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Capital

Celular de estudante da UFMS tinha mais de 20 mil arquivos de abuso infantil

Análise pericial revelou novo acervo e reforçou risco apontado pelo MPMS para manter investigado preso

Por Bruna Marques | 03/09/2026 10:34
Celular de estudante da UFMS tinha mais de 20 mil arquivos de abuso infantil
Policiais analisam dados armazenados em computador durante uma das fases da Operação Infância Segura, deflagrada pelo Ministério Público. (Foto: Arquivo/MPMS)

Mais de 20 mil arquivos de abuso sexual infantil foram encontrados em um dos celulares apreendidos com o estudante de Engenharia de Software da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), João Pedro Souza de Arruda dos Santos, de 25 anos. A descoberta, feita durante o avanço das investigações, reforçou os argumentos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul para pedir a prisão preventiva do investigado.

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Mais de 20 mil arquivos de abuso sexual infantil foram encontrados no celular de João Pedro Souza de Arruda dos Santos, de 25 anos, estudante de Engenharia de Software da UFMS. O volume, superior aos 3 mil arquivos identificados anteriormente, embasou o pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Ele foi preso novamente na quarta-feira (2), durante a Operação Infância Segura VI.

A quantidade é muito superior aos cerca de 3 mil arquivos identificados anteriormente em outro aparelho. Conforme apurado pelo Campo Grande News, os mais de 20 mil conteúdos foram localizados após a análise de um celular apreendido durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão que resultou na prisão em flagrante do estudante, no dia 28 de agosto, na Vila Sobrinho, em Campo Grande.

O volume de material encontrado tornou-se um dos principais elementos considerados para sustentar a necessidade de manter João Pedro preso. Desde a audiência de custódia, realizada no dia seguinte ao flagrante, o Ministério Público já havia se manifestado contra a soltura, argumentando que havia risco de continuidade das práticas criminosas e de prejuízo às investigações.

Na ocasião, porém, o juiz José Henrique Kaster Franco indeferiu o pedido de prisão preventiva e concedeu liberdade provisória ao estudante. Entre as medidas cautelares determinadas estava o uso de tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias. A decisão levou em consideração o fato de o investigado ser primário, não possuir antecedentes e, naquele momento, não haver indícios de comercialização do material.

O aprofundamento da investigação, no entanto, trouxe novos elementos. A análise dos dispositivos apreendidos revelou uma quantidade de arquivos muito maior do que aquela conhecida inicialmente, chegando a mais de 20 mil conteúdos em um dos celulares examinados.

Conforme apurado, um dos pontos levantados para justificar a prisão preventiva foi justamente a limitação da tornozeleira eletrônica diante das características dos crimes investigados. O equipamento permite acompanhar a localização do investigado, mas, por si só, não impediria o acesso à internet ou a utilização de outro telefone, computador ou dispositivo eletrônico.

Assim, mesmo monitorado, ele poderia, em tese, utilizar outro aparelho para acessar ou obter novos arquivos. Também foi considerada a possibilidade de existência de conteúdos armazenados em serviços de nuvem ou de que materiais pudessem ser novamente baixados.

Esse cenário aumentou a preocupação com uma eventual continuidade das condutas investigadas enquanto João Pedro permanecesse em liberdade. O risco já havia sido apontado pelo Ministério Público desde a audiência de custódia e ganhou maior relevância após a descoberta do novo volume de material.

Com o surgimento dos novos elementos probatórios, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva contra o estudante. Ele voltou a ser preso nesta quarta-feira (2), durante a Operação Infância Segura VI, deflagrada pelo MPMS, por meio da UICC (Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos), em apoio à 69ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.

A ordem foi expedida pela VECA (Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente) de Campo Grande. A prisão preventiva foi fundamentada na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal, diante dos riscos apontados de destruição de provas e reiteração delitiva.

A investigação continua para dimensionar o material apreendido e esclarecer as circunstâncias relacionadas à obtenção e ao armazenamento dos arquivos encontrados nos dispositivos.

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