera todas as formas de ocupação acompanhadas pela Pnad Contínua, incluindo empregados com carteira assinada, trabalhadores informais e profissionais por conta própria. Portanto, o acréscimo de 210 mil pessoas não representa exclusivamente a abertura de empregos formais.
Nos demais grupamentos de atividades econômicas, as variações observadas na comparação com o trimestre de abril a junho não foram consideradas estatisticamente significativas.
Na comparação com o mesmo período de 2025, outros dois segmentos apresentaram crescimento da ocupação. O grupo de transporte, armazenagem e correio registrou aumento de 6,9%, equivalente a 411 mil trabalhadores adicionais.
Já o conjunto de atividades que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais teve crescimento de 2,1%, com acréscimo estimado de 400 mil pessoas.
No total, o Brasil chegou a 103,6 milhões de trabalhadores ocupados no trimestre encerrado em setembro. Foram 581 mil pessoas adicionais em relação aos três meses anteriores e aproximadamente 1,2 milhão na comparação anual.
Renda em alta – O rendimento médio mensal real habitualmente recebido pelos brasileiros ocupados chegou a R$ 3.790, crescimento de 3,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Na comparação com os três meses anteriores, o valor permaneceu estatisticamente estável. O indicador considera os rendimentos recebidos em todos os trabalhos e desconta os efeitos da inflação.
A massa de rendimento mensal real, que representa a soma dos valores recebidos pelos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões. O montante cresceu 1,5% em relação ao trimestre anterior, equivalente a R$ 5,6 bilhões adicionais. Em um ano, o aumento chegou a 4,7%, representando R$ 17,5 bilhões a mais em rendimentos.
A evolução dos ganhos, porém, não foi uniforme entre os setores. Na comparação anual, os trabalhadores do comércio e reparação de veículos tiveram crescimento real de 5,6% no rendimento médio, equivalente a R$ 163.
Nos serviços domésticos, o aumento também foi de 5,5%, ou R$ 78. Já na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, o rendimento avançou 4,6%, correspondente a R$ 106.
Entre os empregados do setor público, incluindo servidores estatutários e militares, o crescimento anual foi de 3,3%, ou R$ 179. Os trabalhadores por conta própria registraram aumento de 3,7%, equivalente a R$ 113.
Cenário em MS – Em Mato Grosso do Sul, os indicadores estaduais mais recentes utilizados nesta reportagem são referentes ao segundo trimestre de 2026, entre abril e junho.
Nesse período, o Estado contabilizava aproximadamente 1,444 milhão de pessoas ocupadas, com rendimento médio mensal real de R$ 3.731 no trabalho principal. O valor representava crescimento de aproximadamente 3,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando estava em R$ 3.602.
Apesar do cenário favorável da ocupação, a informalidade ainda atingia 422 mil trabalhadores sul-mato-grossenses, o equivalente a 29,2% do total. Outros 1,022 milhão estavam no mercado formal, representando 70,8% dos ocupados.
Entre as diferentes posições no trabalho, o setor privado reunia aproximadamente 733 mil empregados, sem considerar os domésticos. Outros 306 mil trabalhadores atuavam por conta própria, enquanto o setor público concentrava 233 mil pessoas.
O serviço doméstico empregava cerca de 82 mil trabalhadores. O Estado também contabilizava aproximadamente 81 mil empregadores e 10 mil trabalhadores familiares auxiliares.
Os dados estaduais foram divulgados em agosto e sistematizados pelo Observatório do Trabalho de Mato Grosso do Sul, elaborado pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e pela Funtrab (Fundação do Trabalho).
Como os números de Mato Grosso do Sul correspondem ao segundo trimestre, não é possível afirmar que o Estado acompanhou, na mesma intensidade, o crescimento nacional da construção civil registrado entre julho e setembro.
A comparação permite contextualizar os indicadores, mas a atualização do desempenho estadual depende da divulgação dos resultados regionalizados da Pnad Contínua Trimestral.
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