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Refresco com risco: água no ouvido pode causar inflamação

Exposição prolongada à água remove a proteção natural do ouvido e facilita a proliferação de bactérias

Por José Cândido | 03/09/2026 10:47
Refresco com risco: água no ouvido pode causar inflamação
Exposição prolongada à água remove a proteção natural do ouvido e facilita a proliferação de bactérias. (Foto HU Brasil)

Praias, rios, piscinas e balneários ajudam a aliviar o calor, mas a permanência prolongada na água pode trazer uma consequência dolorosa: a otite externa, conhecida como “ouvido de nadador”. A inflamação atinge o canal auditivo e costuma começar de forma discreta, com coceira, incômodo e sensação de ouvido abafado.

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A exposição prolongada à água em praias, rios e piscinas pode causar otite externa, conhecida como ouvido de nadador. A inflamação ocorre quando a água remove o cerume e cria ambiente úmido favorável a bactérias. Os sintomas incluem coceira, ouvido entupido e dor. Especialistas orientam evitar objetos no ouvido e buscar atendimento médico se houver secreção ou inchaço.

O problema ocorre porque o contato frequente com a água pode remover o cerume, responsável pela proteção natural do ouvido, e alterar o equilíbrio do canal auditivo. O ambiente úmido favorece, ainda, a multiplicação de bactérias e outros micro-organismos.

Segundo o otorrinolaringologista Diego Farias, do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza, vinculado à HU Brasil, a doença não atinge apenas nadadores ou praticantes de esportes aquáticos. Qualquer pessoa exposta por muito tempo à água, seja no rio, na praia, em balneários ou piscinas, pode desenvolver a inflamação.

Quando fica retida no ouvido, a água provoca o amolecimento e o inchaço da pele do canal auditivo. Também pode causar pequenas fissuras, que abrem caminho para infecções. O risco tende a aumentar nos períodos mais quentes, quando crianças e adultos permanecem mais tempo dentro da água.

A qualidade do local escolhido para o banho também merece atenção. Ambientes com maior concentração de micro-organismos ampliam a possibilidade de infecção. Por isso, a orientação é evitar praias, rios e balneários considerados impróprios e respeitar os avisos das autoridades responsáveis pelo monitoramento da água.

Os primeiros sinais são coceira, sensação de ouvido entupido e desconforto. Se entrar água, não se deve recorrer a cotonetes, grampos, tampas de caneta ou qualquer outro objeto. Além de empurrar a cera para o fundo, a tentativa pode ferir a pele e agravar o problema.

A medida mais simples é inclinar a cabeça para o lado afetado e movimentar delicadamente a parte externa da orelha para facilitar a saída da água. Se a sensação persistir, o médico afirma que um secador pode ser usado, mas apenas com ar frio, a uma distância superior a 30 centímetros e sem manter o vento concentrado diretamente no ouvido.

Dor, vermelhidão, inchaço e secreção indicam que o quadro pode ter avançado e exigem avaliação médica. Também é recomendável procurar atendimento quando a sensação de ouvido abafado não desaparece.

O cuidado deve ser redobrado com as crianças, que costumam passar horas seguidas dentro da água nos dias de calor. Após o banho, os responsáveis devem secar apenas a parte externa da orelha e ajudar a criança a inclinar a cabeça para drenar a água.

O excesso de cerume também pode dificultar a saída do líquido. Nesse caso, a retirada deve ser realizada por um profissional. O mergulho pode ser diversão, mas o ouvido não precisa pagar a conta: prevenção simples e atenção aos primeiros sintomas evitam que o lazer termine em dor.