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De autismo a finanças, civis podem dar aula para policiais por R$ 98

Inscrições começam nesta segunda-feira e seguem até dia 28 para cadastro em 58 disciplinas

Por Kamila Alcântara | 19/07/2026 10:44
De autismo a finanças, civis podem dar aula para policiais por R$ 98
Policiais militares durante curso de formação (Foto: Divulgação Sejusp)

A PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) abre nesta segunda-feira (20) as inscrições para profissionais interessados em dar aulas nos cursos de formação e aperfeiçoamento de praças da corporação. O pagamento será de R$ 98,43 por hora-aula efetivamente ministrada, conforme o edital publicado no DOE (Diário Oficial do Estado).

RESUMO

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul abre nesta segunda-feira (20) inscrições para professores em cursos de formação de praças, com pagamento de R$ 98,43 por hora-aula. São 58 disciplinas, incluindo autismo, culturas indígenas e educação financeira. Inscrições vão até 28 de julho, por formulário eletrônico. O processo não garante contratação, apenas forma um cadastro temporário com validade de um ano.

O processo reúne 58 disciplinas e chama atenção por incluir, além de conteúdos tradicionalmente policiais, temas como atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, aspectos culturais dos povos Terena e Guarani-Kaiowá, combate à homofobia e à discriminação racial, atendimento a pessoas vulneráveis e educação financeira.

As inscrições poderão ser feitas até 28 de julho, exclusivamente por formulário eletrônico indicado no edital. Cada candidato poderá escolher, no máximo, cinco disciplinas e deverá enviar ficha de inscrição assinada e currículo atualizado, preferencialmente pela Plataforma Lattes.

O cadastro será usado pelo CEFAP (Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças) para selecionar professores conforme a necessidade dos cursos realizados em 2026. As aulas poderão ocorrer tanto na sede do centro quanto em unidades do sistema de ensino da Polícia Militar.

Apesar de ser voltado à formação policial, o processo não é restrito a integrantes da corporação. Também podem participar servidores estaduais, professores do ensino superior com graduação e profissionais com conhecimento reconhecido na área que pretendem ensinar.

Entre as opções abertas a civis está a disciplina de atendimento de ocorrências envolvendo pessoas com autismo. O edital exige “conhecimento específico na área”, mas não determina uma formação acadêmica obrigatória, o que permite a participação de profissionais como psicólogos, terapeutas, educadores e especialistas no tema.

A mesma regra vale para as aulas sobre aspectos culturais das etnias Terena e Guarani-Kaiowá. A disciplina pode atrair antropólogos, historiadores, pesquisadores e profissionais que atuem diretamente com comunidades indígenas.

Outra matéria prevista é diversidade étnico-sociocultural, relações de gênero e combate à homofobia e à discriminação racial. Também há uma disciplina voltada à conduta policial em ocorrências com pessoas vulneráveis, que pode envolver abordagens relacionadas a crianças, idosos, mulheres e pessoas com deficiência.

Na área financeira, a PM procura profissionais para ensinar educação financeira. O edital indica preferência por graduados em Economia, Ciências Contábeis ou Administração de Empresas, além de pessoas que comprovem atuação profissional no setor.

O processo, porém, não funciona como concurso público e não garante contratação. O documento deixa claro que o objetivo é formar um cadastro temporário de professores e que o credenciamento “não gera o direito de ser selecionado”.

Há ainda uma regra incomum: a Polícia Militar poderá convocar até mesmo um professor que não esteja credenciado, desde que considere que o profissional domina o conteúdo e atenda ao interesse da instituição. Ou seja, entrar no cadastro amplia a possibilidade de convite, mas não estabelece ordem de classificação nem preferência automática.

Os currículos serão analisados por uma comissão, que levará em conta a formação, a experiência profissional, a atuação como professor, cursos de capacitação e trabalhos publicados. A preferência será dada a candidatos que combinem conhecimento técnico e experiência prática.

Credenciamento terá validade de um ano, com possibilidade de prorrogação por igual período. Os selecionados receberão somente pelas aulas efetivamente ministradas, sem salário mensal fixo ou garantia de carga horária.

O edital é assinado pelo coronel Cleder Pereira da Silva, diretor da DEIP (Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa) da Polícia Militar.

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