Lula manda 3 ministros a MS após denúncias de violência contra indígenas
Chefes das pastas de Direitos Humanos, Justiça e Povos Originários formarão comitiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a vinda de três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanharem de perto as denúncias de violência contra povos indígenas no Estado.
RESUMO
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O presidente Luiz Inacio Lula da Silva determinou o envio de tres ministros a Mato Grosso do Sul neste sabado para apurar denuncias de violencia e ameacas contra povos indigenas. A comitiva federal visitara regioes afetadas, com destaque para o municipio de Tacuru, onde servidores publicos foram afastados apos sugerirem em audio o envenenamento da agua de aldeias. Uma forca tarefa interministerial foi criada para centralizar os registros e investigar os casos.
Os ministros dos Povos Indígenas, Eloy Terena, da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, desembarcam em Dourados, cidade a 251 quilômetros de Campo Grande, no início da noite desta sexta-feira (30).
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Ao Campo Grande News, o ministro dos Povos Indígenas relatou que a determinação de Lula foi dada na manhã de hoje, após Eloy relatar todas as ações que a Pasta está tomando diante das ameaças.
"Lula me ligou para perguntar quais as providências. Informei da força-tarefa para recepcionar as denúncias. Tem muita coisa chegando, tem muita violência política e outras. Assim, as denúncias vão chegar ao Ministério da Justiça qualificadas. O presidente pediu para ir ao território", detalhou.
Segundo ele, a visita estava prevista para a manhã de sábado (31) e foi adiantada para hoje. A comitiva dos ministros irá visitar Coronel Sapucaia e Tacuru.
Eloy ainda reforçou que a Força Nacional iniciou o policiamento em três comunidades indígenas do sul de Mato Grosso do Sul, em resposta às ameaças registradas desde o segundo turno das eleições presidenciais.
"A Força Nacional já fica em Mato Grosso do Sul porque, em 2023, a gente instaurou o gabinete de crise. Ela fica sediada em Dourados e é deslocada conforme a demanda. Agora vamos avaliar se é o caso de aumentar o contingente", completou Eloy.
Força-tarefa - O governo federal criou uma força-tarefa interministerial para receber e apurar denúncias de violência contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). A força-tarefa reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
Segundo Eloy, uma equipe foi designada para receber os relatos, identificar os denunciados e encaminhar as informações aos órgãos responsáveis pela investigação. O objetivo é centralizar os registros e permitir o acompanhamento das providências adotadas em cada caso.
Ameaças em MS – A mobilização federal ocorre depois que denúncias de ameaças e intimidações contra indígenas ganharam repercussão em Mato Grosso do Sul. O caso mais conhecido foi registrado em Tacuru, onde dois servidores municipais trocaram áudios com ofensas à população indígena após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma das gravações, um dos homens sugere colocar veneno na água consumida pelas comunidades. A conversa foi divulgada na segunda-feira (26) pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).
O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou ao Campo Grande News que os envolvidos são funcionários das secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Um deles trabalhava com caminhões utilizados em serviços de abastecimento de água das comunidades.
Inicialmente, o prefeito afirmou que havia apenas chamado a atenção dos servidores e atribuiu as declarações ao consumo de álcool e à euforia após o resultado eleitoral. Posteriormente, anunciou a abertura de procedimento administrativo e o afastamento de um dos funcionários.
Nesta quinta-feira (29), a Prefeitura de Tacuru informou que instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) e afastou os dois servidores. Segundo a administração municipal, os atos de afastamento serão publicados no Diário Oficial de sexta-feira (30).
O Ministério dos Povos Indígenas também havia recebido relatos envolvendo Amambai, Naviraí e a região de Sidrolândia. Depois da repercussão das gravações de Tacuru, outras comunidades começaram a encaminhar áudios, mensagens e capturas de tela com denúncias de ameaças. Nem todos os relatos, porém, foram confirmados pelas investigações.
Em Naviraí, o MPF (Ministério Público Federal) apurou informações sobre supostos homicídios de indígenas relacionados ao resultado eleitoral, mas não encontrou elementos que confirmassem ataques contra integrantes das comunidades Kurupi e Mboreviry.
As diligências apontaram que um crime divulgado nas redes sociais estava relacionado a um desentendimento familiar e interpessoal, sem motivação política ou étnica identificada. O órgão também constatou que imagens circularam de forma adulterada e fora de contexto, associadas indevidamente a ataques contra indígenas.
Matéria atualizada às 12h51 para acréscimo de informação.
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