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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

21/04/2018 09:02

Morar perto do emprego agora é vantagem na hora de disputar vaga

Segundo a Funsat, o que antes era apenas uma preferência passou a constar na lista de requisitos

Ricardo Campos Jr.
Atendimento na Funsat, que faz a convergência entre oferta e procura de trabalho em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)Atendimento na Funsat, que faz a convergência entre oferta e procura de trabalho em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)

Conforme a cidade cresce, as distâncias aumentam e o trânsito se torna cada vez mais complicado. Para evitar que os funcionários tenham que acordar muito cedo e se desgastem enfrentando congestionamentos ou pegando ônibus lotados, empresas têm adotado como pré-requisito ao contratar novos funcionários que eles morem perto do serviço.

O diretor-presidente da Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande), Cleiton Franco, afirma que sempre houve essa preferência pela proximidade, mas de forma velada. Diante de uma lista de interessados em ocupar o posto, dava-se preferência àqueles que viviam na região da empresa.

Recentemente, porém, o endereço passou a constar na lista de exigências, junto com a escolaridade e capacitações necessárias. “Isso realmente tem aumentado. Hoje eu tenho umas 80 empresas que pedem”, afirma.

Cleiton afirma que normalmente são os estabelecimentos localizados na periferia que estabelecem esse pré-requisito. “Quem dá emprego hoje são os pequenos comerciantes. Enquanto uma grande empresa dá cem vagas de uma só vez, eu tenho 500 estabelecimentos cada um dando uma vaga”, explica.

O diretor-presidente da Funsat garante que embora limite a quantidade de candidatos, essas exigências de proximidade não afetam o trabalho feito pelo órgão, de encontrar a pessoa certa para cada vaga anunciada. “Em nosso cadastro, eu tenho pessoas de todas as regiões da cidade”.

Diretor-presidente da Funsat afirma que proximidade sempre foi preferência principalmente de pequenos estabelecimentos na periferia (Foto: Saul Schramm)Diretor-presidente da Funsat afirma que proximidade sempre foi preferência principalmente de pequenos estabelecimentos na periferia (Foto: Saul Schramm)

E pode? - A superintendente do Ministério do Trabalho em Mato Grosso do Sul, Viviane Lacerda Lopes, afirma que a CLT veda exigências consideradas preconceituosas no anúncio de vagas de trabalho, como por exemplo sexo, cor, raça ou condição familiar (por exemplo mulheres que tenham filhos).

Nesse sentido, a exigência de proximidade não se enquadra em nenhuma dessas situações. “Não entendo isso como ilegal. Esse anúncio de fato restringe a oferta de emprego aos moradores de outras regiões, mas por outro lado se está oportunizando emprego para a população daquele bairro”, completa.

Colaboradores – Ana Karoline Coelho, 36 anos, administra uma oficina de caminhões junto com o marido. Recentemente eles abriram uma vaga e pediram que os candidatos morassem perto do Jardim Noroeste, onde estão instalados.

“Nós conseguimos preencher essa vaga. O rapaz está em período de experiência. Hoje temos dez funcionários, nove deles moram aqui perto. Eu prefiro assim, porque nós abrimos às 7h e o serviço é pesado. Evitar o deslocamento é um desgaste a menos”, explica.

A proximidade facilita até a concessão de benefícios aos funcionários, como uma ajuda de custo na gasolina para quem vai de carro ou moto trabalhar, sem qualquer tipo de desconto no salário.

“É mais difícil de preencher a vaga quando se exige proximidade, até porque além disso também é necessário uma experiência qualificada, especialmente para a função de soldadores, mas por outro lado faz o bairro dar uma crescida”, afirma.

Benedito Silveira está procurando emprego e não importa se for longe de casa (Foto: Saul Schramm)Benedito Silveira está procurando emprego e não importa se for longe de casa (Foto: Saul Schramm)

Diferença – Para quem está procurando um serviço, trabalhar perto de casa é lucro, embora a necessidade suprima a distância na hora de se candidatar a alguma vaga.

É o que diz Benedito Silveira, 42 anos. Ele trabalhou durante anos como operador de máquinas e estava na Funsat atrás de uma nova oportunidade. “Para mim, não importa a região, mas estar empregado. Eu moro no Lageado e já trabalhei no Coronel Antonino, por exemplo”, completa.

Fachada da Funsat em Campo Grande (Fotos: Saul Schramm)Fachada da Funsat em Campo Grande (Fotos: Saul Schramm)


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